Mundial disputado na França registrou um cenário raro na história da competição, com três seleções trocando de comando ainda durante a fase de grupos
A demissão de Sabri Lamouchi após a goleada sofrida pela Tunísia na estreia da Copa do Mundo de 2026 recolocou em evidência um episódio pouco comum na história do torneio. Antes do caso tunisiano, apenas uma edição da competição havia registrado mudanças de comando com a bola ainda rolando: a Copa do Mundo de 1998, disputada na França.
Naquele Mundial, três seleções decidiram interromper seus trabalhos técnicos antes mesmo do encerramento da fase de grupos. O primeiro caso envolveu um nome bastante conhecido do futebol brasileiro: Carlos Alberto Parreira.
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Sabri Lamouchi, ex-técnico da Tunísia. Foto: Reprodução AFP

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Zé Carlos substituiu Cafu na semifinal da Copa do Mundo de 1998, contra a Holanda (Juca Varella/Folha Imagem)
Campeão do mundo com o Brasil em 1994, Parreira chegou à França comandando a Arábia Saudita. A campanha, porém, não correspondeu às expectativas. Derrotas para Dinamarca e França nas duas primeiras rodadas levaram a federação saudita a interromper o trabalho ainda durante a competição.
Com a saída do treinador brasileiro, Mohammed Al-Kharashy assumiu a equipe para o compromisso restante da fase de grupos. A Arábia Saudita empatou com a África do Sul na despedida, mas já estava eliminada do torneio.
A Copa de 1998 ainda registrou outras duas trocas de comando em sequência. A Coreia do Sul dispensou Cha Bum-kun após sofrer uma derrota por 3 a 1 para o México e ser goleada por 5 a 0 pela Holanda. Considerado um dos maiores ídolos da história do futebol sul-coreano, o treinador deixou o cargo antes da última rodada da primeira fase.
A Tunísia também promoveu uma mudança durante aquela edição. Depois de derrotas para Inglaterra e Colômbia, a federação optou pela saída de Henryk Kasperczak ainda com o Mundial em andamento.
Desde então, nenhuma seleção havia recorrido a uma troca de treinador durante a disputa da Copa do Mundo. Mesmo em campanhas decepcionantes, a prática mais comum entre as federações passou a ser aguardar o encerramento do torneio para avaliar o desempenho e iniciar um novo ciclo.
Por isso, a decisão da Tunísia em 2026 encerra um intervalo de quase três décadas sem demissões durante a competição e faz o país entrar novamente para uma lista rara na história dos Mundiais.
Com a saída de Lamouchi, o técnico francês tornou-se apenas o quarto treinador a perder o cargo em plena Copa do Mundo, juntando-se justamente aos três casos registrados na França em 1998.




