Pautas relacionadas à segurança pública, com destaque para organizações criminosas, estavam no foco da conversa entre Lula e Trump. No encontro, o brasileiro ofereceu ao republicano a possibilidade de se juntar a algumas iniciativas brasileiras, como a Polícia da Amazônia, o Consenso de Brasília e o novo programa “Brasil contra o crime organizado”
Em coletiva de imprensa após o encontro, o chefe do Planalto comentou sobre o convite feito a Trump e adiantou uma das propostas.
“Criamos uma base na cidade de Manaus com a participação de representantes das polícias de países da América do Sul para combater o crime organizado, o tráfico de armas e drogas na fronteira brasileira. Se os Estados Unidos quiserem participar conosco, estarão convidados“, disse Lula.
Classificação de facções como terroristas
O combate ao crime organizado tornou-se matéria de impasse na agenda bilateral com os Estados Unidos depois que a Casa Branca manifestou interesse em classificar organizações criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como terroristas.
A avaliação do governo federal é de que tal classificação pode gerar complicações para o Brasil, abrindo, inclusive, precedentes para possível atuação militar dos EUA em solo brasileiro
De acordo com Lula, a possibilidade dessa classificação não foi discutida entre os dois líderes.
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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Casa Branca, Washington, D.C.
Ricardo Stuckert / PR
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Lula e Trump em encontro na Casa Branca
Ricardo Stuckert/Presidência da República
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Lula e Trump em encontro na Casa Branca
Reprodução/ Ricardo Stuckert/ PR
Polícia da Amazônia
Uma das iniciativas que o Brasil já toca e que mira o combate ao crime organizado tem foco na Amazônia. Chamado de Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI), o órgão foi formulado pela Polícia Federal do Brasil, em cooperação com os estados que formam a Amazônia e foi aderido pela Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). Agora, o centro promove coordenação entre os 8 países que formam a floresta amazônica.
A organização inclui, além do Brasil, a Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Entre os objetivos da OTCA estão a preservação da Amazônia, melhorar a qualidade de vida das populações locais, compartilhar informações e promover ações conjuntas na região.
O centro está sediado em Manaus e foi inaugurado em setembro de 2025. O local reúne policiais dos países amazônicos e da Interpol, que compartilham informações e atuam em conjunto no repressão ao crime na Amazônia.
Entre as tratativas acordadas, os países concordaram em buscar soluções coordenadas de combate ao crime organizado. O Metrópoles apurou com fontes diplomáticas que, dentro deste grupo, tem sido desenvolvido uma atuação de cooperação que mira a troca de informações entre penitenciárias de países sul-americanos.
Um dos principais objetivos do Consenso de Brasília é o desenvolvimento de ações para coibir o sinal de celular em penitenciárias. A ideia seria a troca de informações e de expertise entre os países para adotar ações mais efetivas no combate e controle dos presídios.
Brasil contra o crime organizado
Nessa sexta-feira (8/5), o presidente Lula anunciou ainda que vai lançar o plano “Brasil contra o crime organizado”. O plano será dividido em quatro eixos principais, que vão mirar na asfixia financeira; padrão de segurança máxima dos presídios; aumento da taxa de esclarecimento dos homicídios e o combate efetivo ao tráfico de armas.
O governo brasileiro também tem uma acordo bilateral com o governo norte-americano que mira o combate o tráfico de drogas e de armas. De acordo com a Polícia Federal (PF), centenas de armas com origem nos EUA e tentam entrar de maneira irregular no Brasil são apreendidas mensalmente.
A parceria entre os dois países prevê o compartilhamento de informações sobre apreensões feitas nas aduanas dos dois países, de forma a viabilizar uma investigação célere de padrões, rotas e vínculos entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.