
É
bastante comum escutar que a criatividade pode nos ajudar a enfrentar questões de saúde mental, mas você já imaginou o caminho contrário? Uma pesquisa publicada pela revista Molecular Psychiatry chamou a atenção ao associar a criatividade artística a uma frequência maior de transtornos mentais.
O levantamento, feito por um grupo de cientistas do Instituto Max Planck, da Alemanha, e do Instituto Karolinska, na Suécia, mostrou que a criatividade se relaciona com a saúde mental de maneiras diferentes do que imaginamos.
O que diz a pesquisa?
Diferente do que costumamos imaginar, o estudo identificou que as pessoas com maior criatividade artística, ou que exercitam bastante essas atividades, apresentaram mais associações com dificuldades de saúde mental.
Entre as condições observadas estavam sintomas depressivos, ansiedade e maior propensão a experiências relacionadas à psicose. Os pesquisadores também identificaram associações entre conquistas artísticas e diagnósticos posteriores de esquizofrenia, ansiedade e transtornos relacionados ao estresse.
O curioso é que a conclusão não foi a mesma quando os especialistas analisaram a criatividade científica. Atividades como ciência e invenção, que exigem a elaboração de ideias e soluções ligadas ao conhecimento científico, não mostraram uma associação significativa com a maioria das condições avaliadas. Em algumas medidas, ela apareceu relacionada até a menos dificuldades ligadas à saúde mental.
E também vale lembrar que o estudo considerou sintomas relatados pelos participantes e diagnósticos psiquiátricos identificados antes da pesquisa. Foi justamente essa percepção mais densa da saúde de cada paciente permitiu traçar relações mais certas entre bem-estar psicológico e a criatividade.
Como a pesquisa foi conduzida?
Para estudar a relação entre criatividade e a saúde do cérebro, os especialistas optaram por uma estratégia interessante. Eles analisaram diferentes formas de exercer a criatividade, como música, escrita, dança, teatro, artes visuais, ciência e invenção e como elas se manifestaram em um grupo de voluntários, formado por cerca de 14 mil gêmeos residentes da Suécia.
Durante o estudo, a criatividade foi dividida em diferentes categorias, considerando as maneiras que os voluntários exercem seu lado criativo no dia a dia, suas profissões e as características de suas personalidades.
Uma das principais divisões envolveu a criatividade artística e a científica. A primeira reuniu atividades ligadas à música, escrita, dança, teatro e artes visuais. Nesse grupo, foram identificados e contabilizados os níveis de realização dos voluntários em cada uma dessas áreas, considerando desde experiências iniciais até conquistas mais avançadas.
Já o segundo grupo estava ligado à criatividade científica e considerou realizações nos campos da ciência e da invenção. Aqui, a ideia era observar atividades que envolvem a produção de conhecimentos, descobertas e soluções inovadoras, sabe?
Entre os principais objetivos da pesquisa estavam entender se diferentes formas de criatividade poderiam apresentar relações distintas com a saúde mental, investigar se essa associação acontecia em diferentes atividades criativas e descobrir qual seria a influência de fatores genéticos e familiares nesse processo.
Afinal, a criatividade afeta a saúde mental?
Calma! Aqui é necessário fazer uma distinção importante: o estudo não identificou nenhuma relação de causa e efeito entre o exercício da criatividade e a piora das questões mentais. A pesquisa não demonstra que a criatividade artística cause problemas psiquiátricos nem que toda pessoa envolvida com atividades artísticas tenha maior risco de desenvolver transtornos, mas que existem relações pouco conhecidas entre a mente e a criatividade.
E você, já conhecia essa relação inusitada entre saúde mental e criatividade?
Com informações da Capricho



