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É
só uma nova Carrie, a Estranha chegar para a pergunta voltar: o que essa versão tem a acrescentar? A adolescente criada por Stephen King já passou pelo cinema, pela televisão e, agora, por uma série de oito episódios do Prime Video, criada por Mike Flanagan.
Entre releituras, uma continuação e o clássico que apresentou a personagem às telas, reunimos as cinco produções da franquia para cinema e televisão em um ranking da pior à melhor. Tem baile que continua imbatível, uma protagonista gótica que merece mais atenção e uma Carrie que, em certos momentos, parece ter entrado em outra história.
Ah, e antes que você pergunte: todas as versões de Carrie citadas estão disponíveis no Prime Video.
Outra coisa: o texto contém spoilers das produções.
5. Carrie, a Estranha — série (2026)
Levar Carrie para o presente abre espaço para discutir ensino domiciliar, violência nas escolas, bullying nas redes sociais e o controle dos adultos sobre adolescentes. São caminhos interessantes, especialmente nas mãos do criador de A Maldição da Residência Hill, Missa da Meia-Noite e Doutor Sono. O problema é que a série apresenta muitas dessas questões sem desenvolver um ponto de vista particular.
É curioso que uma das adaptações mais livres do livro também pareça tão contida. Flanagan parece confiar demais na força do material de King e pouco em uma visão própria capaz de reorganizá-lo.
Essa distância aparece principalmente no baile. A raiva deveria explodir a partir de Carrie, mas Emaline assumir o controle de seu corpo desloca a sequência. Essa personagem funciona mais como um instrumento para explicar a mitologia do que como uma personagem desenvolvida. Carrie perde autonomia até no processo de descobrir os próprios poderes.
E o grupo de mulheres com habilidades sobrenaturais leva a trama para um território que lembra X-Men. Somado às intrigas escolares, o resultado às vezes parece Meninas Malvadas com telecinese. Tudo, menos Carrie, a Estranha.
A Carrie de Summer H. Howell é tão positiva que chega perto de uma Poliana fazendo o jogo do contente. Seu jeito de confrontar a mãe também se afasta da personagem acuada que conhecemos. Samantha Sloyan é ótima, mas o roteiro suaviza Margaret: faltam a rigidez e o fanatismo que tornam essa relação tão sufocante.
Como entretenimento, a série funciona. O elenco é bom, e até personagens mais clichês ganham desenvolvimento suficiente para manter o interesse. A última posição vem da descaracterização. A série tem ideias e prende a atenção, mas não faz essas mudanças renderem uma versão igualmente forte.
4. Carrie, a Estranha (2002)
Protagonizado por Angela Bettis, dirigido por David Carson e escrito por Bryan Fuller, que depois criaria Hannibal, o telefilme de 2002 revisita a história da adolescente perseguida pelos colegas e reprimida pela mãe.
Mesmo com uma nova intérprete no centro da trama, essa versão não encontra muito charme. Falta envolvimento, falta personalidade e a experiência acaba sendo arrastada. É aquele caso em que reconhecer os acontecimentos da história não basta para ter vontade de acompanhá-los de novo. Entre as produções da lista, é mais fácil de pular.
3. Carrie, a Estranha (2013)
O remake de Kimberly Peirce, com Chloë Grace Moretz e Julianne Moore, é muito refém da estética de sua época. Na hora de transformar os poderes de Carrie em espetáculo, a direção chega perto de um filme dos Vingadores. Se isso é um elogio ou não, fica a seu critério.
Há escolhas visuais que funcionam, especialmente o uso do vermelho. Mas a construção da protagonista não convence tanto. Moretz é apresentada de maneira tão próxima das outras garotas que o filme tem dificuldade para fazer o deslocamento de Carrie aparecer em seu comportamento.
2. A Maldição de Carrie (1999)
Justiça para a Carrie gótica! Dirigida por Katt Shea, a continuação do filme de 1976 acompanha Rachel Lang, interpretada por Emily Bergl, meia-irmã de Carrie que também tem poderes telecinéticos. E, sim, esse filme merece uma chance.
Rachel tem uma identidade própria, o romance com Jesse, vivido por Jason London, tem química e as sequências em preto e branco dão personalidade à direção. Até o cachorro da protagonista conquista espaço nessa torcida. Ele é um fofo.
A trama também continua atual ao mostrar a masculinidade tóxica de um grupo de atletas que trata garotas como troféus. A morte da melhor amiga de Rachel por suicídio atravessa a história e expõe a violência desse ambiente, dando peso ao que poderia ser apenas mais um terror adolescente.
O que atrapalha é a insistência em voltar ao original. Os flashbacks interrompem uma história que consegue se sustentar sozinha, enquanto a mãe de Rachel e o retorno de Sue Snell, novamente interpretada por Amy Irving, funcionam como pontes pouco interessantes com o filme anterior.
A sensação é que A Maldição de Carrie poderia funcionar melhor como uma história independente inspirada no universo de King. Sua parte mais interessante está em Rachel e no mundo ao redor dela. Não é uma obra de arte, mas tem estilo, bons personagens e mais qualidades do que sua reputação costuma sugerir.
1. Carrie, a Estranha (1976)
O primeiro lugar é do filme de Brian De Palma, e com folga. Sissy Spacek como Carrie, Piper Laurie como Margaret e Nancy Allen como Chris formam um elenco perfeito.
Mesmo sem reproduzir a aparência física descrita no livro, Spacek entrega a Carrie mais estranha desta lista no jeito de se portar. O isolamento aparece na atuação, antes mesmo de alguém explicar que ela não se encaixa.
E a cena do baile continua um acontecimento. De Palma usa a câmera, a montagem e o tempo da sequência para fazer a expectativa se transformar em humilhação e, depois, em terror. A explosão dos poderes tem força porque acompanha a emoção da protagonista. Quase cinquenta anos depois, o clássico segue sendo a versão mais completa e marcante deste ranking.
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Com informações da Capricho




