Ato por vítimas de ataque ao Instituto São José reúne centenas no Centro de Rio Branco

Foto: Whidy Melo/ac24horas

Centenas de pessoas começaram a se reunir em frente ao Palácio Rio Branco, no centro da capital acreana, ainda antes do início da caminhada em solidariedade às vítimas do ataque ocorrido no Instituto São José. O ato, realizado na tarde e noite desta quinta-feira (7), reúne funcionários da escola, estudantes, familiares de alunos e moradores da capital com mensagens de paz, homenagens e pedidos por mais segurança nas instituições de ensino numa caminhada até a instituição de ensino.

Vestidos de branco, os participantes preenchem a região em frente à sede do governo estadual num clima de forte emoção e reflexão coletiva após a tragédia que matou as funcionárias Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, e Raquel Sales Feitosa, de 37 anos.

Entre os presentes estava o professor aposentado Raimundo Ricardo, teólogo e pedagogo, que relatou ter forte ligação com o Instituto São José e com a comunidade escolar atingida pelo atentado.

“Eu trabalhei muito aqui com Dom Moacir, com as irmãs ali, tenho amizade com todos eles. Meus sobrinhos estudaram lá, tenho filhos de amigos que estudavam lá”, afirmou.

Para o educador, a mobilização serve como um momento de reflexão sobre os rumos da sociedade e o papel das famílias no acompanhamento dos filhos.

“É fundamental porque serve como reflexão. Até onde nós chegamos nessa sociedade? Os pais não conseguem mais acompanhar seus filhos, controlar o uso do celular e colocar um pouco de limite”, declarou.

Com 44 anos de atuação na educação, Raimundo também defendeu mudanças estruturais e mais investimentos em segurança nas escolas.

“A questão da segurança é necessária, detector de metais, tudo isso é importante. Mas existem muitos outros fatores que também são primordiais e o poder público não está nem aí”, criticou.

A aposentada Felomena Leduíno do Nascimento também participou do ato e falou sobre o impacto emocional provocado pela tragédia. Segundo ela, os três netos estudaram no Instituto São José.

“Falar de segurança é difícil, né? Porque a gente pensa que isso só acontece em cidade grande. Meus três netos estudaram aqui. A gente sente como se fosse alguém da família da gente”, disse emocionada.

Natural de Santa Catarina e moradora do Acre há muitos anos, Felomena afirmou ter relação próxima com a comunidade escolar e com as irmãs ligadas à instituição.

O ato foi organizado como uma demonstração pública de solidariedade às famílias das vítimas e à comunidade escolar do Instituto São José. A caminhada deve seguir do Palácio Rio Branco até a escola, localizada na região central da cidade, onde novas homenagens estão previstas.

O ataque ocorreu na manhã da última terça-feira (5), quando um adolescente de 13 anos entrou armado na unidade de ensino e efetuou disparos dentro da escola. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, Alzenir Pereira da Silva e Raquel Sales Feitosa tentaram conter o atirador e proteger estudantes e funcionários, mas acabaram baleadas.

Além das duas mortes, outras duas pessoas ficaram feridas, incluindo uma estudante. A Polícia Civil investiga se o adolescente agiu sozinho e apura possíveis influências externas no planejamento do atentado.

Whidy Melo

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