A cafeicultura, tradicionalmente associada a Acrelândia, no leste do Acre, encontrou uma nova fronteira de expansão no Juruá. Levantamento do Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre, com apoio do Sebrae/AC, aponta Mâncio Lima como referência recente da atividade na microrregião de Cruzeiro do Sul.
Em 2024, o município registrou 341 toneladas de café, com rendimento médio de 4.547 quilos por hectare, o maior entre os cinco municípios analisados. Cruzeiro do Sul aparece em seguida, com 113 toneladas e produtividade de 3.531 quilos por hectare. Porto Walter, incorporado ao estudo por dados secundários, apresentou 30 toneladas e rendimento de 3.333 quilos por hectare.
Segundo o estudo, o movimento é atribuído à adaptação do café robusta amazônico às condições da região, ao crescimento dos plantios, ao apoio técnico e à formação de uma estrutura regional de pós-colheita e beneficiamento. As entrevistas também situam Rodrigues Alves no circuito de expansão.
Peça central desse avanço é a Coopercafé, sediada em Mâncio Lima. A cooperativa reduz parte da dificuldade de pós-colheita para os produtores da região, cria referência de padrão de qualidade e aproxima a produção da etapa industrial. Durante a visita técnica, os pesquisadores registraram que o ganho regional não depende apenas de ampliar a área plantada, colheita, secagem, armazenagem, classificação e gestão precisam avançar de forma coordenada.
O documento aponta que o próximo passo está na consolidação de um padrão territorial, com protocolos comuns de assistência, formação de produtores e identidade comercial capazes de aproximar municípios de diferentes escalas. Uma rota do café articulada à gastronomia e ao turismo de natureza é apontada como caminho para ampliar o alcance do produto e a experiência oferecida pelo Juruá.
Rebeca Martins




