Idosa é intubada após comer peixe no RN; suspeita é de ciguatera

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Uma mulher de 72 anos foi internada e intubada na UTI após comer uma moqueca de peixe em Natal; a suspeita é de intoxicação por ciguatera, e outras duas pessoas que participaram do almoço também precisaram de tratamento intensivo.

Fátima Santos comeu uma moqueca preparada com uma cioba durante um almoço na casa de amigas. A refeição ocorreu em 27 de junho. Cerca de 40 minutos depois, ela, a professora aposentada Mirian Carvalho e a advogada Cíntia Carvalho começaram a passar mal.

As três mulheres precisaram ser internadas na UTI. Mirian e Cíntia receberam alta e se recuperam em casa, mas Fátima permanecia internada e intubada em um hospital particular de Natal segundo a TV Ponta Negra, afiliada do SBT. “Foi a experiência mais assustadora que eu já vivi na minha vida. Não só por mim, mas por ver a minha mãe também ao meu lado sofrendo muito”, disse Cíntia à emissora.

A advogada relatou queda acentuada da pressão e batimentos cardíacos fracos. Ela também teve vômitos, diarreia, dores e coceira no corpo, cansaço e sensação de queimação nas mãos, nos pés e na boca.

Mirian comprou a cioba congelada em uma peixaria do bairro onde mora. Segundo ela, o alimento não apresentava alterações de cheiro, aparência ou sabor antes de ser preparado. “O peixe estava uma delícia, tudo estava perfeito, o aroma perfeito e, 40 minutos depois, nós já estávamos com sintomas de vômitos e diarreia”, afirmou Cíntia.

Fátima também teria apresentado alterações neurológicas. Mirian afirmou que a filha da amiga relatou episódios de esquecimento e mudanças de comportamento. A informação não foi confirmada pelo hospital.

A suspeita é de intoxicação por ciguatera. A condição é provocada pelo consumo de peixes contaminados por ciguatoxinas, substâncias produzidas por microalgas marinhas e acumuladas na cadeia alimentar.

A toxina não é eliminada pelo cozimento, congelamento ou salga. Ela também não modifica o cheiro, o gosto ou a aparência do peixe, o que dificulta a identificação da contaminação antes da refeição.

O Rio Grande do Norte registrou aumento das notificações de ciguatera em 2026. Até 11 de junho, o estado havia contabilizado 141 ocorrências, ante 88 em todo o ano de 2025, alta de 60,2%. Desde 2022, foram 259 notificações, 113 casos confirmados e duas mortes, segundo a Sesap.

Parte da alta pode estar relacionada à adoção da notificação compulsória neste ano. Diana Rêgo, coordenadora de Vigilância em Saúde da Sesap, explicou ao Bom Dia RN, da Inter TV Cabugi, que a mudança ampliou a identificação dos episódios pelos profissionais de saúde. “Esse também é um fator que faz com que a gente tenha esse aumento de casos, porque a gente sensibiliza os profissionais de saúde”, afirmou Diana.

A Sesap monitora as intoxicações desde 2022 e intensificou as ações em 2025. A secretaria realizou reuniões com representantes da agricultura e da pesca, pesquisadores de universidades e colônias de pescadores para estudar a ocorrência da toxina no litoral potiguar.

O primeiro semestre costuma concentrar o maior número de casos. Entre as espécies mais frequentemente relacionadas às intoxicações estão a bicuda, também conhecida como barracuda, a arabaiana, o dourado, a cioba, a pescada-branca, o galo-do-alto, o pargo e o sirigado.

Natal concentra mais da metade dos registros no estado. A capital responde por 52,21% dos casos, seguida por Touros, Ceará-Mirim, Nísia Floresta, Parnamirim e Extremoz.

Os primeiros sintomas podem aparecer minutos ou até 48 horas após o consumo do peixe. Dor abdominal, náusea, vômitos e diarreia estão entre as manifestações gastrointestinais mais comuns.

A intoxicação também pode provocar alterações neurológicas e cardiovasculares. Coceira, dormência, fraqueza, tontura, dor de cabeça e a chamada inversão térmica -quando o quente parece frio e vice-versa- estão entre os sinais relatados. Casos graves podem causar pressão baixa e redução dos batimentos cardíacos.

A orientação da Sesap é procurar atendimento médico diante de sintomas após o consumo de pescado. O paciente deve informar aos profissionais de saúde qual peixe foi consumido e, quando possível, preservar sobras congeladas para análise da Vigilância Sanitária.

O UOL procurou o Hospital do Coração e a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte para atualizar o quadro de Fátima e confirmar a investigação do episódio. O texto será atualizado caso haja resposta.

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Folhapress

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