A Justiça do Maranhão condenou Jordélia Pereira Barbosa pelo caso do ovo de Páscoa enviado a uma família em Imperatriz (MA). A decisão envolve a morte de duas crianças e a tentativa de homicídio da mãe delas.
A Justiça do Maranhão condenou, na madrugada desta terça-feira (23), Jordélia Pereira Barbosa a 66 anos de prisão, em regime fechado, pelo envenenamento e morte de duas crianças. Elas morreram após comer um ovo de Páscoa enviado pela acusada para a casa delas, localizada no município de Imperatriz.
O juiz Fábio da Costa Vilar determinou o cumprimento imediato da pena, manteve a prisão preventiva de Jordélia e recusou o direito de recorrer em liberdade. O magistrado ainda fixou uma indenização mínima por danos morais de 100 salários mínimos para a mãe das crianças, Mirian Lira Rocha, e de 400 salários mínimos para os pais das duas crianças.
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu que a acusada praticou tentativa de homicídio triplamente qualificado contra Mirian, por motivo torpe, com emprego de veneno e mediante dissimulação. Os jurados concluíram que a morte da vítima não ocorreu apenas em razão do rápido socorro médico prestado.
Em relação às crianças, os jurados reconheceram a prática de duplo homicídio quadruplamente qualificado. Conforme a decisão, a ré assumiu o risco de provocar a morte dos menores ao enviar o alimento envenenado para a residência onde eles viviam com a mãe. Foram reconhecidas as qualificadores de motivo torpe, uso de veneno, dissimulação e a idade das vítimas.
Na sentença, o juiz também destacou o elevado grau de planejamento da ação criminosa. Jordélia teria se deslocado de Santa Inês para Imperatriz, utilizado disfarces, se hospedado em um hotel com identidade falsa e monitorado a rotina das vítimas antes de praticar o crime.
A pena total foi fixada em 66 anos, 8 meses e 7 de reclusão pelos crimes de duplo homicídio qualificado consumado contra duas crianças e tentativa de homicídio qualificado contra a mãe das vítimas. Em entrevista à TV Mirante, filiada à Globo, Mirian Lira falou sobre o julgamento. “É um passo muito importante que a gente estava aguardando para que a Justiça venha a ser feita. É a única maneira de honrar a memória dos meus filhos“, declarou.
Relembre o caso
O crime aconteceu em abril do ano passado e teve grande repercussão nacional. As vítimas foram Luiz Fernando Rocha da Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13. A mãe dos dois irmãos, Mirian Lira Rocha, ficou dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado grave. Ela sobreviveu.
O ovo de Páscoa que as crianças comeram continha chumbinho – um pesticida usado frequentemente para matar ratos. Segundo a denúncia, Jordélia enviou o chocolate para a casa de Mírian através de um mototaxista. Conforme o Ministério Público do estado (MPMA), o crime foi motivado por ciúmes e vingança. À época, Jordélia era ex-namorada do companheiro de Mírian.
Durante as investigações, a polícia concluiu que o crime foi premeditado. O ovo de Páscoa foi acompanhado de um bilhete, que dizia: “Com amor para Mirian Lira. Feliz Páscoa!!!“. Em depoimento, Jordélia admitiu que comprou o chocolate e enviou à mãe das crianças, mas atribuiu o envenenamento a terceiros. A versão foi considerada infundada pela Justiça.
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Sally Borges




