

o primeiro show da Loop Tour, desde a retirada do cantor Macklemore do programa até a saída da banda e de todos os atos de abertura da turnê, Ed Sheeran se pronunciou sobre as polêmicas, pediu desculpas ao público, chamou os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 como “horríveis” e a situação na Faixa de Gaza de “injustificável”.
A fala aconteceu na Filadélfia, nos Estados Unidos, onde ele diz que, embora seja acostumado a ter sua música criticada, “nesta semana, as críticas foram sobre algo muito mais importante, e eu tive que tomar decisões difíceis”.
“Estou cometendo erros e sinto muito, muito mesmo. Não quero decepcionar meus fãs”, lamenta. “Nunca quis ser um músico ativista, mas isso me colocou no meio de um debate importante sobre liberdade de expressão e sobre a questão política mais complexa do planeta”.
Sheeran declara que seus shows sempre foram um ambiente seguro para todas as pessoas e que isso é muito importante para ele, que vai seguir com a Loop Tour sozinho.
“Durante toda a minha carreira, tentei não ser um músico político de nenhum tipo, porque quero que minha música e meus shows sejam sobre união, e não divisão”, diz, complementando que essa situação, contudo, é “uma questão humanitária, e eu não posso mais esconder o que sinto sobre isso”.
“O que aconteceu em Israel naquele festival de música em 7 de outubro foi horrível e agravou séculos de sofrimento judaico. O que está acontecendo em Gaza é catastrófico, injustificável e desproporcional”, declara. Segundo ele, nossos “corações podem se partir diante da dimensão da devastação e da perda de vidas civis, de vidas de crianças, e a injustiça sistêmica que estamos vendo acontecer na Cisjordânia não pode ser ignorada”.
Sheeran afirma estar em contato com pessoas de diferentes perspectivas para entender como “fazer uma contribuição que ajude as vítimas destes tempos terríveis”, além de ouvir e aprender.
Ao final de sua fala, ele agradeceu os fãs presentes no show por “estarem aqui para compartilhar este momento comigo”. “Este show continua sendo um lugar onde todos são bem-vindos, onde pessoas com opiniões opostas podem estar lado a lado, mesmo que não concordem em tudo. Mas todos podem concordar em cantar juntos. E estas músicas falam sobre amor, esperança e união”, finalizou.
Relembre o que aconteceu
Macklemore abriu os shows de Ed Sheeran realizados nos dias 4 e 5 de setembro, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Durante as apresentações, o rapper gritou “Palestina Livre”, exibiu imagens da destruição em Gaza e cantou Hind’s Hall, música de protesto lançada por ele em 2024.
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Depois da repercussão, a Messina Touring Group, responsável pela etapa norte-americana da turnê, informou que diferentes estádios não aceitariam receber os shows caso Macklemore continuasse na programação. Segundo a promotora, manter o rapper poderia provocar o cancelamento das apresentações e afetar centenas de milhares de fãs.
Macklemore, que estava escalado para oito das dez datas restantes nos Estados Unidos, afirmou que o bilionário Robert Kraft, proprietário do Gillette Stadium, teria mobilizado outros responsáveis pelos locais da turnê para impedir sua participação.
Em uma longa declaração, o rapper contou que ele e Ed tiveram “conversas difíceis” sobre o caso. Embora tenha definido o cantor como um irmão e dito que deseja preservar a amizade dos dois, Macklemore afirmou que eles chegaram a uma “discordância fundamental” sobre a possibilidade de permanecer neutro diante do conflito.
“Eu não precisava de dez shows do Ed. Precisava de dois”, escreveu, referindo-se às apresentações em que defendeu os palestinos. “Se essas palavras me custaram o palco, ao mesmo tempo que redirecionaram a conversa para a Palestina, então foi a turnê de maior sucesso que já fiz.”
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Após ser criticado pela saída do rapper, Ed afirmou que a decisão partiu das casas de shows e da promotora e não dele. O britânico disse que tentou encontrar uma solução durante a última semana, mas não conseguiu impedir a mudança no lineup.
Ed também explicou que evita usar sua plataforma profissional para abordar política porque seu público inclui muitas crianças e pessoas de diferentes origens. “Respeito a determinação de Macklemore de se posicionar e defender aquilo em que acredita. No entanto, há espaço para diferentes abordagens em busca do mesmo objetivo: a paz”, declarou.
O cantor afirmou que prefere transformar seus shows em ambientes de “segurança e acolhimento”, mantendo abertas as conversas. “O fato de eu escolher não falar publicamente não significa que não tenha opiniões, nem que não me importe”, completou.
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Em 15 de setembro, Finneas anunciou que não abrirá mais os shows da etapa latino-americana da turnê, incluindo as apresentações marcadas para dezembro no Brasil.
Com a saída do irmão de Billie Eilish, todos os artistas anunciados para abrir os próximos shows de Ed abandonaram a turnê. Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga já haviam comunicado na segunda-feira (14) que não participariam mais das apresentações.
“Artistas não devem ser silenciados quando falam pelos oprimidos. Decidi sair das minhas próximas datas com Ed Sheeran. Estou com a Palestina e seu povo”, escreveu Finneas nas redes sociais. O músico tinha seis shows marcados com a turnê na América Latina, incluindo a passagem pelo Nubank Parque, em São Paulo, nos dias 5 e 6 de dezembro.
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