“Imigração irregular”: Portugal reforça vigilância em mar e terra

A Polícia Marítima e a Marinha Portuguesa anunciaram, neste sábado, que estão “reforçando o controle da fronteira marítima, por meio de patrulhas regulares e diárias, realizadas por mar e por terra, ao longo da costa do Algarve”.

Segundo a Polícia Marítima, “essas ações são realizadas de forma coordenada e integrada, garantindo um dispositivo no mar e em terra, reforçando a vigilância, detecção e interceptação de embarcações que possam estar ligadas a fenômenos de migração irregular ou outras atividades ilícitas”.

A Polícia Marítima e a Marinha também ressaltaram que a “segurança marítima é uma missão compartilhada” e pediram a colaboração da população, solicitando que qualquer movimentação suspeita seja comunicada ao Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa (MRCC Lisboa) ou ao Comando Local da Polícia Marítima da respectiva área.

O anúncio ocorre um dia após o primeiro-ministro, Luís Montenegro, ter rejeitado a suspensão das regras do espaço Schengen na sequência da crise migratória em Ceuta, defendendo, em vez disso, um reforço da vigilância nas fronteiras marítima e terrestre do sul de Portugal.

O chefe do governo português considerou que a prioridade é reforçar os mecanismos de controle das regras previstas no Pacto Europeu para as Migrações e Asilo, afastando medidas mais drásticas, como as defendidas por alguns governos europeus.

“Acredito que não há razão para adotarmos nenhuma medida de suspensão das regras do espaço Schengen, mas há razões para reforçarmos a presença das forças de autoridade no controle das fronteiras, principalmente aquelas que estão mais próximas desse acontecimento. Estamos nos referindo ao sul do país, especialmente à fronteira marítima e à fronteira terrestre no sul de Portugal. Isso nós faremos, é o que nos parece mais adequado”, afirmou.

As declarações do governante ocorrem em um momento em que a Itália anunciou a retomada temporária de controles sobre passageiros provenientes da Espanha, em portos e aeroportos, e a França decidiu reforçar o dispositivo policial na fronteira franco-espanhola, após a entrada de dezenas de milhares de migrantes em Ceuta vindos do Marrocos.

A cidade autônoma espanhola de Ceuta, situada no norte da África, registrou desde quinta-feira uma entrada em massa de migrantes vindos do Marrocos. As autoridades locais estimaram o número em cerca de 60 mil pessoas, acima das aproximadamente 50 mil entradas contabilizadas pelo governo de Madri.

Pelo menos 48.300 migrantes haviam retornado voluntariamente ao Marrocos até as 18h locais de sexta-feira (17h em Lisboa), segundo o Ministério do Interior espanhol.

Pelo menos 57 pessoas morreram desde quinta-feira ao tentar chegar a Ceuta a nado, segundo o balanço mais recente das autoridades.

Ceuta, um pequeno território de 80 mil habitantes situado no extremo norte do Marrocos, banhado pelo Estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre a África e a Europa, ao lado do outro enclave espanhol de Melilla.

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