Mulheres atendidas na Casa Rosa Mulher, em Rio Branco, iniciaram nesta quinta-feira (16) um curso de costura industrial. A capacitação é resultado de um termo de convênio firmado entre a Prefeitura de Rio Branco, a Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) e o Senai, viabilizado por emenda parlamentar da deputada Jéssica Sales. O espaço também recebeu equipamentos, entre eles máquinas de costura e materiais de costura.
A primeira-dama de Rio Branco, Roberta Lins, que representou o prefeito Alysson Bestene na cerimônia, afirmou que a iniciativa amplia as possibilidades de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade social. “É uma oportunidade de aumentar a renda, de outros ares para essas mulheres que já vêm sofrendo vulnerabilidade social”, disse.
Roberta Lins destacou ainda que a parceria com o Senai deve alcançar outros públicos e espaços. “Já conversamos com o Senai. Então, temos aí outras parcerias que virão para essas mulheres, para outros públicos, porque a Prefeitura é da infância ao idoso”, declarou. Segundo ela, além da unidade da Casa Rosa Mulher, a Casa Fio a Fio, no conjunto Rui Lino, também oferece cursos. O espaço foi inaugurado em 2 de junho, com investimento municipal de R$ 355 mil, e é voltado à autonomia econômica de mulheres em situação de vulnerabilidade social.
A promotora de justiça Diana Pimentel, do Ministério Público do Acre (MPAC), acompanhou a aula inaugural e classificou a ação como resultado de articulação entre instituições. “Hoje é um dia de muita alegria, um sonho que está se concretizando. Nós estamos aprendendo a trabalhar em rede, e o resultado desse trabalho unido, de todos os órgãos, é poder ajudar na proteção dessas mulheres”, afirmou.
A promotora acrescentou que a qualificação profissional funciona como medida de prevenção. “Profissionalizar as mulheres para que elas tenham oportunidade de trabalho, oportunidade de ganhar o seu dinheiro, para cuidar de si mesma e de sua família, e para começar uma nova vida”, disse. “Nós precisamos atuar na prevenção e na dignidade de vida às nossas mulheres e às crianças”, completou.
Entre as alunas da turma está Adaíres Costa, de 56 anos, que tem paraplegia, sequela de poliomielite contraída aos 3 anos de idade. Ela nasceu no interior da Bolívia, filha de pais cearenses, e é atendida na Casa Rosa Mulher desde setembro de 2025. “Para mim é a realização de um sonho desde criança. Vi a minha avó costurar e eu tinha muita vontade de costurar, mas eu sou paraplégica”, contou.
Adaíres afirmou que se inscreveu assim que soube da abertura da turma. “Quando eu fiquei sabendo que teria esse curso, eu acho que fui a primeira a dar o meu nome para fazer esse curso de corte e costura”, disse. Moradora do ramal Bom Jesus, no bairro Vila Acre, ela acorda às 5h e pega dois ônibus para chegar à unidade. “Eu tenho que acordar 5 da manhã, pegar o ônibus às para ir pro terminal e do terminal eu pego o Taquari”, ela contou parte da rotina.
Para que pudesse participar, duas máquinas foram adaptadas. “Tiveram que adaptar duas máquinas, uma industrial, porque a minha perna não tem força, então adaptaram a máquina industrial para eu apertar com a mão, e uma overlock também para eu apertar com a mão. Então, se não fosse isso, eu não teria condição de fazer o curso”, afirmou. “Para mim, eu me senti muito especial.”
Ela também descreveu os planos após a conclusão da capacitação. “Tenho o sonho de trabalhar primeiro fazendo as roupas para mim, porque eu tenho as minhas pernas, elas são curtas”, disse. “Esse é o meu objetivo, trabalhar com reparos. Fazer bainha, apertar aqui, ali. Esse é o meu sonho.”
O diretor-geral do Senai, César Dotto, afirmou que a instituição atua em parceria com a Prefeitura de Rio Branco e citou é fruto de um trabalho conjunto. “O Senai pode ajudar muito”, declarou. “Nós trouxemos aqui um curso de formação, mas não é um curso qualquer. É um curso de formação em costura industrial”, ressaltou.
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Rebeca Martins




