SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Bolsa dispara mais de 3% nesta quarta-feira (2), após pesquisa eleitoral Quaest revelar uma disputa mais acirrada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais.
O resultado da pesquisa, em conjunto com a tensão entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, tem impulsionado os ativos domésticos nos últimos pregões ao aumentar a percepção de uma possível alternância de poder nas eleições.
Por volta das 15h20, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, subia 3%, a 185.112 pontos. Na máxima do dia, a alta foi de 3,51%, a 186.028 pontos.
No mesmo horário, o dólar recuava 0,89%, a R$ 5,106, em movimento mais intenso do que o do exterior. Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante outras seis divisas fortes, também recuava, com baixa de 0,09%.
O cenário eleitoral brasileiro está no foco do pregão. O presidente Lula (PT) tem 37% das intenções de voto no primeiro turno das eleições de 2026, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 30%, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2).
Trata-se do primeiro levantamento nacional feito pelo instituto após o início oficial da campanha eleitoral. O cenário é de relativa estabilidade em relação à rodada anterior, divulgada em 14 de agosto, quando o petista tinha 38% das intenções de voto, ante 31% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No segundo turno, Lula aparece com 42% das intenções de voto, ante 41% de Flávio Bolsonaro, em cenário de empate técnico. Em 14 de agosto, os dois também apareciam tecnicamente empatados, com 43% e 40%, respectivamente.
O resultado se soma a outras pesquisas que apontam um estreitamento da diferença entre os líderes da disputa.
Analistas avaliam que Flávio Bolsonaro tem um perfil mais alinhado à disciplina fiscal do que o atual presidente. Na última semana, em entrevista ao Jornal Nacional, o candidato do PL afirmou que, se eleito, fará um ajuste na dívida pública sem mexer na Previdência Social ou na política de valorização do salário mínimo.
No mesmo programa, Lula afirmou não estar preocupado com a dívida pública brasileira, mas disse que a responsabilidade fiscal “baliza” sua vida.
“O otimismo é muito capitaneado pelas pesquisas que vêm sendo divulgadas, mostrando o estreitamento entre os dois principais candidatos e aumentando a possibilidade de uma alternância de governo. O mercado tem visto esse movimento com bons olhos”, diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.
Investidores também continuam repercutindo os conflitos entre EUA e Irã no Oriente Médio e o impacto das tensões no aumento dos preços do petróleo.
Na terça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que qualquer acordo assinado com o Irã “não vale o papel no qual é escrito” e que Washington deu “muitas chances” a Teerã para que a guerra acabasse.
Os EUA também realizaram novos ataques contra o Irã na região sul do país, ao longo do estreito de Hormuz. Explosões foram ouvidas a leste de Bandar Abbas e nas proximidades da ilha de Qeshm, informou a emissora estatal iraniana.
Dois superpetroleiros com bandeira da Arábia Saudita já haviam sido atingidos enquanto navegavam pelo estreito. Segundo a empresa de dados Kpler, cada uma das embarcações carregava 2 milhões de barris de petróleo bruto saudita.
Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, a sessão desta quarta-feira passa por uma realização de lucros após as altas expressivas. “O mercado segue bastante incerto em relação ao desenvolvimento da situação geopolítica no Oriente Médio, o que resulta em imprevisibilidade não só na questão militar, mas também em relação ao fluxo de petróleo e derivados escoados do Golfo Pérsico”.
A valorização do petróleo beneficiou as ações do setor petrolífero brasileiro. Os papéis preferenciais da Petrobras, que representam cerca de 8% da carteira teórica do Ibovespa, acumulam alta de 4,11% em setembro. No pregão desta quarta, o petróleo Brent, referência mundial da commodity, avança 1,30%, a US$ 95,84. As ações preferenciais da Petrobras sobem 2,66%, a R$ 48,13.
Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, contudo, o setor impulsiona a alta da Bolsa. “Embora as especulações e os desdobramentos no ambiente político sigam atuando como um catalisador pontual de volatilidade na sessão, o principal motor do índice continua sendo a tração exercida pelos papéis de grande peso ligados a commodities, que seguem atraindo o fluxo de capital de investidores estrangeiros”.
“As ações da Petrobras e de grandes mineradoras e siderúrgicas mantêm o papel de ancoragem do indicador, sustentadas pela resiliência das cotações das matérias-primas no mercado internacional. O temor de gargalos na oferta de energia, decorrente das permanentes fricções geopolíticas no Oriente Médio, oferece apoio ao preço do barril de petróleo e favorece as companhias exportadoras”, afirma.




