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Justiça dos Estados Unidos decidiu nesta segunda-feira (27) que o cantor d4vd deverá ser levado a julgamento pela morte de Celeste Rivas Hernandez, adolescente de 14 anos cujo corpo foi encontrado no carro dele em setembro de 2025.
A decisão foi tomada pela juíza Charlaine Olmedo, do Tribunal Superior de Los Angeles, depois de uma audiência preliminar que durou cinco dias e contou com o depoimento de 12 testemunhas. Nesta fase, a magistrada não precisava decidir se d4vd é culpado, mas analisar se existem indícios suficientes para que o caso seja avaliado por um júri.
O músico de 21 anos, cujo nome verdadeiro é David Anthony Burke, responde às acusações de homicídio em primeiro grau, abuso sexual contínuo de uma criança menor de 14 anos e mutilação ilegal de restos mortais. Ele se declarou inocente de todas as acusações e continuará preso sem direito à fiança enquanto aguarda os próximos passos do processo.
O que as novas provas indicam?
Durante a audiência, os promotores reconstruíram o que consideram serem as últimas horas de vida de Celeste. Segundo a acusação, d4vd enviou um carro de aplicativo para buscar a adolescente na manhã de 23 de abril de 2025. Ela teria avisado por mensagem que estava chegando à casa do cantor, em Hollywood Hills, e seu celular deixou de apresentar qualquer atividade pouco depois.
Na noite anterior, os dois haviam discutido por mensagens sobre o envolvimento do músico com outra mulher. De acordo com a promotoria, Celeste ameaçou revelar informações sobre o relacionamento entre eles e prejudicar a carreira do artista. Os investigadores alegam que ela foi atacada após entrar na residência.
A defesa, porém, destacou que nenhuma testemunha ou câmera registrou a adolescente entrando na casa e argumentou que as mensagens não demonstravam uma intenção de matá-la. Os advogados também afirmaram que foi Celeste quem insistiu diversas vezes para encontrar d4vd nos dias anteriores. O músico nega ter provocado a morte da jovem.
Vestígios de DNA foram encontrados na garagem
Peritos do Departamento de Polícia de Los Angeles relataram que amostras coletadas em diferentes pontos da garagem da casa apresentaram correspondência com o DNA de Celeste. Os vestígios estavam em objetos como um equipamento de remo, um tapete de borracha, uma lona e panos de limpeza encontrados dentro de uma sacola.
O DNA da adolescente também teria sido identificado em um compartimento traseiro do Tesla de d4vd, separado do local onde o corpo foi encontrado. Fragmentos de plástico azul recuperados junto aos restos mortais ainda foram associados a uma piscina inflável localizada na garagem. Para a promotoria, o objeto teria sido utilizado durante a mutilação do corpo.
Os advogados do cantor questionaram a interpretação dos exames e lembraram que o DNA pode ser transferido de uma superfície para outra. A defesa também ressaltou que as serras encontradas na residência não apresentaram resultado positivo para sangue.
Compras e dados de localização também foram investigados
A acusação apresentou registros de compras feitas depois do desaparecimento de Celeste. Segundo um detetive, d4vd teria adquirido três motosserras, uma pá, sacolas resistentes e materiais de limpeza. Parte dos pedidos teria sido realizada com um nome diferente, e uma das motosserras nunca foi localizada pelas autoridades.
Dados do celular do cantor e do Tesla também indicariam que os dois dispositivos viajaram juntos até uma região isolada do condado de Santa Barbara em três ocasiões. Meses depois, um cartão de passaporte de Celeste foi encontrado próximo a uma rodovia da região.
Os investigadores também afirmaram que o telefone de d4vd se desconectou do carro em 29 de julho de 2025, pouco antes de uma câmera de segurança registrar o cantor caminhando em direção à casa. O veículo teria permanecido estacionado no mesmo local até ser apreendido em setembro.
Mensagens abordavam gravidez e aborto
Outro ponto apresentado durante a audiência foram mensagens trocadas entre o cantor e Celeste no começo de 2024. As conversas indicariam que a adolescente engravidou e realizou um aborto quando tinha 13 anos.
A promotoria sustenta que d4vd começou a abusar sexualmente de Celeste quando ela tinha 13 anos e ele, 18. Fotografias e anos de mensagens entre os dois foram utilizados para fundamentar a acusação de abuso sexual contínuo.
Testemunhas ligadas à carreira financeira do artista também foram chamadas ao tribunal. A acusação tenta demonstrar que d4vd teria agido para impedir que o relacionamento viesse a público e colocasse em risco os milhões de dólares que sua carreira musical estava movimentando. A defesa afirma que não há provas de que essa preocupação tenha levado o cantor a cometer o crime.
O que acontece agora?
D4vd deverá voltar ao tribunal em 31 de agosto para uma nova leitura formal das acusações após a audiência preliminar. A data do julgamento ainda será definida.
Caso seja condenado por todas as acusações, ele poderá receber prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional ou até a pena de morte. A Promotoria do Condado de Los Angeles ainda não informou se buscará a punição máxima.
Celeste foi vista com vida pela última vez em 23 de abril de 2025. Seus restos mortais foram encontrados em 8 de setembro daquele ano, divididos entre duas sacolas no compartimento dianteiro de um Tesla registrado no nome do cantor. D4vd foi preso em 16 de abril de 2026 e formalmente acusado quatro dias depois. Desde então, ele permanece detido e continua afirmando que é inocente.




