As constantes intrigas nos bastidores de “Two and a Half Men” nunca foram segredo para ninguém. No entanto, Chuck Lorre, cocriador da série, afirmou que a situação era muito mais grave do que se imaginava. Nesta terça-feira (13), o showrunner lançou o livro “Sitcom: A Memoir by Chuck Lorre”, com revelações inéditas sobre a atração. Ele ainda expôs as preocupações que tinha com Charlie Sheen e a segurança do restante do elenco e da equipe nos últimos dias de gravação do ator.
“Acho que posso falar por todos que trabalhavam na série naquela época: estávamos com medo de que algo terrível acontecesse. Tínhamos medo de que Charlie se machucasse, de que alguém mais se machucasse”, contou Lorre ao E! News. O produtor explicou que, naquele momento, a preocupação já tinha ultrapassado os problemas de comportamento do ator.
“Tratava-se de uma situação em que as nossas pessoas, incluindo o nosso amigo e estrela do espetáculo, corriam perigo físico, e as pessoas à sua volta também corriam perigo. Foi uma época assustadora, muito assustadora, e levei muitos anos para conseguir colocar tudo em perspectiva”, descreveu.


No livro, Lorre conta que, após sete anos de sucesso, a situação começou a mudar durante a oitava temporada. Na época, Sheen passou a faltar com frequência aos compromissos da produção e uma das preocupações era, inclusive, se o astro voltaria ao set depois do fim de semana. Em certo momento, ele chegou em um limite.
“Ele não conseguia se lembrar de nenhuma de suas falas e teve que usar os móveis para se manter em pé. Melanie [Lynskey, a Rose] estava apavorada. Ficou claro para todos que aquele homem, por quem todos nós tínhamos desenvolvido carinho, estava em apuros. Não tive outra escolha a não ser encerrar a série”, escreveu Lorre, em trecho do livro publicado pela Vanity Fair.


Entre as desculpas estavam intoxicações alimentares e visitas frequentes ao dentista. Em uma ocasião, o ator teria deixado de comparecer a um ensaio porque um isqueiro explodiu e queimou seus cílios. O produtor ainda relembrou que o empresário de Sheen chegou a viajar pelos EUA com uma mala cheia de dinheiro para comprar uma gravação íntima do artista. “Ele é o Charlie Sheen. Sexo é meio que a marca registrada dele. Quem se importa com um vídeo íntimo?”, questionou Lorre na época.
Após uma pausa, Lorre propôs a gravação de mais dois episódios antes de um intervalo de três meses, mas Sheen queria fazer quatro episódios. Hoje em dia, o produtor acredita que a insistência estava relacionada a dívidas, já que o ator chegou a perder US$ 500 mil (cerca de R$2,5 milhões) em apostas.
Na publicação, Lorre contou que chegou a recorrer ao pai do artista, Martin Sheen, e executivos da Warner Bros. e da CBS, que ofereceram um jato particular do estúdio para levar Sheen a uma clínica de reabilitação. Inicialmente, o artista teria concordado, mas depois preferiu fazer uma “desintoxicação em casa”.
Em 2011, Sheen passou a atacar publicamente Lorre. Em uma carta aberta, ele chamou o produtor de “verme” e desejou que ele tivesse “sofrimento”. O produtor ainda relatou que sugeriu deixar o programa, mas o próprio estúdio optou por demitir o ator.


A relação entre os dois voltou ao normal anos depois, quando Lorre desenvolvia a série “Bookie”. Ele escalou Sheen para interpretar uma versão de si mesmo e elogiou o reencontro: “Pelo que sei, ele estava numa ótima fase da vida, aquela loucura ficou para trás. E nos divertimos muito. Gravamos alguns episódios de ‘Bookie’ com Sebastian Maniscalco, e ele arrasou. Ele estava hilário interpretando a si mesmo com um sério problema de jogo”.
Mesmo após a saída de Sheen, “Two and a Half Men” continuou no ar. Ashton Kutcher assumiu o protagonismo como Walden Schmidt, e a série ganhou mais quatro temporadas antes de chegar ao fim.
Com informações do Portal Hugo Gloss




