Em meio a articulações para chefia da ONU, Lula recebe Bachelet

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1 de 1 lula-michelle-bachelet - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, nesta segunda-feira (11/5), no Palácio do Planalto, a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet. O encontro ocorreu em meio a articulações do Brasil e de países aliados em apoio à candidatura da chilena ao cargo de Secretária-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

A agenda durou cerca de 40 minutos e foi fechada à imprensa. Após a reunião, Lula reafirmou, em publicação nas redes sociais, apoio à candidatura de Bachelet.

“Recebi, nesta segunda (11), a ex-presidenta do Chile Michelle Bachelet para tratar de sua candidatura ao cargo de Secretária-Geral da ONU. Discutimos vários temas da agenda internacional e o papel que uma ONU reformada precisa ter para a promoção da paz e do desenvolvimento sustentável, bem como para o fortalecimento do multilateralismo”, disse o petista.

“Sua experiência como chefe de Estado e profunda conhecedora da ONU a credencia a ser a primeira mulher latino-americana a liderar a organização”, completou Lula.

A indicação de Michelle Bachelet é articulada pelo Brasil em parceria com o México. O nome da ex-presidente chilena, inicialmente, fazia parte de um esforço conjunto que também envolvia o Chile. O trio defendia a necessidade de uma mulher assumir o cargo que, desde a criação das Nações Unidas, é ocupado por um homem.

Após a mudança de governo no Chile, contudo, o entendimento sobre o apoio a Bachelet foi alterado. Assim que assumiu o Palácio de La Moneda, José Antonio Kast retirou o apoio do país à candidata respaldada por Lula.

Eleita presidente do Chile por duas vezes — em 2006 e em 2014 —, Michelle Bachelet também foi a primeira subsecretária-geral e diretora-executiva da ONU Mulheres (entre 2010 a 2013), e ocupou o cargo de alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2018 e 2022.


Além de Bachelet, três nomes disputam o secretariado-geral da Nações Unidas. São eles:

  • Rafael Mariano Grossi – diplomata argentino e diretor da Agência de Energia Atômica;
  • Macky Sall – presidente do Senegal; e
  • Rebeca Grynspan – economista e ex-vice-presidente da Costa Rica.

Próximo secretário-geral da ONU

O processo para mudança no secretariado-geral da ONU está em andamento, e a organização deve chegar a uma decisão nos próximos meses.

O cargo fica livre no fim de dezembro, quando o diplomata português António Guterres encerra o mandato como secretário-geral, cargo que ocupa desde 2017.

O processo de escolha do próximo secretário-geral depende da articulação entre países. A decisão parte da Assembleia Geral, que é composta pelos 193 membros da ONU — ou seja, assume aquele que tiver mais apoio entre os países.

Para essa decisão, contudo, é preciso que o candidato seja recomendado pelo Conselho de Segurança, conforme prevê a Carta da ONU.

Isso quer dizer que, antes de passar pelo crivo da Assembleia Geral, é necessário que o candidato tenha o aval daqueles que formam o Conselho de Segurança, órgão composto por 15 membros, sendo 10 rotativos e cinco permanentes — China, França, Reino Unido, Rússia e Estados Unidos.

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