Chefão do UB anda insatisfeito com o Palácio e Gladson é um incógnita

Fotos: Iago Nascimento

O programa Boa Conversa, desta sexta-feira (3), comandado pelos jornalistas Marcos Venicios, Astério Moreira e Luiz Carlos Moreira Jorge, o Crica, analisou os principais fatos políticos da semana no Acre. Entre os temas debatidos, ganhou destaque o anúncio do apoio do prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, à pré-candidatura do senador Alan Rick ao Governo do Estado.

Fotos: Iago Nascimento

Para Crica, a decisão de Zequinha foi o fato político mais relevante da semana e já era esperada diante dos sinais emitidos pelo prefeito nos últimos meses.“Foi o fato mais importante da semana. O Zequinha Lima é o prefeito de Cruzeiro do Sul, o segundo município politicamente mais importante do Estado. Ele já vinha dando sinais de que deixaria o apoio à Mailza. Começou reclamando que ela estava nomeando pessoas ligadas a adversários políticos dele e dizia que seu grupo não estava sendo prestigiado. Na verdade, acho que o Zequinha não queria permanecer ao lado do grupo do Vagner. Ao entrar no grupo do Alan, automaticamente impediu que a Jéssica fosse vice na chapa”, afirmou.

Durante o programa, Crica também avaliou o cenário do governo estadual e afirmou que a governadora Mailza Assis precisa assumir maior protagonismo na condução da gestão.“Se o Gladson estivesse no comando, não estaria esse espatifado todo. Converso com deputados, senadores e outras lideranças políticas, e a reclamação da base é sempre a mesma: não têm com quem conversar e quem conversa não resolve nada. A gestão ainda não assumiu de fato. Se o Gladson estivesse lá, talvez o Alan não tivesse disparado na liderança das pesquisas”, declarou.

Os jornalistas Luiz Carlos Moreira Jorge, o Crica, e Marcos Venicios comentaram a saída de Jhonatan Donadoni da chefia da Casa Civil e as críticas de parlamentares da base governista ao suposto apoio do governo à candidatura de Fábio Rueda.

Fotos: Iago Nascimento

Ao analisar o cenário político, Crica afirmou que o apoio do governo à candidatura de Rueda ocorreu de forma explícita, mas destacou que parlamentares que criticam a postura do Executivo também mantêm indicações e espaços dentro da administração estadual.

“Você pode fazer uma articulação mais discreta, agora, ostensiva, aberta, como foi a manifestação do governo. Mas esses deputados todos têm esquema dentro do governo. Todos têm. Têm cargos de confiança em favor das suas candidaturas”, declarou.

Na sequência, o jornalista Marcos Venicios afirmou que a situação revela uma contradição, lembrando que, nas eleições de 2022, a então candidata à Câmara Federal, Socorro Nery, também contou com apoio da estrutura governamental sem que houvesse contestação por parte dos atuais críticos.“Quem teve mais estrutura na eleição passada para deputada federal? Ela, dentro do governo. E ninguém chorou. Eu só acho que existe uma hipocrisia absurda nisso”, afirmou Venicios.

Os analistas políticos do programa Boa Conversa afirmaram que a direção do Progressistas (PP) não tem legitimidade para cobrar fidelidade dos prefeitos que decidiram declarar apoio à pré-candidatura do senador Alan Rick ao governo do Acre.

Fotos: Iago Nascimento

Durante o debate, os comentaristas avaliaram que a mudança de posicionamento do governador Gladson Cameli em eleições anteriores abriu espaço para que lideranças municipais também façam suas próprias escolhas políticas.

“Hoje não tem como cobrar uma posição de fidelidade de nenhum prefeito que decida apoiar Bocalom, Alan ou qualquer outro candidato. No momento em que o Gladson deixou de apoiar o Bocalom, que era do PP, para apoiar a Socorro, ele abriu a porta. Ninguém tem mais moral para cobrar isso”, afirmaram os analistas durante o programa.

No decorrer do programa, os analistas comentaram os desafios políticos enfrentados pela governadora Mailza Assis na construção de sua pré-candidatura ao Governo do Acre.

Ao analisar o cenário interno da base governista, Astério afirmou que Mailza ainda não possui maioria dentro da federação formada por Progressistas (PP) e União Brasil (UB).“A governadora Mailza não tem maioria. Surgiu a ideia, dentro dos partidos, de que, se a crise continuar se acentuando como vem acontecendo, esse cenário pode mudar”, afirmou.

Na sequência, Crica revelou que, segundo ele, integrantes do próprio governo defendem que Mailza não dispute o Palácio Rio Branco nas eleições de 2026.“Você vê um secretário da Mailza defendendo que ela não seja candidata. Então, é só isso. É uma situação complicada”, declarou.

Fotos: Iago Nascimento

O jornalista também avaliou que a governadora precisa assumir pessoalmente a articulação política e intensificar o diálogo com aliados.“Ela tem que chamar para si a articulação política. Sentar à mesa, conversar com cada deputado estadual, com cada deputado federal, com o MDB. Ela precisa trazer isso para si. Se está tendo um problema em Assis Brasil com a pré-candidatura dela, liga agora para o prefeito e marca um encontro”, defendeu Crica.

Luiz Carlos também afirmou que, na avaliação dele, o prefeito Tião Bocalom não tem interesse em disputar as eleições como vice na chapa da governadora Mailza Assis.“Filhão, eu não deixei a Prefeitura para ser vice de ninguém. Agora, com toda essa confusão no governo da Mailza, se ela desistir e quiser vir me apoiar, aí é outra conversa”, disse Crica, ao interpretar o cenário político envolvendo uma eventual candidatura de Bocalom ao governo

Crica revelou ainda uma informação atribuída ao senador Márcio Bittar sobre uma possível mudança no comando do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), caso o senador Flávio Bolsonaro vença a disputa presidencial.“O Márcio disse que, se o Flávio Bolsonaro ganhar, a Sula Cumenes vai para o DNIT”, ressaltou.

Saimo Martins

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