Acreanos nos EUA reclamam de alto valor de ingresso para Brasil x Marrocos

Foto: Evilásio Sales Pereira, de 40 anos, vive há dois anos e meio em Massachusetts I Arquivo pessoal/cedida

Nem mesmo morar nos Estados Unidos e receber em dólar garante lugar nas arquibancadas da Copa do Mundo de 2026. Na estreia da Seleção Brasileira contra o Marrocos, neste sábado (13), às 17h, acreanos que vivem em território norte-americano relatam que os altos preços dos ingressos têm afastado muitos brasileiros do estádio.

O ex-morador do bairro Sobral, em Rio Branco, Evilásio Sales Pereira, de 40 anos, vive há dois anos e meio em Massachusetts e trabalha com jardinagem. Apesar da paixão pelo futebol e da relativa proximidade do local da partida, ele afirma que não pretende assistir ao jogo presencialmente por causa do custo.

Foto: Evilásio Sales Pereira, de 40 anos, vive há dois anos e meio em Massachusetts I Arquivo pessoal/cedida

Segundo Evilásio, os ingressos mais baratos disponíveis estão na faixa de US$ 1.300, valor que equivale praticamente a uma semana inteira de trabalho. “É o que a gente ganha por semana, uns 1.300 ou 1.400 dólares. E ainda são lugares distantes do gramado, sem uma boa visibilidade”, relatou.

O acreano afirma que a realidade enfrentada pelos imigrantes brasileiros nos Estados Unidos é bem diferente daquela frequentemente retratada nas redes sociais. “A vida do imigrante é sofrida. As pessoas acham que aqui é fácil porque se ganha em dólar, mas o trabalho é pesado, as despesas são altas e sobra pouco dinheiro”, disse.

Além da questão financeira, Evilásio avalia que o momento de maior fiscalização migratória também gera preocupação entre parte da comunidade brasileira. Embora possua autorização permanente de trabalho obtida após um pedido de asilo, ele afirma que muitos imigrantes evitam grandes eventos por receio de abordagens das autoridades migratórias.

Para ele, os preços elevados não afetam apenas os brasileiros. “Os próprios americanos estão reclamando. Os americanos que trabalham comigo não vão ao jogo porque também acham caro. Quem vai é o pessoal que já tem uma condição financeira melhor”, observou.

A situação é semelhante para a jovem Isabelle Teixeira, de 19 anos. Nascida nos Estados Unidos, mas criada durante 18 anos no bairro Universitário, em Rio Branco, ela voltou recentemente ao país de origem e trabalha em um restaurante.

Foto: Isabelle Teixeira, de 19 anos I Arquivo Pessoal/cedida

Mesmo morando nos Estados Unidos, Isabelle diz que o ingresso pesa no orçamento. Segundo ela, o valor corresponde a mais de quatro semanas de trabalho. Recebendo US$ 15 por hora e limitada a 40 horas semanais por ainda ser menor de idade perante a legislação trabalhista local, a acreana calcula que precisaria de cerca de um mês de salário apenas para pagar a entrada.

“Para quem recebe em dólar, até parece mais acessível, mas continua sendo caro. Para quem está convertendo de real para dólar, fica ainda mais difícil”, afirmou.

Apesar disso, ela ainda sonha em assistir à partida e conta com a ajuda de amigos que vivem próximos ao local do jogo. “É uma sensação incrível ter a oportunidade de ver uma Copa do Mundo de perto. É uma coisa que a gente nunca imagina que vai acontecer com a gente”, disse.

Os relatos mostram que, mesmo em um país com renda média superior à brasileira, a Copa do Mundo de 2026 tem imposto barreiras financeiras para muitos torcedores. Entre os acreanos que vivem nos Estados Unidos, a paixão pela Seleção Brasileira segue intacta, mas para boa parte deles a estreia contra o Marrocos será acompanhada pela televisão.

Whidy Melo

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