Documentário sobre o quarterback mais vencedor da história da NFL virou ponto de virada para o atacante inglês em fase de dúvidas na base e ajudou a redefinir sua trajetória no futebol
Duas línguas, dois esportes e um mesmo tipo de incerteza. De um lado, o “soccer” inglês, onde Harry Kane crescia cercado de instabilidade nas categorias de base. Do outro, a NFL americana, marcada por outra cultura esportiva, outra lógica de formação e outro nome para o mesmo conceito. É nesse contraste que surge a ligação improvável entre Harry Kane e Tom Brady. Enquanto o atacante inglês buscava espaço no futebol profissional e lidava com dúvidas sobre continuidade na carreira, o quarterback americano já era visto como o rosto de uma era da NFL, embora tenha chegado à liga sem grande projeção inicial e sem o status dos principais nomes da sua geração.
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Brady entrou na liga como 199ª escolha do Draft de 2000, na sexta rodada, um ponto de partida distante de qualquer projeção de estrelato. Essa trajetória é retratada no documentário “The Brady 6”, da “ESPN”, que revisita o início da carreira do quarterback até sua consolidação como um dos maiores nomes da história do esporte.
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Harry Kane marcou 2 na goleada da Inglaterra contra a Croácia / Foto: Reprodução @england

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Foi esse recorte que alcançou Harry Kane ainda adolescente. Em entrevista ao programa “The Late Late Show with James Corden” (CBS, 2021), o atacante inglês chegou a relatar ter tido contato com a história de Tom Brady por meio do documentário e explicou que se identificou com trajetórias de atletas que começaram desacreditados, em um momento em que ainda vivia incertezas no futebol de base e passagens por empréstimos.
Kane descreve esse tipo de exemplo como parte importante da forma como passou a enxergar sua própria evolução dentro do esporte. O efeito não foi imediato em campo, mas na forma de enxergar o próprio caminho. A leitura de carreira mudou: o que antes parecia limite passou a ser processo.
Anos depois, Kane se transformou no principal nome da seleção inglesa. O atacante é o maior artilheiro da história dos “Three Lions”, com 81 gols em 115 partidas, marca que segue em evolução.
Do outro lado do Atlântico, Brady encerrou a carreira com seis títulos de Super Bowl pelo New England Patriots e uma trajetória que consolidou o Gillette Stadium como um dos símbolos da NFL moderna, sendo esse o palco que volta a se cruzar com o futebol nesta terça-feira (23/6).
A seleção da Inglaterra enfrenta a Gana no estádio ligado à história do quarterback, rebatizado como “Boston Stadium” durante a Copa do Mundo, às 17h (de Brasília). Um encontro simbólico entre dois esportes, duas culturas e uma mesma ideia central: carreiras que começam no improvável podem terminar no extraordinário.




