Ser criativo pode afetar sua saúde mental? Entenda novo estudo

 (Francesco Carta fotografo e Marjorie Anastacio/Getty Images)

É

bastante comum escutar que a criatividade pode nos ajudar a enfrentar questões de saúde mental, mas você já imaginou o caminho contrário? Uma pesquisa publicada pela revista Molecular Psychiatry chamou a atenção ao associar a criatividade artística a uma frequência maior de transtornos mentais.

O levantamento, feito por um grupo de cientistas do Instituto Max Planck, da Alemanha, e do Instituto Karolinska, na Suécia, mostrou que a criatividade se relaciona com a saúde mental de maneiras diferentes do que imaginamos.

O que diz a pesquisa?

Diferente do que costumamos imaginar, o estudo identificou que as pessoas com maior criatividade artística, ou que exercitam bastante essas atividades, apresentaram mais associações com dificuldades de saúde mental.

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Entre as condições observadas estavam sintomas depressivos, ansiedade e maior propensão a experiências relacionadas à psicose. Os pesquisadores também identificaram associações entre conquistas artísticas e diagnósticos posteriores de esquizofrenia, ansiedade e transtornos relacionados ao estresse.

O curioso é que a conclusão não foi a mesma quando os especialistas analisaram a criatividade científica. Atividades como ciência e invenção, que exigem a elaboração de ideias e soluções ligadas ao conhecimento científico, não mostraram uma associação significativa com a maioria das condições avaliadas. Em algumas medidas, ela apareceu relacionada até a menos dificuldades ligadas à saúde mental.

E também vale lembrar que o estudo considerou sintomas relatados pelos participantes e diagnósticos psiquiátricos identificados antes da pesquisa. Foi justamente essa percepção mais densa da saúde de cada paciente permitiu traçar relações mais certas entre bem-estar psicológico e a criatividade.

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Como a pesquisa foi conduzida?

Para estudar a relação entre criatividade e a saúde do cérebro, os especialistas optaram por uma estratégia interessante. Eles analisaram diferentes formas de exercer a criatividade, como música, escrita, dança, teatro, artes visuais, ciência e invenção e como elas se manifestaram em um grupo de voluntários, formado por cerca de 14 mil gêmeos residentes da Suécia. 

Durante o estudo, a criatividade foi dividida em diferentes categorias, considerando as maneiras que os voluntários exercem seu lado criativo no dia a dia, suas profissões e as características de suas personalidades.

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Uma das principais divisões envolveu a criatividade artística e a científica. A primeira reuniu atividades ligadas à música, escrita, dança, teatro e artes visuais. Nesse grupo, foram identificados e contabilizados os níveis de realização dos voluntários em cada uma dessas áreas, considerando desde experiências iniciais até conquistas mais avançadas.

Já o segundo grupo estava ligado à criatividade científica e considerou realizações nos campos da ciência e da invenção. Aqui, a ideia era observar atividades que envolvem a produção de conhecimentos, descobertas e soluções inovadoras, sabe?

Entre os principais objetivos da pesquisa estavam entender se diferentes formas de criatividade poderiam apresentar relações distintas com a saúde mental, investigar se essa associação acontecia em diferentes atividades criativas e descobrir qual seria a influência de fatores genéticos e familiares nesse processo.

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Afinal, a criatividade afeta a saúde mental?

Calma! Aqui é necessário fazer uma distinção importante: o estudo não identificou nenhuma relação de causa e efeito entre o exercício da criatividade e a piora das questões mentais. A pesquisa não demonstra que a criatividade artística cause problemas psiquiátricos nem que toda pessoa envolvida com atividades artísticas tenha maior risco de desenvolver transtornos, mas que existem relações pouco conhecidas entre a mente e a criatividade.

E você, já conhecia essa relação inusitada entre saúde mental e criatividade?

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Com informações da Capricho

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