Nos bastidores da tradicional quadrilha junina Pega-Pega, a movimentação era intensa na noite deste domingo, 21, momentos antes da apresentação no 18º Circuito Junino, realizado no Quadrilhódromo da Arena da Floresta, em Rio Branco. Entre ajustes de figurino, maquiagem e os últimos preparativos, a personagem Gorete é Show mostrou ao público a correria que antecede o espetáculo de uma das quadrilhas mais tradicionais do Acre.
Logo na chegada à área de concentração, Gorete conversou com a quadrilheira Bruna Kessler, que resumiu o clima dos bastidores. “É correria. Já estamos atrasados, na verdade”, disse ela enquanto se preparava para entrar em cena.
A quadrilha celebra, em 2026, uma marca histórica: três décadas de existência. Quem falou sobre a trajetória do grupo foi a produtora cultural Carlinha, uma das referências do movimento junino acreano.
“Esse ano a Junina Pega-Pega completa 30 anos de existência. E fez um espetáculo chamado Ao Redor do Sol pra comemorar essas 30 voltas ao redor do sol. Tá aí todo mundo se arrumando. É muita animação, é muita alegria. É um momento também, pra gente, muito importante da cultura popular do Acre”, destacou.
Ao comentar o papel da quadrilha na formação cultural de jovens e adultos, Carlinha ressaltou o poder transformador da arte popular. “É isso mesmo. A cultura tem esse poder de fazer as pessoas se apaixonarem profundamente, se aproximarem e serem tocadas. E com as quadrilhas não é diferente. A cultura popular tem essa qualidade de fazer com que as pessoas se apaixonem, fiquem envolvidas, chorem, riam, enfim. É tudo, né? É a própria vida”, ressaltou.
Sobre o espetáculo preparado para este ano, ela explicou que a apresentação faz uma viagem pela história da própria agremiação. “Bem, em 2026, nesses 30 anos, a gente tá trazendo o sol. Ao Redor do Sol está trazendo essas voltas que o sol dá, fazendo uma rememoração dos nossos anos. E tem um momento em que a gente dança as músicas que foram tradicionais na história dessa quadrilha, músicas tradicionais de quadrilha e músicas que marcaram a nossa trajetória. É um momento que a gente considera muito importante e que representa um dos ápices da nossa apresentação”, ponderou.
Outra figura conhecida dos arraiais acreanos, o coreógrafo e dançarino Luan Chalub, também falou sobre a emoção de participar do circuito. “Rapaz, a gente espera o ano inteiro por esse momento, porque são duas festividades maravilhosas que temos na nossa capital: o carnaval e a festa junina. Então, estar aqui é uma grande emoção e, pra mim, é a melhor época do ano. Tá tudo a mil, o nervosismo lá em cima. A ansiedade também, mas vai dar tudo certo”, destacou.
Nos bastidores, os ajustes finais nos figurinos seguiam a todo vapor. O quadrilheiro Maicon, integrante da Pega-Pega há quase duas décadas, contou que a emoção continua a mesma a cada apresentação.
“19 anos. Eu tô mais tranquilo. Já teve a estreia, né, que a gente lançou na quinta-feira. Agora eu tô mais tranquilo. São 19 anos, mas todo ano é a mesma coisa. A mesma emoção. Aquele frio na barriga. Mas vai dar certo”, destacou.
Entre os figurinos que chamavam atenção estava o vestido da noiva da quadrilha. Lady Lima revelou que a produção veio de Recife e custou cerca de R$ 5 mil. Na encenação, ela interpreta justamente a noiva do tradicional casamento junino. Questionada se o casamento aconteceria, respondeu de forma bem-humorada: “Será? Não sei. Tomara. Tô torcendo pra isso”, pontuou.
Já o noivo da história, interpretado por Dilmar, falou sobre a responsabilidade de representar um dos personagens centrais do espetáculo. “A gente tá aí trazendo Ao Redor do Sol e tentamos apresentar o melhor espetáculo para o público. Sempre, toda vez, é um nervosismo e uma emoção diferente”, finalizou.
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Lucas Vitor




