Adailton cobra política permanente para enfrentar crises climáticas e ampliar estrutura da saúde

Foto: Jardy Lopes/ac24horas

O deputado estadual Adailton Cruz concedeu entrevista ao ac24horas nesta sexta-feira (7), durante a Expoacre 2026, em Rio Branco. Entre os assuntos abordados, o parlamentar falou sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde pública, a estrutura hospitalar do Estado e a relação do governo com os servidores da saúde.

Ao comentar os efeitos de fenômenos climáticos, Adailton Cruz destacou principalmente o aumento das síndromes respiratórias associado à fumaça provocada pelas queimadas. Segundo ele, crianças, idosos e pessoas com comorbidades estão entre os grupos mais afetados.“Isso impacta diretamente, principalmente idosos, crianças e pessoas com alguma comorbidade. Essa síndrome respiratória, que tem o impacto principalmente da fumaça das queimadas, acaba abarrotando as unidades”, afirmou.

O deputado defendeu a criação de uma política permanente de preparação para períodos de seca extrema, enchentes e outros eventos climáticos.“A gente precisa trabalhar muito para ter uma conscientização melhor e uma política permanente para que se prepare para enfrentar isso”, disse.

Segundo Adailton, o Estado também deveria contar com uma reserva orçamentária específica para situações relacionadas às mudanças climáticas e possíveis catástrofes.

Foto: Jardy Lopes/ac24horas

Na avaliação do parlamentar, o sistema público de saúde ainda atua de maneira muito concentrada na resposta às crises depois que elas acontecem.“A atuação do governo do Estado e do sistema gestor como um todo busca muito a questão do fato quando ele está ocorrendo: internação, tratamento, leito de UTI, principalmente para crianças e idosos. E aí é aquela questão de apagar incêndio”, criticou.

Adailton defendeu investimentos permanentes em prevenção, ampliação da estrutura hospitalar e preparação para períodos de maior demanda.“A gente precisa de uma política permanente de ampliação dos serviços. O que a gente tem hoje, tanto para a parte pediátrica como adulto, não chega nem à metade do mínimo que deveria ter de estrutura de assistência”, afirmou.

O deputado também citou dificuldades enfrentadas recentemente para conseguir atendimento especializado a uma criança com síndrome respiratória.“Semana passada a gente teve o maior problema para conseguir transferir uma criança com síndrome respiratória do Alto Acre para cá. Aqui estavam todos lotados, ela precisava de UTI e não tinha. Aquele corre-corre. Graças a Deus a gente conseguiu”, relatou.

Para ele, os impactos das crises ambientais atingem principalmente a população de menor renda. “Quando o problema vem de forma intensa, quem tem menos condições, sempre o pobre se lasca mais”, declarou.

Adailton Cruz também avaliou a relação entre o governo do Estado e os trabalhadores da saúde. Segundo ele, houve avanços, mas o cenário ainda está distante do que os servidores reivindicam. “Hoje a política de trabalho e relacionamento da gestão do governo com os trabalhadores melhorou um pouco. Mas ainda está longe do que os servidores esperam”, afirmou.

O deputado, que também é servidor da saúde, destacou a necessidade de valorização profissional, com plano de carreira e remuneração adequada.“O que o servidor almeja, e eu sou servidor, é que você tenha um plano de carreira digno, um salário que tenha condições de comer e alimentar sua família. E isso a gente continua sonhando e lutando há 26 anos”, disse.

Foto: Jardy Lopes/ac24horas

Auxílio de saúde para aposentados

Entre os avanços citados pelo parlamentar está a criação de um auxílio-saúde de R$ 500 para servidores aposentados.“É pouco? É. Mas isso é para o resto da vida. É líquido. Os nossos aposentados não estavam tendo condições nem de comprar o remédio. E hoje foi implementado isso”, destacou.

Adailton também mencionou mudanças relacionadas a adicionais e benefícios dos servidores. Segundo ele, outra medida considerada importante foi a regularização da situação de servidores que tiveram suas carreiras congeladas desde 2015. Conforme o deputado, esses trabalhadores voltaram a ter direito a progressões, embora não tenham recebido a recomposição dos prejuízos retroativos.

Adailton reconheceu a participação do governo nas mudanças, mas atribuiu parte dos avanços à pressão exercida pelas entidades sindicais.“O governo, a gente reconhece o esforço, mas isso foi graças à pressão que foi feita de todo o comando sindical, inclusive o nosso da saúde e das outras áreas”, afirmou.

O parlamentar disse que continuará cobrando a implementação das medidas relacionadas ao plano de carreira e acompanhando as negociações.

Foto: Jardy Lopes/ac24horas

Estrutura hospitalar ainda preocupa

Apesar dos avanços na relação entre gestão e servidores, Adailton afirmou que ainda existem problemas estruturais na rede pública de saúde.“O cenário ainda é muito ruim. E aqui eu vou falar não só de salário, mas também da questão de estrutura, de apoio, de leitos, de marcação, de instrumental cirúrgico, que infelizmente ainda é muito deficiente e isso precisa avançar muito”, declarou.

Na avaliação do deputado, a relação entre servidores e gestão também apresentou melhora, com um ambiente considerado mais respeitoso.“A atuação desrespeitosa e opressiva ao trabalhador praticamente está superada. Ainda tem situações graves, mas, de uma maneira geral, está bastante superada”, afirmou.

Adailton concluiu dizendo que, apesar dos avanços, a estrutura e as condições de trabalho ainda precisam melhorar.“Melhorou no sentido de alguns avanços com relação à questão salarial e a relação direta servidor-gestão também melhorou, mas ainda existem alguns exageros. Está longe ainda do que a gente espera e vamos continuar trabalhando para chegar lá.”

Saimo Martins

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