Como Emily em Paris desafia as regras da moda, segundo sua figurinista

Lily Collins em 'Emily em Paris' (Netflix/Divulgação)


A

moda em Emily em Paris repercutiu entre o público desde que a série foi lançada, em 2020, com os looks nada básicos de Emily Cooper, a protagonista interpretada por Lily Collins. Agora, caminhando para sua sexta e última temporada, que sai em 24 de dezembro na Netflix, a produção mira um legado que envolve a defesa da expressão criativa por meio das roupas.

Em entrevista à CAPRICHO, a figurinista da série, Marylin Fitoussi, que esteve no Brasil para o evento Iguatemi Talks Fashion, em São Paulo, relembrou como foi construir as combinações extravagantes que dividiram opiniões, falou sobre a parceria com Lily Collins e adiantou o que podemos esperar dos figurinos dos próximos episódios. Ela também refletiu a respeito da relação entre moda e identidade e explicou que, para ela, nem todo mundo precisa gostar do que vê; o que importa é provocar algum sentimento.

CAPRICHO entrevista Marylin Fitoussi, figurinista da série Emily em Paris

CH: O figurino da série dividiu opiniões desde o primeiro dia. Causar essa repercussão foi intencional?

Marylin: Foi um pouco. Mas também traduz como eu sou. Desde os cinco anos, tenho um amor profundo por texturas, cores e estampas. Então, Emily em Paris é um pouco como eu. Antes da primeira temporada, eu estava morando no México, e voltar a Paris depois de tantos anos foi como ser uma estrangeira. Eu queria fazer uma Emily que tinha um estilo diferente e eclético e trazer esse choque cultural entre ela e Sylvie [Grateau, vivida por Philippine Leroy-Beaulieu], que é a fantasia da mulher francesa ideal.

Então, foi muito divertido. E eu quero que as pessoas se sintam felizes e infelizes [com o resultado], porque isso significa que estou fazendo elas se perguntarem por que gostaram ou não [do figurino]. Para mim, perfeição é muito chato. Eu quero que as pessoas vejam a moda de um jeito diferente.

Mas, em Paris, foi um grande escândalo. As pessoas queriam me expulsar da França, eu fui a vergonha da França [risos]. É sempre bom ter esse tipo de discussão em volta de você.

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CH: Como foi construir o estilo maximalista da Emily ao longo das temporadas?

Marylin: Essa personagem cresce durante as temporadas, e a gente queria mostrar a evolução dela. Eu sou uma figurinista, então tenho que contar uma história e evoluir com a personagem. Ela não pode ser a mesma garota inocente em seis temporadas, isso não seria realista. Mas eu acho que a gente foi bem-sucedido em entregar exatamente o que queríamos, que era uma Emily Cooper que apresenta uma visão e uma interpretação do mundo parisiense. O estilo é ambicioso, e eu queria manter esse toque de ‘mau gosto’, porque é como cozinhar, você tem que ter um tempero para deixar tudo mais delicioso.

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CH: A Lily Collins participou desse processo? Como foi a troca com ela?

Marylin: Uma parte muito importante do meu trabalho é ter um diálogo constante com os atores, porque vocês estão construindo um personagem juntos. Lily apoiou muito o meu trabalho desde o primeiro dia e também lutou pelas nossas ideias, mesmo que elas fossem malucas ou exageradas. Ela foi minha parceira de moda destemida e muito profissional. Ela nunca se intimidou e dizia: “Vamos lá, vamos experimentar”. E, depois do escândalo da primeira temporada, a gente conversou e eu disse: “Lily, eu posso te deixar como a Sylvie. É muito fácil, eu conheço as regras”. Ela respondeu: “Marylin, a gente não pode agradar todo mundo.” E foi pela ousadia dela que a gente manteve a mesma estética e fomos ainda mais fundo. A série é bem-sucedida por causa dela.

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“A série tem uma mensagem sobre se libertar de qualquer tipo de regras de moda”

Marylin Fitoussi, figurinista da ‘Emily em Paris’

CH: O que a gente pode esperar do figurino da sexta temporada?

Marylin: Vocês podem esperar outros tipos de silhuetas. A gente toma alguns riscos e temos peças vintage muito lindas. Além disso, homenageamos o cinema dos anos 1960, que eu amo muito. Nós temos surpresas para vocês.

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CH: Se você fosse fazer uma temporada ou episódio de Emily no Brasil, como seria?

Marylin: Eu tentaria investigar [a moda brasileira] para trazer uma visão nova, para não ficar caricato, para não ficar Carmem Miranda ou o clichê que já conhecemos. Eu tentaria mostrar a nova geração [de designers], mas também prestar uma homenagem, porque o Brasil tem tradição em tecidos, no setor têxtil, na tecelagem… E para mostrar a riqueza da cultura brasileira, porque é uma nação muito linda.

CH: Qual é o legado que a série deixa para a criatividade e expressão na moda?

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Marylin: Existe uma mensagem sobre se libertar de qualquer tipo de regras de moda. Se você se considera maximalista, seja livre, use glitter às 10 horas da manhã. Cadê a polícia da moda? Existem três palavras muito odiadas na França: audacioso, espalhafatoso e ultrajante. Ninguém em Paris quer estar vestido de forma exagerada, eles gostam do ‘quiet luxury’ com uma camiseta branca tediosa e a busca por uma jaqueta azul-marinho perfeita, pelo jeans perfeito. Isso é muito chato.

Essa série é um tributo à individualidade, à originalidade e à personalidade. Se você não está se vestindo como todo o resto, você não está pensando como todo o resto, e eu sou atraída por esse tipo de pessoa que estão usando roupas inesperadas. Eu encontro beleza em muitas coisas. Pode ser feio para você, mas pode ser ‘feiosamente bonito’ para mim. Então, eu espero que as pessoas vejam a moda de um jeito diferente.

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Com informações da Capricho

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