Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) bloquearam os dois sentidos da Avenida Ceará, na altura do complexo viário, no centro de Rio Branco, por volta das 17h desta quarta-feira (15). O ato reúne movimentos estudantis e coletivos que cobram a volta de um número mínimo de ônibus às ruas da capital.
O bloqueio foi montado em horário de pico, quando trabalhadores deixam o expediente, e provocou filas e retorno de veículos no sentido contrário. Os manifestantes levaram caminhão de som e estenderam faixas no local.
Segundo o representante estudantil Kayke Mendonça, a mobilização integra uma semana de atos definida em assembleia que deflagrou a greve estudantil, com ações de segunda a sexta-feira. Ele afirmou que o movimento representa não apenas universitários e secundaristas, mas também trabalhadores que enfrentam a baixa frequência dos ônibus no Terminal Urbano.
Entre os resultados apontados pelo movimento estão o retorno do atendimento da linha do Ifac no sábado e a suspensão do calendário acadêmico da Ufac nesta quarta-feira. “Nossas mobilizações, elas vêm tanto para aprisionar a reitoria, mas para pressionar o poder público, que seja feito um retorno de quantitativo mínimo de ônibus para voltar às ruas de Rio Branco”, declarou.
Pela manhã, o superintendente da RBTrans afirmou que o transporte coletivo para a Ufac havia sido normalizado. Kayke contestou a avaliação. “Mesmo que a linha do Ufac seja normalizada, os alunos não conseguem chegar no terminal ou quando voltam da Ufac para o terminal, não conseguem voltar do terminal para suas casas nos bairros”, disse, ao citar estudantes do Taquari, da Cidade Nova e de bairros distantes que precisam de mais de uma linha para se locomover.
O ato não tem horário definido para encerrar. De acordo com o estudante, o comando de greve avalia o nível de mobilização alcançado antes de decidir pelo fim da manifestação.
O protesto desta quarta-feira ocorre dois dias após a manifestação realizada em frente à Prefeitura de Rio Branco, na segunda-feira (13), que terminou em confusão. Integrantes do movimento estudantil relataram uso de spray de pimenta e agressões durante a ação policial, incluindo contra um estudante secundarista menor de idade. Após reunião com o prefeito, os estudantes afirmaram ter recebido a promessa de recolocação de 26 ônibus em circulação.
Foto: Iago Nascimento
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A crise se agravou após a Justiça determinar, em 30 de junho, a busca e apreensão de ônibus utilizados pela Ricco Transportes, em disputa judicial sobre a aquisição dos veículos, com dívida superior a R$ 3 milhões. Com frota reduzida, o sistema passou a operar de forma parcial.
Em 6 de julho, o prefeito Alysson Bestene (PP) anunciou a contratação emergencial da JTP Transportes e a previsão de 120 ônibus em até 60 dias.
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Rebeca Martins



