Acre enfrenta dificuldade de diagnóstico precoce de leishmaniose no interior

Uma pesquisa com participação da Universidade Federal do Acre (Ufac), divulgada nesta quinta-feira (25), revelou falhas no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea tanto entre pacientes quanto entre profissionais de saúde no município de Sena Madureira. O estudo apontou ainda barreiras geográficas e estruturais que atrasam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento em zonas rurais onde a doença é endêmica.

O levantamento ouviu 50 pacientes com suspeita clínica da doença e 51 agentes de saúde. Entre os profissionais, 63% eram agentes comunitários de saúde e 37% atuavam no combate às endemias.

Os achados foram publicados em maio na revista eletrônica “Acervo Saúde”, volume 26(5), sob o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo conta com coautoria de pesquisadores da Ufac.

Autor do trabalho como parte de sua tese de doutorado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC), Leandro Siqueira de Souza detalhou os resultados. “Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, afirmou.

A região Norte concentra mais da metade dos casos da doença registrados no Brasil. Somente o Acre notificou mais de 11 mil casos na última década. Em 2025, o Ministério da Saúde classificou os municípios de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia como áreas de risco intenso para a transmissão.

Coordenador do projeto de pesquisa, Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC, destacou o caráter negligenciado da enfermidade. “A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais. Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença”, afirmou.

A investigação reúne, além da Ufac, a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre. Pela Ufac, assinam o artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. O financiamento veio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com apoio de instituições parceiras.

Rebeca Martins

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