Acre não realizou nenhum procedimento contra câncer de fígado em 11 anos

Transplante de fígado - Foto: Odair Leal

O Acre não registrou nenhuma internação para a realização de quimioembolização de carcinoma hepático pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2015 e 2025. O dado faz parte de um levantamento da CNN Brasil com base no Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), que evidencia a desigualdade no acesso ao tratamento contra o câncer de fígado no país.

Apesar da ausência do procedimento na rede pública estadual durante o período analisado, moradores do Acre passaram pelo tratamento em outras unidades da Federação. Ao todo, foram registradas 24 internações de pacientes acreanos, todas realizadas fora do estado.

O estudo mostra que a situação do Acre é semelhante à de Amazonas e Amapá, que também não realizaram nenhuma quimioembolização em seus territórios. Juntos, os três estados somaram 65 internações de moradores, todas em hospitais localizados em outras regiões do Brasil.

A região Norte foi a que apresentou o menor acesso ao procedimento. Em 11 anos, apenas 30 internações ocorreram em toda a região, o equivalente a 0,2% das 13.599 internações registradas no país. Rondônia liderou na região, com 20 procedimentos, seguida pelo Pará (8), Roraima (1) e Tocantins (1).

A quimioembolização é indicada para determinados casos de câncer de fígado e consiste na introdução de um cateter nas artérias que irrigam o tumor, permitindo a aplicação localizada de medicamentos quimioterápicos e substâncias que interrompem o fluxo sanguíneo da lesão. O procedimento é considerado minimamente invasivo e pode ser utilizado para controlar a doença ou preparar pacientes para um transplante de fígado.

O levantamento também revela que cinco estados, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco e Paraná, concentraram 74% de todas as internações realizadas pelo SUS entre 2015 e 2025.

Lucas Vitor

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