Haddad critica privatização e chama Tarcísio de ‘especialista em contrato malfeito’

Definição de composição para o governo paulista esbarra em disputa de espaço entre Simone Tebet e Márcio França pelo Senado/ Foto: Reprodução

O ex-ministro e pré-candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), subiu o tom das críticas contra a desestatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), chancelada na gestão do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O petista questionou a modelagem do edital que culminou com a Equatorial Participações e Investimentos como acionista de referência da companhia e usou o histórico do adversário no plano federal para atacá-lo.

Haddad afirmou que o modelo de concessões estruturado por Tarcísio quando este comandava o Ministério da Infraestrutura apresentou falhas técnicas que demandaram correções posteriores pela atual administração federal.

“Praticamente todos os contratos de concessão ferroviária do Tarcísio no Ministério dos Transportes tiveram que ser refeitos”, declarou o petista. “Quase todos os contratos de concessão de ferrovia do Tarcísio como ministro tiveram que ser refeitos pelo Renan Filho, ministro atual, com o acompanhamento do Tribunal de Contas da União. Ele é especialista em assinar contrato malfeito.”

Antes de assumir o Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio comandou a pasta da Infraestrutura entre 2019 e 2022, no governo de Jair Bolsonaro (PL), aglutinando os setores de transportes, portos e aviação. Anteriormente, o atual governador paulista também exerceu o cargo de diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) entre 2011 e 2015, durante o mandato de Dilma Rousseff (PT).

Para endossar as críticas à atual operação do saneamento paulista, o pré-candidato relembrou incidentes operacionais recentes na capital, citando o vazamento de gás provocado por uma obra da companhia no bairro do Jaguaré, na zona oeste, ocorrido no mês passado.

Haddad classificou o processo de venda de ações como “mal explicado”, chamando a atenção para o esvaziamento do certame. A Equatorial assumiu o controle de 15% das ações da Sabesp em 2024 após desembolsar R$ 6,9 bilhões, figurando como a única proponente remanescente na reta final da disputa. Segundo o petista, a empresa “vem se comportando muito mal frente ao consumidor”. O pré-candidato já sinalizou que, antes de debater uma eventual reestatização, pretende auditar minuciosamente o contrato para verificar o cumprimento das cláusulas de proteção tarifária e de serviços.

Paralelamente à pauta administrativa, Fernando Haddad tratou dos nós políticos de sua chapa majoritária. Nesta quinta-feira (11), o ex-ministro reconheceu que a definição do candidato a vice-governador estourou o prazo previsto inicial, que estava programado para ocorrer entre o final de maio e o início deste mês.

A resolução do desenho da chapa foi condicionada por ele à coordenação das lideranças nacionais da federação e de partidos aliados.

“Acredito que vai ser para logo. Depende um pouquinho da agenda do presidente [Lula], também, que quer conversar com os companheiros do PSB, sobretudo. Tem mantido conversas com o João Campos também, com o Márcio [França], com a própria Simone [Tebet]. Mas eu penso que, tendo o presidente Lula, o vice-presidente [Geraldo] Alckmin na mesa, fica tudo mais fácil de resolver”, explicou.

O petista minimizou o atrito e empurrou a responsabilidade do ajuste para o colo do PSB, partido de Alckmin. Nos bastidores, a composição esbarra nas pretensões proporcionais de nomes de peso da legenda. Simone Tebet e Márcio França travam uma disputa interna pela indicação ao Senado na mesma coligação —vaga que também é pleiteada por Marina Silva (Rede). A engenharia política conduzida por Lula e Alckmin tenta demover um dos quadros do PSB da disputa ao Congresso para acomodá-lo na chapa estadual, destravando o palanque paulista.

Fhagner Soares, ContilNet

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