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livia Rodrigo voltou a usar defender os direitos reprodutivos das mulheres e meninas nos Estados Unidos. Nesta semana, a cantora de 23 anos participou de um vídeo publicado pelas redes sociais do Daisy Chain Fields, festival criado por ela, para chamar atenção para o fechamento de unidades da Planned Parenthood após mudanças no financiamento da organização durante o governo de Donald Trump.
Ao som de My Way, música de seu novo álbum, Olivia aparece inicialmente séria ao lado de outras mulheres. “Descobrindo que quase 30 centros de saúde da Planned Parenthood fecharam desde que o presidente Donald Trump assinou uma lei que retirou recursos da Planned Parenthood”, diz a mensagem exibida no vídeo.
Logo depois, o clima muda e o grupo começa a dançar. “Mas nunca vamos parar de lutar pelo acesso à saúde sexual e reprodutiva!!!”, completa a publicação.
A referência é à lei conhecida como One Big Beautiful Bill Act, sancionada por Trump em 4 de julho de 2025. Entre outras medidas, a legislação estabeleceu restrições ao repasse de recursos federais do Medicaid para determinadas organizações que oferecem serviços de interrupção da gravidez, atingindo unidades ligadas à Planned Parenthood.
E, sim, é importante entender o contexto: a Planned Parenthood não atua apenas na realização de abortos. A organização mantém centros de saúde nos Estados Unidos que oferecem serviços de saúde sexual e reprodutiva como métodos contraceptivos, testes e tratamentos para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), acompanhamento relacionado à gravidez, exames preventivos e orientação sobre saúde sexual e reprodutiva. Lá nos Estados Unidos não existe um SUS (Sistema Único de Saúde) como aqui no Brasil e o acesso à consultas e remédios é restrito a consultas particulares e parte da população não consegue usufruir.
Recursos federais do Medicaid já não podiam, em regra, ser utilizados para custear procedimentos de interrupção da gravidez nos Estados Unidos, com exceções previstas em lei. Por isso, organizações que se opõem à mudança argumentam que a restrição pode afetar também o acesso dos pacientes a outros tipos de atendimento médico oferecidos pelas clínicas.
A luta de Olivia pelos direitos reprodutivos não começou agora
Quem acompanha Olivia há algum tempo sabe que esse posicionamento não é novidade. A cantora tem usado shows, entrevistas e projetos próprios para falar sobre o acesso à saúde reprodutiva, principalmente entre meninas e mulheres jovens.
Em 2024, durante a Guts World Tour, ela criou o Fund 4 Good, iniciativa voltada a apoiar organizações que trabalham com educação de meninas, direitos reprodutivos e combate à violência de gênero. Em algumas apresentações da turnê nos Estados Unidos, organizações locais também distribuíram preservativos e contraceptivos de emergência ao público.
O trabalho fez com que Olivia recebesse, em 2025, o Catalyst of Change Award, prêmio concedido pela Planned Parenthood a pessoas que contribuem para a defesa dos direitos sexuais e reprodutivos.
Agora, esse ativismo também está conectado ao Daisy Chain Fields. Marcado para 29 de agosto, em Irvine, na Califórnia, o festival terá um line-up formado por mulheres e grupos liderados por mulheres, com nomes como Chappell Roan, Doechii, Mitski, KATSEYE, Garbage e Bikini Kill, além de participações especiais de Stevie Nicks, Karen O e Sarah McLachlan.
Todo o lucro líquido do evento será destinado a dez organizações que trabalham em defesa de mulheres e meninas. Entre elas estão Planned Parenthood, Center for Reproductive Rights, Black Mamas Matter Alliance e National Women’s Law Center. Ao anunciar o projeto, Olivia explicou que acredita que “alegria, comunidade e música podem ser motores de mudanças significativas”.
Olivia Rodrigo também já se posicionou outras vezes
Esse também não é o primeiro embate público entre a cantora e a atual administração norte-americana. Em 2025, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos utilizou All-American Bitch, faixa do álbum GUTS, em um vídeo relacionado às ações do ICE, agência responsável pela fiscalização de imigração e deportações no país.
Olivia reagiu publicamente e pediu que sua música não fosse utilizada para promover o que chamou de “propaganda racista e de ódio”. Meses depois, em entrevista à revista Dazed, ela voltou ao assunto e afirmou ter ficado “furiosa” ao descobrir o uso da canção. “O que eles estão fazendo é terrível, bárbaro e cruel”, declarou a artista.




