O que é ‘depressão sorridente’ e como ela pode afetar a nossa galera

 (FG Trade/Getty Images)


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alvez, um dos maiores perigos da depressão seja que ela não vem com um aviso de chegada. Às vezes, a pessoa parece bem, alegre e extrovertida e, ainda sim, está passando por questões que ainda não deram um sinal ‘claro’. A verdade é que essa doença não segue um roteiro específico de sintomas, sinais ou comportamento – e essa é justamente a realidade, ainda pouco estudada, de quem vive com a chamada ‘depressão sorridente’.

O curioso, é que a ideia de “depressão sorridente” surge daquilo que chamamos de paradoxo. O termo une duas palavras pouco usadas juntas e que parecem não fazer sentido lado a lado. Mesmo assim, pesquisas recentes apontam que essa doença existe e que ela está também entre a nossa galera.

A pesquisadora de saúde mental da Universidade de Cambridge, Olivia Remes, revelou para a BBC que o termo diz respeito aquelas pessoas que parecem felizes por fora, mas que, por dentro, sentem-se deprimidas e desanimadas.

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Aqui, é necessária uma distinção importante: é comum que todos sintam-se tristes de vez em quando, mas isso não significa, necessariamente, que a pessoa lide com a ‘depressão sorridente’, tá? Esse diagnóstico não é oficialmente reconhecido, mas tem ganhado uma certa atenção popular.

Nos últimos cinco anos, as buscas pela expressão ‘depressão sorridente’ cresceram em 50%, segundo um relatório do Google Trends. Talvez, esse interesse público pelo tema nos revele algumas coisas: a primeira delas é que ainda temos dificuldade em reconhecer o sofrimento psíquico quando ele não corresponde à imagem que construímos de uma pessoa deprimida. A segunda é que a nossa galera pode ter dificuldade em demonstrar sofrimento e se mostrar vulnerável.

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E para os jovens? Como essa doença aparece e se manifesta?

Na adolescência ou no início da vida adulta, essa questão pode ganhar contornos ainda mais complexos. É uma fase marcada por mudanças, descobertas, cobranças e pela necessidade de pertencimento. E aqui, existe um risco crescente dos jovens esconderem os próprios sentimentos e dificuldades pelo medo do julgamento. 

Essa situação já foi, inclusive, alvo de pesquisas recentes no Brasil, sabia? Um relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstrou a importância de falar sobre o assunto. Os dados, que foram divulgados em março de 2026, revelam que Três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram que se sentem tristes sempre ou na maioria das vezes. 

E quando o assunto é a depressão sorridente, deve haver um cuidado ainda maior: em alguns casos, o jovem continua frequentando a escola, saindo com os amigos, publicando fotos e dando risada. Mas isso não significa, necessariamente, que ele esteja bem ou saudável.

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Existe, ainda, um fator importante: a dificuldade de pedir ajuda. Para alguns jovens, admitir que não estão bem pode parecer uma demonstração de fraqueza ou uma forma de decepcionar a família, os amigos e a si mesmos. Para outros, o receio de não serem compreendidos faz com que escondam o que sentem atrás de uma rotina aparentemente normal.

Afinal, nem sempre o sofrimento é visível – e não deveria ser preciso demonstrar que está mal para que sua dor seja levada a sério.

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Com informações da Capricho

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