O “Fantástico” deste domingo (2) revelou, com exclusividade, os depoimentos do sogro e do concunhado de Mark Lessink, de 25 anos, à Polícia Civil sobre a tragédia. O turista holandês morreu após o tombamento de uma embarcação no Parque Nacional do Iguaçu, no Oeste do Paraná.
De acordo com o jornalístico, os sobreviventes afirmaram que o veículo aquático virou rapidamente depois de ser atingido por uma forte onda e relataram dificuldades para permanecer na superfície da água. Eles contaram que não receberam orientações sobre como utilizar os coletes salva-vidas, tampouco sobre os procedimentos em caso de capotamento da embarcação.
Além de dois condutores, o barco abrigava seis turistas: um casal holandês, as duas filhas, o namorado de uma delas e Mark, que era noivo da outra. Em depoimento, o concunhado da vítima comentou sobre a falta de informações. “Ao chegarmos ao barco, recebemos coletes salva-vidas que precisávamos prender na altura da cintura. Não houve nenhuma explicação sobre o uso do colete ou sobre o que fazer caso o barco virasse“, afirmou.
O sogro de Mark falou sobre a onda que atingiu a lateral do veículo pouco depois de iniciar o retorno pelo Rio Iguaçu. “Enquanto navegávamos em direção ao meio do rio, uma grande onda atingiu o barco pela esquerda. Era uma onda gigantesca. O barco virou em poucos segundos. Depois disso, acabamos todos debaixo do barco. Primeiro lutamos para sair de lá“, contou.


Após escaparem da embarcação virada, eles disseram ter enfrentado dificuldade para permanecer na superfície. Conforme os seus depoimentos, os coletes utilizados não impediram que eles afundassem no rio. “Havia uma fita que prendia na cintura, mas como não prendia por baixo, entre as pernas, o colete sempre subia“, detalhou o sogro.
De acordo com Carlos Eduardo Pezzette Loro, delegado da Polícia Civil do Paraná, os turistas tiveram problemas para flutuar devido às correntes do rio que os puxavam para baixo. “Eles tiveram extrema dificuldade de permanecer em cima da água. As correntezas levavam para baixo e o colete não era suficiente para mantê-los em cima da água“, declarou.
O concunhado também revelou que, após escaparem do barco, ele e Mark tentaram localizar os demais passageiros. “Mark e eu não ficamos presos sob o barco virado e imediatamente procuramos pelos outros. Consegui resgatar a noiva do Mark e a minha sogra. Depois disso, não vi mais o Mark“, detalhou.
Segundo a família, Mark ainda conseguiu salvar a cunhada e gritou para que socorressem sua noiva. Essa teria sido a última fala do holandês. Karen Charlotte, que viajava com a família, reforçou que eles não receberam qualquer orientação sobre como agir caso caíssem na água. “Não há uma orientação caso aconteça alguma coisa. A gente não foi orientado antes. Se você cair na água, se acontecer algo, deita de costas ou coisa assim. Nada disso“, relatou.


Os dois condutores também prestaram depoimentos, e falaram que o acidente não foi provocado apenas por uma onda. “Eles falaram que veio uma onda pela lateral que acabou levando a proa para baixo. No instante em que a embarcação iria subir, veio outra onda que acabou virando a embarcação para o lado direito. Foi tudo muito rápido e eles não conseguiram ver o que estava acontecendo com os outros“, informou o delegado.
A Marinha declarou que a embarcação, a tripulação e os coletes salva-vidas estavam em conformidade com as normas vigentes. A Polícia Civil afirmou que, até o momento, não encontrou indícios de falha dos pilotos, porém, investiga se houve deficiência nos protocolos de segurança adotados pela Macuco Safari, empresa responsável pelo passeio. As investigações ainda buscam apurar se houve responsabilidade dos gestores da operação pelo acidente.
O que diz a empresa
Ao jornalístico, a Macuco Safari disse que revisou as normas de segurança com os funcionários nesta semana e que, com base nas certificações, nada precisa ser mudado. Contrariando o que a família holandesa relatou em depoimento, a empresa afirmou que os turistas receberam orientações de segurança.
“Existe um briefing na carretinha, existe outro na trilha suspensa. Além disso, existe toda a comunicação visual através de placas, informativos em três idiomas. Antes de iniciar o passeio, existe mais um briefing de segurança em relação às questões específicas do barco“, observou Paulo Ricardo de Cordova, gerente administrativo da Macuco Safari.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, Mark foi atendido pela equipe do Parque Nacional do Iguaçu, que tentou reanimá-lo. Ele, posteriormente, foi levado para o Hospital Municipal de Foz do Iguaçu. O laudo da Polícia Científica concluiu que o jovem foi a óbito por afogamento. Mark era um dos principais jogadores de polo aquático de sua faculdade e iria se casar em setembro.
Neste domingo (2), antes do passeio ser reaberto, o holandês foi homenageado com flores no rio. Ele também recebeu uma missa em uma capela próxima ao local do acidente. A família já retornou a São Paulo, onde aguarda os trâmites para conseguir voltar à Holanda com o corpo de Mark.
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