Banco Master, de Daniel Vorcaro, teria assediado Aleac e o Acreprevidência

Foto: Sérgio Vale

O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) fez duras acusações contra o Banco Master durante discurso na tribuna da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), nesta terça-feira (19), ao relembrar episódios envolvendo empréstimos consignados de servidores públicos estaduais e supostas tentativas de aproximação da instituição financeira com órgãos do Estado.

Segundo o parlamentar, o banco teria buscado espaço para atuar junto à própria Aleac e também ao Acreprevidência, mas as tratativas teriam sido rejeitadas. Edvaldo afirmou que o presidente da Casa, Nicolau Júnior, teria confirmado a existência de um “assédio” para que o banco passasse a operar serviços ligados ao Legislativo estadual. “Houvesse um assédio aqui na Casa para botar a cota na sepela. Esses companheiros da mesa diretora devem saber um pouco desse assédio. O que foi descartado”, declarou.

O deputado também relembrou uma polêmica ocorrida durante a legislatura passada envolvendo mudanças nas regras dos consignados dos servidores estaduais. De acordo com Edvaldo, o governo substituiu a empresa que operava o sistema de empréstimos consignados por outra companhia, chamada Fênix Software, sediada em Manaus.

Segundo ele, meses após a contratação, um decreto estadual alterou a margem consignável dos servidores e permitiu a inclusão de um cartão de crédito consignado chamado “Avalon”, que poderia ampliar os descontos para além dos 35% tradicionais da folha salarial. “O servidor público começou a receber de manhã, de tarde e noite, às vezes até de madrugada, telefonemas e mensagens oferecendo dinheiro”, afirmou.

Foto: Sérgio Vale

Edvaldo sustentou que a operação gerou superendividamento entre servidores públicos e classificou o mecanismo como uma “pouca vergonha”. O parlamentar disse ainda que a Aleac acabou aprovando um decreto legislativo para encerrar a operação do cartão consignado após debates públicos realizados na Casa.

Durante o pronunciamento, o deputado afirmou que a plataforma que operava o cartão “Avancard” estaria ligada ao Banco Master. “Sabe qual era a plataforma que operava o cartão Avancard? Banco Master”, disse.

O parlamentar insinuou ainda a existência de possíveis favorecimentos políticos e defendeu que o assunto seja aprofundado em futuras investigações. “Houve troca de favores para votar a conta de todos os servidores públicos? Haveremos de saber no curso dessas investigações”, afirmou.

A fala do deputado resgata um contexto que já havia gerado repercussão no Acre. Em outubro de 2023, denúncias envolvendo supostas fraudes em empréstimos consignados apontaram suspeitas de manipulação de dados funcionais de servidores públicos estaduais. Conforme revelou o ac24horas, havia indícios de que servidores comissionados estariam sendo apresentados ao sistema bancário como efetivos para viabilizar operações de crédito com menor risco para as instituições financeiras.

Na época, as suspeitas recaíam justamente sobre operações ligadas ao sistema de consignados do Estado e levantaram questionamentos sobre o controle e fiscalização dos contratos envolvendo instituições financeiras e empresas intermediadoras.

Whidy Melo

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