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Discord voltou para o centro do debate sobre violência contra crianças e adolescentes no ambiente digital nas últimas semanas. Na sexta-feira (7), a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) abriu um processo de fiscalização para apurar possíveis falhas da plataforma na prevenção e no combate a conteúdos relacionados à automutilação e ao suicídio.
Está por fora do que está acontecendo? Te explicamos o contexto da investigação e os principais pontos desta discussão que tem tudo a ver com a segurança da nossa galera.
Para começar, vale esclarecer que o Discord é uma plataforma online para interagir em diferentes comunidades, em especial de jogos. Acontece que, em alguns casos, por ela permitir a criação de servidores privados associado a ausência de algumas ferramentas de segurança, ela é usada
para compartilhar conteúdos inapropriados, discurso de ódio, envio de mensagens ofensivas, abuso e assédio, perseguição online e até mesmo tentativas de extorsão.
Um caso que aconteceu em Naviraí, no Mato Grosso do Sul, em junho, chamou atenção das autoridades. Uma jovem de 13 anos teria sido coagida por outros usuários a se suicidar durante uma transmissão ao vivo na plataforma. A morte da garota, no entanto, está longe de ser um caso isolado.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou, neste mês, a Operação Lívia contra uma organização criminosa suspeita de aliciar crianças e adolescentes pela internet para submetê-los a violência psicológica, desafios extremos e automutilação. Em casos estrexos, os criminosos induzem os jovens ao suicídio.
Durante uma cerimônia no Palácio do Planalto, na última semana, a primeira-dama Janja da Silva falou sobre o caso mais recente e defendeu que o Discord deveria ser retirado “imediatamente” do ar no Brasil. “Não posso aceitar ver uma menina de 13 anos se mutilar ao vivo na internet, no Discord, se enforcar e morrer. Não consigo admitir um país desse”, lamentou.
Como noticiou a Folha de S.Paulo, o advogado-geral da União, Jorge Messias, pediu ao Ministério da Justiça que encaminhe todas as informações sobre o caso e sobre o Discord para que seja preparada uma ação civil pública contra a plataforma. Em resposta, o Discord afirmou ao jornal que, antes da morte da adolescente em junho, identificou e desativou um servidor privado em que integrantes teriam incentivado a automutilação da jovem.
A plataforma também disse, em nota à Folha, “que não tolera grupos ou indivíduos que promovam ou incentivem a violência e acrescenta que tem colaborado com as autoridades na investigação do caso”.
Agora, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) está apurando se o Discord está descumprindo deveres previstos no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), em vigor desde março de 2026. A empresa tem cinco dias úteis para apresentar informações sobre mecanismos existentes para prevenir e combater violações graves contra crianças e adolescentes. Caso sejam constatadas irregularidades, a ANPD poderá determinar medidas corretivas e aplicar sanções previstas na lei, que incluem multa de até R$ 50 milhões por infração.




