Diretor conta bastidores de ‘As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você’

Any Gabrielly e Giulia Be em 'As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você' (Amanda Aguiar/Divulgação)


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ez cartas, uma amizade de infância e muitos medos para encarar. Em As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você, Gabi, interpretada por Any Gabrielly, recebe desafios deixados por Julia (Giulia Be), sua melhor amiga, que morre após um acidente de carro. As missões convidam a adolescente a experimentar coisas novas enquanto tenta lidar com a perda.

A adaptação do livro de Fernanda Castro e Silva, que chegou aos cinemas em 29 de outubro, tem direção de Diego Freitas. Em entrevista à CAPRICHO, ele contou como procurou falar sobre o luto para o público jovem e revelou escolhas que vão dos cenários ao jeito de mostrar um flerte por mensagem.

Para o cineasta, a história precisava abrir espaço para a dor e para a possibilidade de seguir vivendo. “Ele não é um filme pesado: é um filme que fala de um assunto pesado. Acho que a gente conseguiu trazer de uma maneira leve e responsável, mas mantendo a emoção”, afirmou.

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O luto na adolescência, sem infantilizar a conversa

Freitas ainda não conhecia o livro quando recebeu o convite da Paris Filmes para avaliar uma adaptação. A leitura chamou sua atenção justamente pela oportunidade de discutir a finitude entre personagens jovens. “Eu fui ler o livro e ele me atravessou, porque é falar sobre luto num mundo jovem. Eu acho que era importante falar”, contou.

Ao desenvolver o longa, ele levou em consideração a idade das protagonistas e as transformações que atravessam esse período. “O final da adolescência é uma fase muito turbulenta. A gente está com o corpo mudando, os hormônios explodindo, você está virando quase adulto. Então, tem uma responsabilidade muito grande: como a gente vai tratar esse assunto de uma maneira responsável?”

O diretor explicou que queria conversar com esse público sem infantilizar a abordagem. Por isso, a trama inclui cenas fortes e discussões sobre saúde mental, ao mesmo tempo que acompanha as descobertas de Gabi a partir das cartas.

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A cena favorita veio de fora do livro

Ao ser questionado sobre sua cena favorita de dirigir, Freitas escolheu uma ideia desenvolvida para a adaptação: o chamado “vácuo”, um espaço escuro em que Gabi aparece durante seu processo de luto.

“É uma coisa que não existe no livro. Era, de alguma maneira, tentar mostrar visualmente o fundo do poço, literalmente: um lugar escuro em que ela está, dentro dela mesma”, explicou. O recurso também se conecta à importância de receber ajuda, um dos pontos que ele destacou na conversa.

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“A gente precisa dessas pessoas na nossa vida, né? Às vezes, quer resolver tudo sozinho, e não consegue resolver tudo sozinho. E está tudo bem”, afirmou. Segundo o diretor, a proposta foi defendida por ele e aceita pela Paris. “Gostei muito de fazer porque era uma ideia não óbvia para esse projeto.”

Um casal gay com história para contar

Entre as pessoas que cruzam o caminho da protagonista está um casal gay que vive junto há 25 anos e se prepara para comemorar bodas. Freitas contou que queria incluir personagens idosos LGBTQIA+ e mostrar a rotina de uma relação duradoura, com espaço até para as pequenas discussões domésticas.

“Eu queria fazer um filme que tivesse um casal idoso gay, porque não vejo isso nos filmes”, explicou. O cotidiano também fazia parte dessa intenção: “Um briga com o outro porque não comprou o sabão em pó. Acho isso importante.”

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A casa dos personagens foi pensada para acompanhar essa história em comum: tem muitos objetos, gato, papagaio e cachorro. “A casa é muito barroca, cheia de elementos, porque eles são acumuladores, deu para perceber”, brincou.

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Um namoro virtual… presencial

Quem está acostumado a ver conversas de celular representadas por balõezinhos de texto vai encontrar outra proposta em algumas cenas do longa. Enquanto Gabi troca mensagens com seu interesse amoroso, o rapaz aparece fisicamente na sequência, dando forma à interação que acontece pelo telefone.

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A escolha nasceu de uma vontade bem direta do diretor: “Eu não aguentava mais pop-up, que são as mensagens”. Ele contou que o recurso tradicional ainda aparece brevemente em dois momentos, mas que a equipe buscou outra maneira de encenar essas conversas.

“A gente quis fazer um namoro virtual presencial”, resumiu. O resultado permite trabalhar a expectativa e a imaginação de Gabi durante o flerte sem precisar acompanhar cada mensagem escrita na tela.

Na Paulista, a plateia apareceu antes da estreia

Nem sempre a cena mais difícil de gravar é aquela que parece mais complexa para quem está assistindo. No caso de As Dez Vantagens, Freitas apontou a sequência em que Gabi aparece com um cartaz na Avenida Paulista, em São Paulo.

A gravação aconteceu em um domingo, com a avenida movimentada. A produção tinha seus próprios figurantes, mas também precisou lidar com a curiosidade de quem passava por ali. “No final da diária, tinha umas duas mil pessoas querendo aparecer”, estimou o diretor. “A Paulista é um lugar público, aberto, e a gente fazendo um filme, né? É uma coisa mais de produção.”

O longa foi realizado enquanto ele ainda trabalhava na montagem de Caramelo. Segundo o cineasta, em cerca de seis meses a equipe já tinha um filme feito. Ao comentar o resultado, ele disse que também se surpreendeu com o que conseguiu realizar com o elenco.

“Amei fazer, amo assistir. Quero muito ver a opinião das pessoas, a reação delas”, contou. “Acho que ele é melhor do que eu imaginei que ia ser. Então, fiquei muito feliz.”

As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você está em cartaz nos cinemas. 

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Com informações da Capricho

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