Acre registra queda de 75,5% nos casos prováveis de dengue em 2026

Foto: nuzeee/Pixabay

O Acre registrou uma redução significativa nos casos de dengue em 2026, conforme aponta o mais recente Boletim Epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), por meio do Núcleo de Doenças de Transmissão Vetorial (NUDTV).

Até a Semana Epidemiológica (SE) nº 18 de 2026, foram registrados 1.520 casos prováveis da doença no estado, dos quais 876 foram confirmados, representando uma taxa de confirmação de 57,6%. Segundo o boletim, também foram registrados 12 casos com sinais de alarme, sem nenhuma morte relacionada à doença até o momento.

Os números representam uma queda expressiva em comparação com o mesmo período de 2025, quando o Acre havia contabilizado 6.206 casos prováveis e 6.205 casos confirmados de dengue. A comparação entre os dois anos mostra redução de 75,5% nos casos prováveis e de 85,88% nos casos confirmados.

Apesar da diminuição dos registros, a Sesacre destaca que houve um leve aumento de casos entre as semanas epidemiológicas 14 e 17, comportamento atribuído à sazonalidade da doença. No entanto, os dados voltaram a apresentar queda entre as semanas 17 e 18.

Maioria dos casos é confirmada por exames laboratoriais

Dos 876 casos confirmados em 2026, 622 (71%) tiveram confirmação laboratorial, enquanto 253 casos (29%) foram confirmados pelo critério clínico-epidemiológico.

De acordo com o boletim, a predominância das confirmações laboratoriais demonstra a capacidade diagnóstica da rede pública de saúde e reforça a importância do monitoramento epidemiológico para o controle da doença.

Baixo Acre concentra maior número de casos

Entre as semanas epidemiológicas 1 e 18, a Regional do Baixo Acre concentrou 569 casos confirmados, o equivalente a 65% do total estadual. Rio Branco lidera o número de registros, com 529 casos confirmados, seguida por Sena Madureira, com 14.

Na Regional do Juruá foram registrados 240 casos confirmados (27,4%), com destaque para Cruzeiro do Sul, que contabilizou 135 casos, e Mâncio Lima, com 66.

Já a Regional do Alto Acre registrou 67 casos confirmados (7,6%), sendo Brasiléia o município com maior número de ocorrências, com 22 casos, seguido por Epitaciolândia e Xapuri, ambos com 20 casos.

Estado monitora possível retorno do sorotipo DENV-3

As análises laboratoriais realizadas pela rede pública identificaram, até o momento, a circulação dos sorotipos DENV-1 e DENV-2 no Acre. Entretanto, em maio deste ano, foram notificados dois casos suspeitos de infecção pelo sorotipo DENV-3 em moradores de Rio Branco.

As amostras foram encaminhadas ao Instituto Evandro Chagas (IEC), responsável pela análise e confirmação dos casos. O resultado é aguardado pelas autoridades sanitárias e poderá confirmar ou descartar a reintrodução do sorotipo no estado.

A Sesacre alerta que a possível circulação do DENV-3 representa um fator de preocupação, uma vez que mudanças nos sorotipos predominantes podem alterar o cenário epidemiológico e aumentar o risco de novos surtos.

Vigilância deve continuar

Apesar da redução dos casos em 2026, a Secretaria de Saúde reforça a necessidade de manter e intensificar as ações de vigilância epidemiológica e controle do mosquito Aedes aegypti.

Segundo o boletim, qualquer um dos sorotipos da dengue pode causar desde sintomas leves até formas graves da doença, incluindo casos que evoluem para óbito. Por isso, o monitoramento contínuo, as medidas preventivas e o manejo clínico adequado dos pacientes seguem sendo fundamentais para evitar o avanço da doença no Acre.

Saimo Martins

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