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urante a maior parte da vida, nós, mulheres, somos obrigadas a conviver com o confuso, irritante e assustador (para algumas) ciclo menstrual. O bombardeio de emoções e sintomas que é a menstruação, muitas vezes, tira nossa atenção e atrapalha nosso desenvolvimento no dia a dia.
Neste texto, quero falar não só dos obstáculos corriqueiros, mas também da relação entre menstruação e estudos para mulheres inseridas em diferentes contextos sociais, além de colocar em pauta o óbvio que não é muito dito: a menstruação não deve ser motivo de vergonha!
Tenho certeza de que grande parte das leitoras, alguma vez, já foi pega de surpresa pela menstruação na escola e continuou o dia inteiro com vergonha, pensando se alguém repararia na mancha de sangue no uniforme ou se o absorvente estava “marcando”. Ou não quis participar de uma aula de educação física porque estava com cólica, mas, mesmo assim, participou, com medo de pensarem que era “mimimi”. Ou ainda teve sua nota prejudicada por conta do estresse relacionado às alterações hormonais.
Situações como essas acabam virando rotina para muitas de nós, mas o constrangimento e o desconforto não deveriam ser normais. A escola deveria ser um ambiente acolhedor para garotas e pessoas que menstruam, com medidas e práticas que facilitassem nossas vidas durante o período menstrual.
Quando falamos de meninas de baixa renda, há uma barreira ainda maior: a falta de itens de higiene menstrual. Se elas não conseguem comprar absorventes, isso significa que podem não conseguir ir à escola durante o período menstrual. Isto é, algumas meninas são impedidas de garantir seu direito fundamental à educação por conta de um impasse que vem com o ciclo menstrual e com a falta de recursos. Por isso, organizações como a ONG Fluxo sem tabu lutam para garantir dignidade menstrual para meninas e mulheres de baixa renda.
Para completar o nosso pacote de estresse diário, a menstruação ainda é tratada como polêmica, como um “tabu” que precisamos esconder a todo custo. Já reparou como as pessoas sussurram ao falar sobre o assunto? Como as meninas emprestam absorventes às escondidas na aula para que ninguém veja? Ou apelidam a menstruação de nomes fofos para disfarçar, como “virar mocinha” ou estar “naqueles dias”?
Entendo que esse tema ainda seja motivo de vergonha para algumas meninas, mas, para que haja mudança, é preciso falar abertamente sobre ele. Assim, os meninos da sua sala vão, finalmente, parar de ridicularizar o ciclo menstrual e entender que ele faz parte da vida de milhões de pessoas e é completamente normal. E todas nós, garotas, vamos nos sentir mais seguras e livres.
Por mais que a menstruação pareça um bicho de sete cabeças em grande parte do tempo, ela mostra como somos fortes em dobro, já que temos que passar por vestibulares, provas e estudos e ainda fazemos tudo isso menstruadas — e muitas vezes com cólicas terríveis, diga-se de passagem.
Além disso, volto a dizer: o ciclo menstrual não é pra servir de chacota ou para polemizar, mas, sim, como algo que faz parte da nossa rotina. E, sinceramente, usar apelidos não ameniza a montanha-russa que é a menstruação. Então, “mocinha”, não. Pode dizer que eu menstruei, tá?
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Com informações da Capricho




