Café produzido no Acre terá lançamento de cápsulas em 2027

Foto: Iago Nascimento

Na segunda noite da Expoacre 2026 neste domingo, 02, o jornalista Itaan Arruda, do ac24agro, entrevistou o produtor rural Jorge Pereira da Silva Souza, idealizador da marca Raízes da Floresta, desenvolvida ao lado da esposa, Keity Kety, na Reserva Extrativista Chico Mendes.

Durante a conversa, Jorge falou sobre os desafios de produzir café em uma unidade de conservação, o apoio de instituições públicas, os planos de exportação e os novos investimentos da marca.

Questionado sobre as dificuldades enfrentadas no início da cafeicultura dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes, Jorge afirmou que o principal desafio foi adaptar a produção às exigências da legislação ambiental. “No início foi muito difícil para a gente produzir café, principalmente dentro de uma área de preservação ambiental de uso sustentável”, pontuou.

Segundo ele, todo o trabalho é realizado em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e demais órgãos responsáveis pela gestão da reserva. “A gente tem uma parceria muito grande com o ICMBio, com os órgãos responsáveis, com os órgãos gestores da reserva, para que a gente tenha uma facilidade nessa questão do trabalho com a lavoura dentro da reserva”, ressaltou.

Foto: Iago Nascimento

Jorge fez questão de destacar que nunca enxergou a legislação ambiental como um obstáculo. “Jamais. A gente sempre trabalha junto com os órgãos gestores para que a gente ande sempre de mãos dadas. Jamais a gente vai querer ferir alguma legislação. A gente trabalha com tudo legalizado dentro da reserva”, observou.

Jorge explicou que a recuperação da área mostrou que a cafeicultura pode ser uma alternativa econômica e ambientalmente sustentável para os moradores da reserva.

“Usar áreas degradadas dentro da reserva para produção de café, para a agricultura familiar, dá certo. Porque é rentável. É muito mais sustentável. É sustentável porque você está dentro de uma área de preservação ambiental. Então é sustentável, é responsável e tem viabilidade”, destacou.

Outro investimento destacado pelo produtor foi a implantação do sistema de irrigação. Segundo Jorge, a expectativa é elevar a produtividade de 100 para 200 sacas por hectare. “Agora a gente vai irrigar os nossos quatro hectares e meio de café, e aí a produtividade vai dobrar. Se a gente produzir 100 sacas por hectare, a gente vai produzir 200 sacas por hectare”, explicou.

Ao falar sobre os próximos passos da marca, Jorge afirmou que o objetivo é consolidar o café acreano no mercado internacional. “A nossa prioridade é trabalhar um café, uma bebida diferente de todas essas tradicionais que existem”, ressaltou.

Foto: Iago Nascimento

Questionado por Itaan sobre os mercados prioritários, respondeu: “O mercado da Europa e o mercado norte-americano. “Hoje nós estamos habilitados a levar o nosso próprio produto, com a nossa própria marca, para fora do país”, ponderou.

Ao comentar o mercado internacional, Jorge afirmou que o desejo de todo produtor é exportar um produto com maior valor agregado. “Todo sonho de um produtor é fazer realmente o seu produto final chegar no consumidor. Esse é o meu sonho. Chegar ao produto final no consumidor. E, se chegar lá fora, melhor ainda”, completou.

Ao final da entrevista, Jorge revelou que a marca prepara novas linhas de produtos. Além do café fermentado, o Raízes da Floresta deverá lançar, a partir de 2027, uma linha de café expresso em cápsulas.

“A partir do ano que vem, a gente lançar o produto expresso, em cápsula.A gente já tem algumas coisas em mente, questão de tamanho, de cápsula. A gente já está definindo tudo isso”, finalizou.

Lucas Vitor

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