

E
i, você aí do outro lado: a CAPRICHO sabe que a inteligência artificial generativa já faz parte do seu dia a dia há um tempo e que é para ela que você faz perguntas, pede ajuda nos estudos e até sobre outras questões do dia a dia. E as próprias ferramentas também sabem disso e, após a sanção do ECA Digital, estão pensando cada vez mais em tornar a experiência de quem tem menos de 18 anos mais segura.
Nesta semana, a OpenAI começou a disponibilizar uma nova experiência dentro do ChatGPT voltada especificamente para adolescentes. Chamada de “ChatGPT para Adolescentes”, ela é aplicada automaticamente às contas identificadas como pertencentes a menores de 18 anos e reúne recursos voltados à aprendizagem e proteções adicionais de segurança.
O recurso é muito semelhante àquele aplicado pela Meta no Instagram e que você já leu sobre aqui na CAPRICHO. E atenção: o lançamento começou globalmente nesta semana para contas elegíveis dos planos pessoais gratuitos e pagos. Segundo a empresa, a identificação pode acontecer a partir da idade informada ou verificada pelo usuário e também por meio de um sistema de estimativa de idade.
Segundo a Open AI, a mudança pode impactar principalmente na forma como a inteligência artificial pode ser usada para estudar. O chamado “Modo Estudo” prioriza perguntas orientadoras e explicações passo a passo, em vez de simplesmente entregar uma resposta pronta. A ferramenta também diz que ganhou lembretes capazes de identificar situações em que o adolescente parece estar tentando pular etapas de uma tarefa escolar e sugerir a resolução do exercício.
A experiência inclui ainda quizzes, recursos para visualizar conceitos e os chamados horários de estudo. Com eles, é possível determinar períodos em que o Modo Estudo ficará ativado por padrão. Pais com contas vinculadas às dos filhos já podiam ativar esse recurso por meio dos controles parentais.
Segurança também é prioridade, segundo a OpenAI
Outra frente importante do lançamento envolve segurança. Segundo a empresa dona do ChatGPT, usuários identificados como adolescentes recebem proteções específicas para reduzir a exposição a conteúdos considerados inadequados ou de maior risco, incluindo automutilação, transtornos alimentares, violência gráfica, atividades perigosas e conteúdo sexual explícito.
As regras seguem princípios específicos para menores de 18 anos publicados pela OpenAI no fim de 2025. Segundo a empresa, eles foram elaborados a partir de estudos sobre desenvolvimento e de consultas a especialistas externos. Entre os objetivos estão priorizar a segurança, incentivar o apoio de pessoas de confiança fora da internet e oferecer uma experiência adequada à idade.
Também há medidas para estabelecer limites na relação com a própria inteligência artificial. O ChatGPT deve evitar sugerir que possui sentimentos pelo usuário, que é consciente ou que pode substituir relacionamentos do mundo real. A proposta é diminuir riscos de dependência emocional e, em situações delicadas, incentivar adolescentes a procurar pessoas de confiança.
Além disso, a plataforma terá lembretes de pausa mais frequentes e mantém os Horários de Silêncio, que permitem definir períodos em que o ChatGPT não poderá ser usado. Os controles parentais também permitem que responsáveis por contas vinculadas configurem recursos como voz, memória e geração de imagens.
E, afinal, os pais podem ver as conversas?
Não. Segundo a OpenAI, vincular as contas não dá aos responsáveis acesso ao histórico de conversas do adolescente. Em um número restrito de situações consideradas de alto risco, porém, os sistemas podem emitir notificações de segurança aos responsáveis, compartilhando apenas as informações consideradas necessárias para que eles possam oferecer apoio.
A empresa afirma que também pretende ampliar essas notificações nas próximas semanas para situações relacionadas a transtornos alimentares.
No Brasil, o ChatGPT já utiliza um sistema de estimativa de idade para identificar contas que podem pertencer a menores de 18 anos. Quando há dúvida sobre a idade do usuário, a plataforma afirma adotar a opção mais cautelosa e aplicar as proteções adicionais destinadas a adolescentes.
A proposta, segundo a OpenAI, é permitir que adolescentes continuem usando inteligência artificial para estudar, criar e explorar assuntos de seu interesse, mas dentro de limites pensados especificamente para essa faixa etária.




