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visita de Carrie White à biblioteca da escola guarda uma referência que vai além da ficção. No segundo episódio de Carrie, a Estranha, do Prime Video, a adolescente escolhe cinco livros com histórico de banimento ou contestação em escolas dos Estados Unidos.
Na releitura criada por Mike Flanagan, a descoberta da biblioteca amplia o contato da protagonista com histórias e experiências que sua mãe, Margaret White, tenta manter longe dela. O orientador Morton a leva até o espaço, onde Carrie encontra liberdade para escolher o que deseja ler.
A pilha reúne uma distopia, romances de formação, uma autobiografia e uma história ambientada em um hospital psiquiátrico. Na vida real, as restrições a essas obras ocorreram em instituições e redes de ensino específicas, em diferentes momentos. Conheça os títulos que aparecem na cena:
O Conto da Aia, de Margaret Atwood
Em Gilead, um regime teocrático retira direitos das mulheres e controla seus corpos e suas possibilidades de escolha. A história acompanha Offred, obrigada a viver como uma aia em uma sociedade organizada pela repressão.
O livro aborda o uso da religião para controlar mulheres, tema também presente na relação entre Carrie e Margaret. Segundo a American Library Association (ALA), a obra já foi banida e contestada sob alegações de linguagem vulgar e referências sexuais.
Quem é você, Alasca?, de John Green
O primeiro romance de John Green acompanha Miles Halter, que deixa sua cidade para estudar em um internato no Alabama. Lá, ele conhece Alasca Young e passa a viver novas experiências de amizade e descoberta.
A ALA registra tentativas de retirar o livro por linguagem considerada ofensiva e conteúdo apontado como sexualmente explícito. A obra também aparece nos levantamentos de livros banidos em escolas realizados pela PEN America, organização que defende a liberdade de expressão.
A noite passada no Telegraph Club, de Malinda Lo
Ambientado em 1954, o romance acompanha Lily Hu, uma adolescente americana de origem chinesa que se apaixona por Kathleen Miller. O relacionamento se desenvolve em meio ao racismo, à homofobia e à perseguição política daquele período.
A história leva as personagens a um bar lésbico chamado Telegraph Club. Em seu site, Malinda Lo documenta banimentos, restrições e contestações à obra, incluindo pedidos que atacam seu conteúdo sexual e a representação de relações entre garotas.
Eu sei por que o pássaro canta na gaiola, de Maya Angelou
Nessa autobiografia, Maya Angelou revisita sua infância e adolescência no sul dos Estados Unidos. Racismo, violência sexual e a relação com a literatura atravessam o relato de como a escritora passou a construir sua própria voz.
O livro tem um histórico de banimentos e contestações que citam suas representações de abuso, sexualidade, racismo e o uso de linguagem considerada explícita.
Um estranho no ninho, de Ken Kesey
A história se passa em um hospital psiquiátrico e acompanha o conflito entre McMurphy e a enfermeira Ratched, responsável por impor uma rotina de controle aos pacientes. O romance também deu origem ao filme de 1975, estrelado por Jack Nicholson.
A ALA documenta retiradas da obra de bibliotecas escolares e listas de leitura desde a década de 1970. Entre os argumentos usados para tentar censurá-la estão acusações de conteúdo pornográfico, violência e suposta valorização de comportamentos criminosos.
Como os livros entram na vida de Carrie?
O interesse pela leitura começa antes da chegada à escola. Sua vizinha, Stella, apresenta à menina histórias que existem fora do universo religioso imposto pela mãe. Em um flashback, Carrie vê a vizinha com Boy Proof, de Cecil Castellucci, e pergunta se aquele livro é uma espécie de Bíblia.
A Cor Púrpura, de Alice Walker, também aparece nas mãos de Stella. Já 1984, de George Orwell, surge com uma garota em uma instituição misteriosa. As referências literárias acompanham a trama para além dos cinco títulos escolhidos na biblioteca.
O banimento de livros nos EUA em números
No ano letivo de 2025–2026, a PEN America registrou 11.982 ocorrências de banimento em escolas públicas americanas, envolvendo 7.370 títulos diferentes. Foi o maior número anual registrado desde que a organização começou a acompanhar esses casos, em 2021.
Uma mesma obra pode aparecer mais de uma vez no levantamento ao ser retirada em diferentes lugares. As decisões variam entre instituições, distritos escolares e estados; os registros não significam que todos esses títulos estejam proibidos em todo o país.
Segundo a organização, muitos dos autores mais atingidos abordam racismo, identidade de gênero, sexualidade ou violência sexual em suas obras. O próprio Stephen King, autor de Carrie, liderou a lista de escritores mais banidos daquele ano letivo, com 312 ocorrências em 30 distritos escolares. Entre os livros afetados estavam It, Christine e Sobre a Escrita.
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Com informações da Capricho




