Moradores do Suvaco da Onça cobram empresa após corte de energia

Foto: Kennedy Santos/ac24horas

Um dia após a retirada de fios que eram utilizados para levar energia elétrica a imóveis de uma área de ocupação entre o Loteamento Jaguar e o Conjunto Ouricuri, em Rio Branco, moradores foram até a sede da Energisa, no bairro Bosque, nesta terça-feira (15), para cobrar explicações e pedir uma solução para o fornecimento de energia.

A área é conhecida pelos moradores como Suvaco da Onça e reúne famílias que, segundo relatos apresentados à reportagem, vivem no local há entre 15 e 20 anos. A mobilização ocorreu depois que a Energisa realizou, na segunda-feira (14), uma ação para retirar os fios existentes na região, deixando diversas famílias sem energia..

Nesta terça-feira, o repórter Kennedy Santos, do ac24horas, esteve na região e registrou as condições de infraestrutura do local. A área apresenta ruas e acessos precários, segundo a reportagem.

Moradores questionam falta de aviso

Carine Rodrigues, moradora da região, reconheceu que a área é uma ocupação, mas questionou a forma como a retirada dos fios foi realizada. Segundo ela, os moradores não receberam aviso antes da chegada das equipes. “Eles só chegaram e já foram subindo nos postes falando que ia cortar. Não falaram para entrar em casa, desligar a luz para não danificar as coisas, televisão, geladeira. Só chegaram e cortaram a luz de todo mundo”, relatou.

Carine também afirmou que os moradores não se recusam a pagar pelo consumo de energia e defendeu uma alternativa para regularizar o fornecimento. “A gente não está se negando a pagar. A gente quer, porque luz é para todo mundo, é essencial. Como é que a gente vai viver sem luz? Como é que as crianças vão para o colégio?”, questionou.

A Energisa, entretanto, afirma que não pode realizar ligações ou regularizar o fornecimento em áreas de ocupação irregular. De acordo com a empresa, o atendimento regular depende da comprovação da posse dos imóveis e do cumprimento das exigências dos órgãos competentes.

Algumas casas ainda têm energia

Durante a visita ao local, a reportagem constatou que algumas residências continuavam com energia elétrica. Não foi possível, porém, confirmar se o fornecimento era regular ou se ocorria por meio de ligações clandestinas.

A equipe também registrou a presença de uma pessoa sobre um poste, aparentemente realizando uma intervenção na rede. A reportagem não conseguiu identificar o homem nem confirmar se a ação tinha autorização da concessionária.

A Energisa alerta que ligações clandestinas representam risco à população e afirma que o furto de energia é crime.

Moradores vão à sede da Energisa

Enquanto a reportagem esteve na região, um grupo de moradores se reuniu com representantes da Energisa na sede da empresa, no bairro Bosque.

Segundo Francineia Fernandes, moradora que participou da reunião, a concessionária não apresentou uma solução imediata, mas teria se comprometido a enviar uma equipe à área para verificar a situação. “Prometeram nada. Só prometeram ir lá e olhar e mostrar para a gente que lá era verde no mapa”, afirmou.

Francineia demonstrou indignação com a situação das famílias e afirmou que os moradores pretendem ampliar a mobilização caso não haja uma solução. “A gente está sendo tratado que nem cachorro. Isso aí não pode acontecer”, declarou.

Ela também relatou que os moradores perderam alimentos após a interrupção da energia. “Até a comida que a gente tinha, a gente não tem mais, porque estragou tudo. A gente já vive de doação, ainda vem e estraga tudo”, afirmou.

A moradora também disse que os residentes podem realizar novos protestos e bloquear vias caso o problema não seja solucionado.

Energisa mantém posição

A Energisa informou que o combate às ligações clandestinas é uma obrigação legal das distribuidoras de energia. A empresa também citou a Resolução Normativa nº 1.000/2021 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ao afirmar que não é necessário aviso prévio para a interrupção de energia em casos de ligação clandestina.

A concessionária reforçou que a área não possui rede elétrica regular e que a regularização do atendimento está condicionada à comprovação da posse dos imóveis e ao cumprimento das exigências dos órgãos competentes.

O caso agora envolve uma disputa entre a reivindicação dos moradores, que pedem acesso ao fornecimento de energia e uma possibilidade de regularização, e a posição da concessionária, que sustenta que não pode manter ligações irregulares em uma área de ocupação sem o atendimento das exigências legais.

Veja o vídeo:

Whidy Melo

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
X
Threads
Telegram
Print
LinkedIn

Siga nossas Redes Sociais

Leia também