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ma busca chamou atenção no Google nesta semana, há poucos dias do segundo turno. O termo “Bolsonaro mandou matar Lula” ganhou repercussão nas redes sociais e trouxe novamente ao debate público um dos episódios investigados após as eleições presidenciais de 2022: a existência de um plano para assassinar Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O planejamento, sim, existe e recebeu o nome de “Punhal Verde e Amarelo” e foi identificado pela Polícia Federal durante as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro (PL) lá nas eleições de 2022.
Mas é importante fazer uma distinção desde o começo: a existência do plano foi documentada nas investigações e examinada pela Justiça. A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que Bolsonaro tinha conhecimento da operação e concordou com ela. Isso, porém, não é a mesma coisa que afirmar que a Justiça comprovou uma ordem direta do ex-presidente para assassinar Lula, ok?
O CH na Eleição explica, ponto a ponto, por que o assunto voltou a circular, o que foi descoberto e quais decisões a Justiça tomou.
Por que o termo ficou em alta nas buscas do Google?
Bem, vamos começar do começo: a expressão não ganhou destaque por acaso. Na terça-feira (20), o deputado federal André Janones (Rede-MG) incentivou integrantes do canal de WhatsApp Exército do Lula a pesquisarem no Google a frase “Bolsonaro mandou matar Lula”. Segundo reportagem do UOL, a mobilização aconteceu entre 16h47 e 17h59 e incluiu orientações para realizar pesquisas e compartilhar conteúdos relacionados ao assunto nas redes sociais. O objetivo era ampliar a visibilidade das investigações sobre o plano Punhal Verde e Amarelo.
A iniciativa teve repercussão. Segundo levantamento de dados do Google Trends, o interesse pela expressão cresceu mais de 5.000% na terça-feira (20). A frase também apareceu entre os assuntos em alta na plataforma de tendências do Google. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno das eleições presidenciais contra Lula, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusando a mobilização de tentar manipular artificialmente as buscas e ampliar a circulação de conteúdo negativo sobre Jair Bolsonaro.
No caso Punhal Verde e Amarelo, a PGR (Procuradoria Geral da República) afirmou que Jair Bolsonaro tinha conhecimento do plano de assassinatos e concordou com ele, mas não houve uma condenação específica por ter ordenado diretamente a morte de Lula.
Mas o que foi o plano Punhal Verde e Amarelo?
Bem, segundo as investigações ele era um planejamento elaborado por integrantes de uma organização investigada por tentar impedir a posse de Lula e Alckmin, eleitos presidente e vice-presidente em outubro de 2022. Segundo a Polícia Federal, o documento previa ações para assassinar os dois políticos e Alexandre de Moraes, que na época também presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As investigações identificaram a possibilidade de utilização de armas de fogo, explosivos e substâncias químicas ou biológicas para executar os ataques. O plano previa uma operação em dezembro de 2022, antes da posse presidencial, marcada para 1º de janeiro de 2023. De acordo com a PF, os envolvidos chegaram a monitorar os deslocamentos de autoridades e a organizar a logística necessária para executar as ações.
Ou seja, a investigação não encontrou apenas uma conversa sobre a possibilidade de violência. Foram identificados documentos, mensagens e atividades de monitoramento que, segundo os investigadores, demonstravam a preparação de uma operação.
Como esse plano foi descoberto?
A existência do Punhal Verde e Amarelo se tornou pública em 19 de novembro de 2024, quando a Polícia Federal realizou a uma operação chamada Contragolpe. Na ocasião, cinco suspeitos foram presos. Entre eles estavam militares com formação em Forças Especiais do Exército, conhecidos como “kids pretos”, e um policial federal.
A operação foi resultado de investigações que analisaram mensagens, documentos digitais, registros de deslocamento e outros materiais relacionados à tentativa de golpe de Estado. Um dos documentos encontrados pelos investigadores detalhava o planejamento dos assassinatos. Segundo a PF, a operação havia sido preparada em novembro e dezembro de 2022, período em que integrantes do governo Bolsonaro e seus aliados discutiam maneiras de impedir a transferência de poder para Lula.
Quem elaborou o plano?
A Polícia Federal apontou o general da reserva Mário Fernandes como autor do documento Punhal Verde e Amarelo; ele ocupou o cargo de secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência durante o governo Bolsonaro. Segundo as investigações, ele imprimiu o planejamento dentro do Palácio do Planalto, em 9 de novembro de 2022.
Naquele mesmo dia, registros indicam que o militar foi ao Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República, então ocupada por Bolsonaro. Em interrogatório ao STF, em julho de 2025, Fernandes admitiu ter elaborado o documento, mas afirmou que se tratava de um estudo pessoal e que não o havia apresentado nem compartilhado com outras pessoas.
Essa versão foi contestada pela acusação, que apontou mensagens, reuniões e outras evidências para sustentar que o planejamento fazia parte de uma articulação mais ampla. Em dezembro de 2025, Fernandes foi condenado pelo STF a 26 anos e seis meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado.
Afinal, Bolsonaro mandou matar Lula?
Essa é a pergunta que voltou a circular nas buscas do Google, mas a resposta exige atenção ao que foi efetivamente investigado e decidido. Em fevereiro de 2025, a Procuradoria-Geral da República apresentou uma denúncia ao STF afirmando que Jair Bolsonaro tinha conhecimento do plano Punhal Verde e Amarelo e concordou com ele. Segundo a PGR, o planejamento foi levado ao conhecimento do então presidente, que teria acompanhado o desenvolvimento das ações.
A acusação utilizou, entre outros elementos, registros de reuniões, documentos e mensagens trocadas entre integrantes do grupo investigado. Um dos elementos citados foi um áudio atribuído ao general Mário Fernandes, no qual ele relatava a Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, uma conversa com o então presidente sobre o momento em que ações planejadas poderiam acontecer. A Polícia Federal também concluiu que Bolsonaro tinha conhecimento do planejamento operacional.
Mas, atenção, isso não significa que Bolsonaro foi condenado por ordenar o assassinato de Lula, ok? Em setembro de 2025, o STF condenou o ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, incluindo organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
A condenação reconheceu sua participação e liderança na trama golpista, mas não corresponde a uma condenação autônoma pelo crime de mandar assassinar Lula. Essa diferença é importante para compreender tanto a gravidade das descobertas quanto os limites do que pode ser afirmado sobre a responsabilidade criminal de cada envolvido.
O que o STF decidiu sobre o caso?
O plano Punhal Verde e Amarelo foi um dos elementos examinados pelo Supremo Tribunal Federal nos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado. Em setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro e outros sete réus do chamado Núcleo 1, identificado pela acusação como responsável pela liderança da articulação golpista.
Durante o julgamento, o ministro Alexandre de Moraes apresentou o documento que descrevia o planejamento de ações contra Lula, Alckmin e ele próprio. O STF também julgou integrantes de outros núcleos investigados.
Em novembro de 2025, nove integrantes do Núcleo 3 foram condenados. Esse grupo foi acusado de participar do planejamento de ações violentas, incluindo ataques contra autoridades. Já em dezembro do mesmo ano, cinco integrantes do Núcleo 2 também foram condenados. Entre eles estava Mário Fernandes, apontado como autor do documento Punhal Verde e Amarelo. As condenações envolveram crimes relacionados à tentativa de ruptura da ordem democrática.
O que esse caso tem a ver com a democracia?
Em uma democracia, o resultado de uma eleição determina quem tem o direito de assumir o governo, conforme as regras constitucionais. Em 2022, Lula venceu a disputa presidencial e deveria assumir o cargo em 1º de janeiro de 2023, quando terminaria o mandato de Bolsonaro. As investigações da Polícia Federal e os processos julgados pelo STF identificaram ações de uma organização que buscava impedir essa transferência de poder.
O planejamento de ataques contra autoridades fazia parte, segundo a acusação, de uma tentativa de criar as condições para uma ruptura institucional. É por isso que o Punhal Verde e Amarelo foi investigado no contexto dos crimes contra o Estado Democrático de Direito. A história também mostra a importância de distinguir três coisas: o que uma investigação descobriu, o que uma acusação afirmou e o que a Justiça efetivamente decidiu.
No caso do Punhal Verde e Amarelo, há documentos que registram o planejamento de assassinatos, acusações formais sobre o conhecimento e a participação de integrantes do governo Bolsonaro e condenações por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. Esses fatos ajudam a compreender por que o caso continua sendo discutido, quatro anos depois das eleições de 2022.
Com informações da Capricho




