Lula visitará navio da Petrobras no Amapá para exaltar indícios de petróleo e em gesto a Alcolumbre

RAPHAEL DI CUNTO
MACAPÁ, AP (FOLHAPRESS) – O presidente Lula (PT) tem prevista uma viagem ao Amapá nesta segunda-feira (17), para reforçar o discurso de soberania nacional, com a descoberta de petróleo na bacia da Foz do Amazonas e num gesto de aproximação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

A SRI (Secretaria de Relações Institucionais) já enviou o convite para políticos da região, para recepção ao presidente no Oiapoque (AP) pela manhã.

Lula visitará junto com Alcolumbre, com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e com o governador Clécio Luís (União Brasil), que é candidato à reeleição, o navio-sonda da Petrobras. Uma entrevista à imprensa deve ocorrer no fim da tarde.

O governo trabalha para que, no mesmo dia da visita, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) anuncie a autorização para que a Petrobras perfure mais três poços na mesma área, PAD-Morpho, Manga e Crotalus, para aprofundar os estudos.

Na sexta (14), a Petrobras informou que identificou a presença de hidrocarbonetos no primeiro poço explorado na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas na costa do Amapá. Embora a confirmação ainda dependa de testes, integrantes da estatal dizem que a probabilidade de que se trate de petróleo é alta.

O Morpho é o primeiro do bloco 59 a ser prospectado pela estatal. Lula tem defendido a necessidade de explorar petróleo em novas áreas para evitar que o país volte a ser importador de petróleo. O Brasil precisa explorar novas reservas a partir de 2034-2035, quando o pré-sal deve atingir seu pico de produção e começar a declinar.

Com os desentendimentos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a soberania nacional se transformou num dos principais motes da campanha à reeleição de Lula, e a independência energética faz parte desse eixo.

Além disso, a descoberta feita pela Petrobras deve ser explorada por Lula no contexto do seu slogan eleitoral “O Brasil pronto para mais”, em que o presidente quer afirmar ao eleitor que tem avanços a fazer num próximo governo.

Além disso, a visita logo no segundo dia de campanha eleitoral reforça a aproximação de Lula com Alcolumbre. Ambos ficaram sem conversar por mais de 90 dias, após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal).

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, atuou para eles se reconciliassem e organizou um jantar de reaproximação. Desde então, Lula e Alcolumbre se encontraram mais duas vezes. Nesta segunda, com a visita, será a quarta vez em dez dias.

Após o encontro de sexta (14), o presidente do Senado destravou três pautas prioritárias para o governo: as PECs (Propostas de Emenda à Constituição) do fim da jornada 6×1 e da Segurança Pública, e o projeto de lei do marco legal de exploração dos minerais críticos.

Durante a visita, Lula deve declarar apoio à reeleição do governador Clécio Luís, aliado de Alcolumbre que está atrás nas pesquisas de intenção de voto, numa disputa contra o ex-prefeito de Macapá dr Furlan (PSD). O governador afirmou à Folha que fará campanha para o petista.

A perfuração de Morpho teve um dos mais conturbados processos de licenciamento ambiental do país, com idas e vindas e atropelos sobre a área técnica do Ibama, que chegou a recomendar o arquivamento do processo.

O instituto finalmente concedeu a licença em outubro de 2025, sob pressão do presidente Lula e de políticos da região, em especial Alcolumbre. O documento foi emitido às vésperas da COP30, em Belém, e entrou na mira de organizações presentes ao evento.

Para ambientalistas, a abertura de novas fronteiras para a produção de petróleo contraria alertas de cientistas sobre a necessidade de reduzir a queima de combustíveis fósseis para enfrentar a mudança climática.

O governo defende que o Brasil não pode abrir mão de explorar as riquezas de seu subsolo. Na COP, dois meses após autorizar a perfuração, Lula propôs, sem sucesso, a aprovação de medidas para reduzir o consumo de fósseis.

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