Mulheres atendidas na Casa Rosa Mulher iniciam curso de costura industrial

Foto: David Medeiros

Mulheres atendidas na Casa Rosa Mulher, em Rio Branco, iniciaram nesta quinta-feira (16) um curso de costura industrial. A capacitação é resultado de um termo de convênio firmado entre a Prefeitura de Rio Branco, a Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) e o Senai, viabilizado por emenda parlamentar da deputada Jéssica Sales. O espaço também recebeu equipamentos, entre eles máquinas de costura e materiais de costura.

A primeira-dama de Rio Branco, Roberta Lins, que representou o prefeito Alysson Bestene na cerimônia, afirmou que a iniciativa amplia as possibilidades de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade social. “É uma oportunidade de aumentar a renda, de outros ares para essas mulheres que já vêm sofrendo vulnerabilidade social”, disse.

Foto: David Medeiros

Roberta Lins destacou ainda que a parceria com o Senai deve alcançar outros públicos e espaços. “Já conversamos com o Senai. Então, temos aí outras parcerias que virão para essas mulheres, para outros públicos, porque a Prefeitura é da infância ao idoso”, declarou. Segundo ela, além da unidade da Casa Rosa Mulher, a Casa Fio a Fio, no conjunto Rui Lino, também oferece cursos. O espaço foi inaugurado em 2 de junho, com investimento municipal de R$ 355 mil, e é voltado à autonomia econômica de mulheres em situação de vulnerabilidade social.

A promotora de justiça Diana Pimentel, do Ministério Público do Acre (MPAC), acompanhou a aula inaugural e classificou a ação como resultado de articulação entre instituições. “Hoje é um dia de muita alegria, um sonho que está se concretizando. Nós estamos aprendendo a trabalhar em rede, e o resultado desse trabalho unido, de todos os órgãos, é poder ajudar na proteção dessas mulheres”, afirmou.

Foto: David Medeiros

A promotora acrescentou que a qualificação profissional funciona como medida de prevenção. “Profissionalizar as mulheres para que elas tenham oportunidade de trabalho, oportunidade de ganhar o seu dinheiro, para cuidar de si mesma e de sua família, e para começar uma nova vida”, disse. “Nós precisamos atuar na prevenção e na dignidade de vida às nossas mulheres e às crianças”, completou.

Entre as alunas da turma está Adaíres Costa, de 56 anos, que tem paraplegia, sequela de poliomielite contraída aos 3 anos de idade. Ela nasceu no interior da Bolívia, filha de pais cearenses, e é atendida na Casa Rosa Mulher desde setembro de 2025. “Para mim é a realização de um sonho desde criança. Vi a minha avó costurar e eu tinha muita vontade de costurar, mas eu sou paraplégica”, contou.

Foto: David Medeiros

Adaíres afirmou que se inscreveu assim que soube da abertura da turma. “Quando eu fiquei sabendo que teria esse curso, eu acho que fui a primeira a dar o meu nome para fazer esse curso de corte e costura”, disse. Moradora do ramal Bom Jesus, no bairro Vila Acre, ela acorda às 5h e pega dois ônibus para chegar à unidade. “Eu tenho que acordar 5 da manhã, pegar o ônibus às para ir pro terminal e do terminal eu pego o Taquari”, ela contou parte da rotina.

Para que pudesse participar, duas máquinas foram adaptadas. “Tiveram que adaptar duas máquinas, uma industrial, porque a minha perna não tem força, então adaptaram a máquina industrial para eu apertar com a mão, e uma overlock também para eu apertar com a mão. Então, se não fosse isso, eu não teria condição de fazer o curso”, afirmou. “Para mim, eu me senti muito especial.”

Ela também descreveu os planos após a conclusão da capacitação. “Tenho o sonho de trabalhar primeiro fazendo as roupas para mim, porque eu tenho as minhas pernas, elas são curtas”, disse. “Esse é o meu objetivo, trabalhar com reparos. Fazer bainha, apertar aqui, ali. Esse é o meu sonho.”

Foto: David Medeiros

O diretor-geral do Senai, César Dotto, afirmou que a instituição atua em parceria com a Prefeitura de Rio Branco e citou é fruto de um trabalho conjunto. “O Senai pode ajudar muito”, declarou. “Nós trouxemos aqui um curso de formação, mas não é um curso qualquer. É um curso de formação em costura industrial”, ressaltou.

Rebeca Martins

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