Com SWALLOW!, Shygirl transforma o amor em um manifesto de liberdade


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alvez você não conheça Shygirl, mas certamente já escutou sua voz rouca em algum lugar – provavalmente em alguma faixa do seu artista favorito. A cantora britânica tem em seu currículo remixes com Lady Gaga, Blackpink, Charli xcx, além de feats com FKA twigs, SOPHIE, Pinkpantheress, Mura Masa e Arca, além de ter aberto alguns shows da renaissance tour, na passagem da Beyoncé pela Inglaterra. 

Blane Muise começou sua carreira em meados de 2016 com faixas eletrônicas preenchidas por beats poderosos e letras sarcásticas, dizendo tudo o que tinha pra falar na lata. Seu primeiro álbum, Nymph (2022) nos deu o primeiro vislumbre do quão mais versátil sua sonoridade poderia ser, atrelando a música eletrônica a instrumentos de corda e vocais mais suaves.

Agora, aos 33 anos, ela lança o álbum SWALLOW! com uma segurança e abertura pouco exploradas antes. Não que suas composições não fossem sinceras, mas aqui adquirem um caráter quase confessional, expandindo declarações mordazes sobre sexo, empoderamento e auto engrandecimento por motes de liberdade, reminiscência, autenticidade, e claro, amor.

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O álbum começa com Alyse, uma faixa com letra bastante onírica e que dá um preview de tudo que vamos encontrar no álbum: desde os instrumentos de cordas, violões, batidas ruidosas e distorcidas e os vocais falados que de uma hora pra outra se tornam mais melódicos etéreos.

Nos últimos anos, uma gama de referências emergiu na música pop, vindas de subgêneros eletrônicos e alternativos dos anos 90: Trip-hop, Drum’n’bass, Garage e o Grunge são todas fontes nas quais ela bebe pra confeccionar esse álbum. É possível perceber também algo de Madonna e Björk (em Ray of Light e Homogenic, respecticamente) e até um pouco de Nirvana – mas de um modo que é completamente metabolizado dentro do seu próprio universo.

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O amor romântico parece que é o grande catalisador de tudo que ouvimos em SWALLOW! e isso ganha uma personificação confessional e bem crua em Real, com a britânica descrevendo o processo de despertar ao conhecer esse alguém especial. Isso remete bastante à capa do disco e dos singles – por sinal, lindas – que retratam um ovo se chocando e o nascimento de uma ave.

A melhor faixa do álbum parece ser a peça central do lançamento: Mantra é uma ode à autossuficiência, autenticidade e liberdade, mas sem deixar de ser um convite para que esse interesse romântico a acompanhe nessa jornada gratificante. “’Livre’ é onde me encontra” pode parecer uma declaração batida, até simplória, mas que depois de repetida vezes suficientes, vira um mote genuíno que dá até vontade de seguir.

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SWALLOW! tem na última faixa, Eternal, um pop carregado de violões e percussões marcada que facilmente seria tocada no final de um bom filme de drama coming-of-age. Principalmente por contar com uma letra que pincela como pode ser o futuro não tão ideal dessa relação que foi explorada até aqui, cujo amor não foi suficiente pra mantê-la de pé, mas que foi genuína e eterna… enquanto durou. 

O álbum é coeso, soa fresco e intencional e abre portas para que quem está ouvindo encare temas “batidos” com outros olhares. O disco se encerra reafirmando o que deu pra perceber desde a primeira faixa: Shygirl ainda é uma artista muito versátil, muito bem referenciada e principalmente, alguém que valoriza a originalidade mesmo que isso signifique não ter um alcance estrondoso. E ela parece mais do que okay com isso.

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Com informações da Capricho

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