A disputa pela administração do espólio de Chadwick Boseman ganhou novos capítulos nesta quinta-feira (24). Taylor Simone Ledward, viúva do astro de “Pantera Negra”, reagiu à tentativa dos irmãos do ator, Derrick e Kevin Boseman, de retirá-la do comando dos bens e classificou a iniciativa como uma “manobra de relações públicas” para prejudicar sua imagem. O TMZ revelou documentos que mostram que os atritos entre a família e Simone começaram poucas semanas após a morte do artista, em agosto de 2020.
Segundo o veículo, Derrick e Kevin pediram à Justiça que Simone seja substituída pelo advogado Jason Rubin na administração do espólio. Em sua resposta, ela alegou não haver motivos para seu afastamento e afirmou ter cumprido suas obrigações desde que assumiu a função. A viúva também citou repasses feitos aos pais de Chadwick, Carolyn e Leroy Boseman, ao longo dos últimos anos.
Simone ainda afirmou ter destinado cerca de US$ 300 mil (aproximadamente R$ 1,6 milhão) de seu próprio dinheiro aos filhos de Derrick, sobrinhos de Chadwick. De acordo com ela, a decisão foi tomada por saber que o marido desejava que sua família fosse amparada após sua morte.
Caso seja afastada, Simone também se opõe à indicação de Jason Rubin para substituí-la. A viúva mencionou a existência de “alegações graves” envolvendo o advogado em outros processos. Ela reconheceu não saber se as acusações são verdadeiras, mas defendeu que sejam consideradas e eventualmente investigadas antes de uma possível nomeação.


O TMZ também teve acesso a correspondências trocadas entre os representantes legais das partes desde 2020. Em uma carta de 16 de novembro daquele ano, advogados dos pais e irmãos de Chadwick solicitaram que Simone autorizasse o acesso aos prontuários médicos do ator e que celulares, computadores, iPads e outros aparelhos eletrônicos fossem copiados digitalmente para preservar eventuais informações relevantes.
A família também pediu documentos referentes às contas bancárias de Chadwick e afirmou que sua “única esperança neste caso é cumprir a verdadeira intenção de Chad e garantir que a distribuição dos bens esteja de acordo com o livre-arbítrio que Deus lhe deu”.
A resposta veio em 1º de dezembro de 2020. O advogado de Simone criticou o tom adotado pela família. “Em relação ao conteúdo e ao teor de sua carta, a natureza repentinamente equivocada e agressiva de sua correspondência é uma decepção para minha cliente e exige agora uma postura completamente diferente”, escreveu.
Segundo a defesa da viúva, Simone vinha tentando compartilhar informações com os familiares e incluí-los voluntariamente em projetos criados para preservar o legado de Chadwick. O advogado afirmou, porém, que a postura adotada pela família havia mudado a relação. “A família agora forçou uma situação que terá de seguir estritamente as regras. Pretendo proteger minha cliente das alegações infundadas e gananciosas insinuadas em sua correspondência”, declarou.


A tensão continuou nos meses seguintes. Em agosto de 2021, representantes dos irmãos voltaram a questionar Simone e explicaram que o pedido pelos registros médicos estava relacionado às circunstâncias em que Chadwick foi encontrado no quarto no dia de sua morte. Conforme a correspondência obtida pelo TMZ, os familiares também haviam defendido a realização de uma autópsia, à qual Simone teria inicialmente resistido por considerar que o corpo do marido já havia passado por sofrimento suficiente.
O documento afirma que uma autópsia foi realizada em 1º de setembro de 2020 e apresentou resultados que, na avaliação dos familiares, levantaram dúvidas sobre o tratamento médico recebido pelo ator. A carta citava especificamente a presença de hidromorfona – opioide de alta potência utilizado no tratamento de dores – no organismo de Chadwick e classificava a concentração encontrada como “extremamente preocupante”.
Os irmãos também buscavam possíveis gravações deixadas por Chadwick com orientações sobre seu patrimônio. Segundo a carta, eles acreditavam na existência de um registro em que o ator teria manifestado o desejo de que 90% dos valores residuais recebidos por seus filmes fossem divididos igualmente entre os pais e os dois irmãos.
Em setembro de 2021, a defesa de Simone voltou a reagir. “Talvez o detalhe mais revelador seja o fato de não termos ouvido nada de vocês durante nove meses e, agora, poucos dias antes do aniversário de um ano da morte do Sr. Boseman, vocês escolheram enviar esta carta perturbadora”, escreveu o advogado. Ele ainda acusou os representantes da família de não demonstrarem sensibilidade diante do período de luto vivido pela viúva.
Chadwick Boseman, conhecido por interpretar o Pantera Negra no Universo Cinematográfico Marvel, morreu em agosto de 2020, aos 43 anos, após enfrentar um câncer de cólon.
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