

U
ma caveira sorridente, dois ossos cruzados e um chapéu de palha. Para quem acompanha One Piece, reconhecer essa bandeira é fácil. Mas o que ela está fazendo em manifestações políticas? Durante as manifestações deste domingo (11), de apoio ao presidente Lula (PT), em São Paulo, a CAPRICHO observou pelo menos quatro delas: então, afinal, o que a bandeira dos “chapéu de palha” representa em um protesto na vida real?
Bem, primeiro, precisamos entender que a cena brasileira se conecta a um fenômeno internacional: a bandeira da tripulação de Luffy passou a ser usada como símbolo de liberdade, resistência e enfrentamento à opressão. Em 2025, ela ganhou destaque em mobilizações na Indonésia, no Nepal e nas Filipinas, além de aparecer em manifestações na França e Bélgica. A gente te explica.
O que essa bandeira significa em One Piece?
Criado por Eiichiro Oda em 1997, o mangá que deu origem ao anime acompanha Monkey D. Luffy e sua tripulação, os Piratas do Chapéu de Palha. A caveira com o acessório característico do protagonista é o emblema do grupo.
Nesse universo, a aventura também envolve confrontar autoridades corruptas e ajudar pessoas oprimidas. Quem é fã da série sabe que a tripulação do anime se une de forma aleatória, mas com um ideal comum: a defesa da liberdade e da possibilidade de escolher o próprio caminho. E isso nos ajuda a entender por que manifestantes se identificam com o símbolo: levar a bandeira para a rua pode ser uma maneira de associar uma reivindicação real aos valores que o público reconhece na ficção.
Como ela ganhou espaço nos protestos?
Um dos principais momentos dessa popularização aconteceu na Indonésia, em 2025. Cidadãos de várias cidades indonésias adotaram a icônica bandeira “Jolly Roger” da série como símbolo de protesto contra políticas governamentais, às vésperas do 80º aniversário da Independência da Indonésia, celebrado em 17 de agosto.
A agência de notícias Reuters ouviu participantes que relacionavam o símbolo a críticas à corrupção e ao desemprego. A reação de autoridades também chamou atenção: houve acusações de que a bandeira poderia enfraquecer outros símbolos nacionais de soberania e relatos de apreensões. A Anistia Internacional criticou a repressão e reforçou a libertade de expressão.
Em setembro daquele ano, a caveira de chapéu de palha também apareceu nos protestos do Nepal, em meio à revolta contra a corrupção e ao bloqueio de plataformas de redes sociais. As mobilizações culminaram na renúncia do primeiro-ministro.
À CNN, Bikhyat Khatri, que ajudou a organizar os atos nepaleses, explicou que a escolha dos símbolos tinha relação com referências reconhecidas pelos jovens. O anime fazia parte desse repertório e, com fácil identificação, se tornou um símbolo.
Mas isso não significa que a bandeira tenha sido usada politicamente pela primeira vez em 2025. Há registros anteriores, inclusive em manifestações pró-Palestina em 2023, viu?
E por que ela também aparece no Brasil?
A presença do símbolo em manifestações brasileiras já era mencionada em reportagens de setembro de 2025, como uma publicada pelo Minha Série, do TecMundo. Portanto, a observação no ato deste domingo se soma a um uso que já vinha acontecendo no país.
Mas a mesma bandeira não transforma todos esses atos em um único movimento. As reivindicações e os contextos políticos variam. Seu aparecimento em uma manifestação pró-Lula, por exemplo, não permite concluir que One Piece tenha uma vinculação oficial com o candidato, nem explica, sozinho, a intenção de cada pessoa que a levou. Combinado?
A interpretação mais consistente com os relatos internacionais é que o símbolo oferece uma referência compartilhada: pessoas de países diferentes reconhecem nele uma história de enfrentamento às injustiças, mesmo quando suas demandas concretas são distintas.
Quando o fandom também vira expressão política
Esse reconhecimento ajuda a explicar a força da imagem, símbolos conhecidos permitem que pessoas compartilhem uma linguagem comum, atravessando fronteiras. E a cultura pop já fez esse caminho outras vezes, viu? A saudação de três dedos de Jogos Vorazes, por exemplo, foi incorporada a manifestações na Tailândia e em Mianmar.
Com One Piece, a lógica é parecida: uma história que acompanha a vida dos fãs passa a oferecer imagens para expressar o que eles desejam fora dela. Na rua, o chapéu de palha pode comunicar tanto o amor pelo anime quanto a identificação com a liberdade que seus personagens defendem.
Com informações da Capricho




