Fantástico expõe bastidores da fuga de Flávio Bolsonaro e revela três registros de documentos do senador na Argentina

flávio bolsonaro
Bolsonaro e sua família chegaram aos EUA na manhã desta quarta-feira (28) (Foto: Reprodução/TV Globo)

A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos teve três registros de entrada do senador na Argentina em apenas 34 minutos. Neste domingo (1º), o “Fantástico” revelou que o nome do político apareceu no sistema de imigração do país com três documentos diferentes durante a passagem pela fronteira, mas dois dos registros foram cancelados. A reportagem também identificou a participação de um homem apontado como ex-agente da inteligência israelense na operação.

De acordo com o programa, a primeira entrada de Bolsonaro na Argentina ocorreu às 22h37, com um passaporte italiano. Três minutos depois, às 22h40, houve outro registro, desta vez com uma carteira de motorista. O terceiro foi feito às 23h11, utilizando um passaporte brasileiro. Os dois últimos acabaram cancelados, e a entrada com o documento italiano continuou válida.

Segundo o “Fantástico”, esses três registros constavam no cadastro de uma van que transportava Fernanda, esposa de Flávio, e as duas filhas do casal. Elas saíram de Brasília de avião, desembarcaram em Cascavel, no Paraná, e seguiram de van até a fronteira com a Argentina. O veículo era da empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda., que negou ter transportado o senador. A reportagem também descobriu que o endereço cadastrado pela agência na Receita Federal corresponde a um estacionamento, mas funcionários do local afirmaram que a empresa nunca funcionou ali.

Apesar dos registros na fronteira, a principal linha de investigação aponta que Flávio chegou à Argentina de avião. O senador teria deixado Brasília às 5h05 do dia 27, em um jato Cessna Citation Excel ligado ao advogado Willer Tomaz. A aeronave pousou às 8h40 em San Fernando, na região de Buenos Aires. De lá, o político teria seguido em outro voo para Puerto Iguazú, onde aguardou a chegada da família.

Bolsonaro e sua família chegaram aos EUA na manhã desta quarta-feira (28)
Bolsonaro e sua família chegaram aos EUA na manhã desta quarta-feira (28) (Foto: Reprodução/TV Globo)

O programa também identificou uma segunda van que atravessou a fronteira cerca de sete minutos antes do veículo da família. Entre os passageiros estavam o advogado Roberto Jorge Alexandre, que já atuou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, e Menachem Booky Halevy, apontado como ex-oficial do serviço de inteligência de Israel.

Após a repercussão do caso, a deputada argentina Marcela Pagano afirmou ter cobrado explicações das autoridades. “Há irregularidade na passagem pelo controle de imigração argentino, a escolta de policiais e, depois, o transporte em carros diplomáticos do Ministério das Relações Exteriores da Argentina. São esses os elementos que eu apresento pra que a Justiça cobre explicações das autoridades argentinas sobre como puderam autorizar essa operação”, declarou. Já o Secretário de Comunicação da Presidência da Argentina, Fabian Fernandez, disse que o governo não irá se manifestar.

Fuga de Bolsonaro custou R$ 815 mil

Nesta quinta-feira (29), o empresário argentino Luis Grande, dono da Baires Fly, empresa responsável pelo transporte do senador, revelou à AFP que a fuga custou US$ 150 mil (cerca de R$ 815 mil, na cotação atual do dólar). O valor teria sido transferido por um intermediário do setor de aviação, a partir de uma conta bancária estadunidense, e teria sido contratado por Jason Miller, assessor de Donald Trump.

“Fui contratado por um broker que conheço há dez anos, que vende voos e mora nos Estados Unidos”, afirmou Grande à agência. O empresário explicou que o intermediário possui nacionalidades argentina e norte-americana, e enviou o dinheiro de uma conta empresarial nos EUA para um banco argentino. Ele, porém, não revelou a identidade da pessoa e afirmou não saber quem solicitou o serviço.

Já o secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, negou que o governo tenha ajudado na saída do senador do Brasil. “Não facilitamos nada. Não tivemos nenhuma participação nos preparativos que ele fez. O governo dos Estados Unidos não teve participação direta em nenhuma das movimentações realizadas”, declarou.

Assista à matéria na íntegra:

Flávio se manifesta sobre reportagem

Antes mesmo da matéria ir ao ar, Flávio Bolsonaro se pronunciou nas redes sociais e deu sua versão do motivo para não ter concedido uma entrevista ao dominical. “Aceitei com uma condição simples: que fosse exibida na íntegra, sem cortes e sem temas proibidos. A emissora preferiu não seguir adiante. Pelo que tudo indica, o Fantástico deste domingo vai exibir uma longa reportagem a meu respeito, sem me dar o direito de resposta”, disse. Ainda, ele acrescentou sobre sua decisão de fugir, insistindo que é perseguido: “Não me arrependo de absolutamente nada do que fiz”.

Trump se manifesta sobre chegada de Bolsonaro aos EUA

Trump se pronunciou sobre a chegada de Bolsonaro ao país e voltou a questionar o resultado das eleições brasileiras, sem apresentar provas de irregularidades. “Acho que eles [os Bolsonaros] são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Ela tem recebido avaliações ruins. Veja o que aconteceu com o mercado deles”, avaliou.

“Bem, não vou comentar isso, mas sei que demos autorização para que ele entrasse no país, então vamos ver. Mas não vou me envolver”, concluiu o republicano. Mais tarde, porém, Trump optou por não comentar a carta golpista de Flávio.

Assista:

Fuga de Bolsonaro

Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28), acompanhado da mulher e das duas filhas, após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina. Na segunda, o senador foi intimado pela PF a entregar seus passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. No entanto, ele descumpriu a ordem, não entregou os documentos a tempo e teve os passaportes suspensos.

Dois dias antes da fuga, Flávio afirmou que recebeu a intimação enquanto estava na rua, após visitar o pai, Jair Bolsonaro, em Brasília. Segundo o parlamentar, a decisão foi motivada por uma declaração de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, anteriormente. Na ocasião, Eduardo defendeu que Flávio deixasse o país caso não vencesse a eleição. “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza”, declarou ele, durante entrevista a um programa norte-americano, antes da divulgação do resultado das urnas.

Flávio contestou a medida e negou que tivesse planos de sair do Brasil. “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração”, garantiu. O senador também classificou a decisão como uma tentativa de intimidação e questionou se a determinação teria sido tomada caso ele tivesse vencido a eleição.

De acordo com o jornal O Globo, o parlamentar é investigado em dois inquéritos no STF, um relacionado a suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas e outro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidades.

Assista:

Com informações do Portal Hugo Gloss

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