Censo mostra avanço da diversidade indígena no Acre e preservação das línguas entre os jovens

FOTO - SÉRGIO VALE

Os dados do Censo Demográfico 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (18) revelam que o Acre ampliou sua diversidade indígena nos últimos 12 anos e permanece entre os estados brasileiros onde as línguas originárias seguem mais presentes entre as novas gerações.

Segundo o levantamento, o número de etnias indígenas declaradas no estado passou de 57 em 2010 para 80 em 2022, um crescimento de 40,3%. O avanço acompanha uma tendência observada em várias regiões do país e reflete tanto o fortalecimento da autodeclaração quanto a maior identificação de povos indígenas pelo Censo.

Dentro das Terras Indígenas, o Acre registrou 21 etnias declaradas em 2022, ante 20 em 2010. O dado demonstra a manutenção de uma expressiva diversidade étnica nas áreas oficialmente reconhecidas.

O levantamento também confirma a relevância do Acre para alguns dos principais povos indígenas do Brasil. A etnia Kaxinawá (Huni Kuĩ), por exemplo, possui sua maior concentração populacional no estado. Dos 14.412 indígenas que se declararam Kaxinawá no país, 13.929 vivem em território acreano, o equivalente a quase 97% do total nacional.

Os municípios acreanos com maior população indígena Kaxinawá são Jordão, com 3.980 pessoas, Santa Rosa do Purus, com 2.938, Tarauacá, com 2.045, Feijó, com 2.400, e Rio Branco, com 782 indígenas da etnia.

Outro povo com presença registrada no Acre é o Apurinã. Embora Amazonas e Rondônia concentrem a maior parte dessa população, o estado possui 423 indígenas Apurinã distribuídos por diversos municípios.

Além da diversidade étnica, o Censo evidencia a riqueza linguística existente no Acre. Em 2022, o estado registrou 41 línguas indígenas faladas por pessoas indígenas com cinco anos ou mais de idade. Em 2010, eram apenas dez idiomas identificados, o que representa uma ampliação expressiva da diversidade linguística registrada pelo IBGE.

O dado mais significativo, porém, está relacionado à transmissão dessas línguas para as novas gerações. O Acre aparece entre os poucos estados brasileiros onde mais da metade da população indígena jovem ainda fala ou utiliza uma língua indígena. Entre os indígenas de 2 a 19 anos, 55,18% declararam utilizar línguas originárias, percentual superado apenas por Roraima (55,71%) e acompanhado por estados como Maranhão, Mato Grosso, Tocantins e Pará.

A pesquisa também mostra que a idade mediana dos indígenas acreanos que falam ou utilizam línguas indígenas é de 17 anos, enquanto a idade mediana da população indígena total do estado é de 18 anos. Os números indicam que o uso das línguas tradicionais permanece presente entre os mais jovens, reforçando a continuidade da transmissão cultural dentro das comunidades.

Whidy Melo

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
X
Print

Siga nossas Redes Sociais