O repórter Kennedy Santos, do ac24horas, voltou às ruas de Rio Branco nesta quinta-feira (8)para ouvir moradores mais experientes sobre política, prioridades para o futuro e a relação com os candidatos. Entre a Vila Acre e o Mercado do Bairro 15, apenas três pessoas aceitaram dar entrevista. Segundo o repórter, muitos recusaram por medo do julgamento nos comentários das redes sociais.
Para o aposentado Francisco de Assis, de mais de 70 anos, a mudança na política precisaria ser completa. “Tudo, porque a maioria promete, mas não faz”, afirmou. Ele citou a falta de indústrias no estado, inclusive para o aproveitamento do açaí, e disse que não ouviu proposta de nenhum candidato sobre o tema. “Eles não se juntam para saber fazer”, declarou.
A empreendedora Fran Rodrigues, entrevistada no Salão das Divas, no Mercado do Bairro 15, afirmou que não ouviu nenhuma proposta voltada ao setor durante a campanha. “Como nós trabalhamos nessa área, a gente queria que eles falassem alguma coisa sobre empreendedores. Mas em nenhum momento a gente ouviu falar”, disse.
Já o aposentado Francisco Barroso apontou a permanência prolongada no poder como o maior erro da política. “O maior erro é deixar um político 8, 10, 20, 30 anos dentro do comando”, afirmou. Para ele, cada político deveria cumprir apenas um mandato de quatro anos. Barroso também atribuiu parte da responsabilidade ao eleitor. “O culpado somos nós. Nós somos culpados disso aí.”
Francisco de Assis disse que não se sente ouvido pelos candidatos e que os idosos são esquecidos. “O idoso está passando, o idoso é velho, a gente não existe”, declarou. Ele contou que já votou muitas vezes e que ainda pretende votar, mas que nunca recebeu visita ou mensagem dos candidatos que escolheu. “A gente vota, procura aquele que vai fazer alguma coisa. Aí bota lá em cima e, no fim, nada faz.”


Para Fran Rodrigues, a saúde deve ser a prioridade de quem assumir o Governo do Acre. Ela relatou experiências difíceis na rede pública, principalmente com a filha, que nasceu com gastrosquise. “Eles aparecem só nessa época. Depois não procuram para saber a necessidade do povo”, afirmou. Segundo a empreendedora, os políticos até escutam a população nas reuniões, mas não colocam em prática o que ouvem. Ela também citou a demora no atendimento nas UPAs e a insegurança nas escolas, onde, na avaliação dela, deveria haver policiamento. “O diretor não tem culpa, o professor não tem culpa. Quem tem culpa é o governo.”
Francisco Barroso afirmou que o trabalhador é quem mais sofre no país e mostrou descrença na troca de governantes. Ele citou bairros alagados e esgotos sem funcionamento adequado. “Eu perdi a esperança da política, eu perdi a esperança do homem. Eu não acredito mais no homem, de maneira alguma, porque mente”, disse. Segundo ele, muitas pessoas têm medo de cobrar os políticos diretamente porque não veem resultado. O aposentado contou que conversou frente a frente com candidatos a deputado federal e estadual e pediu que deixassem de ser mentirosos.
Francisco de Assis lembrou do último candidato em quem votou e disse que ele não voltou à comunidade, mas reconheceu melhorias na capital. “Rio Branco, eu vejo hoje uma grande melhora”, afirmou. Ainda assim, ele disse que não vê motivos para otimismo e que as promessas de campanha perderam a credibilidade.
Fran Rodrigues avaliou que cobrar os governantes se tornou difícil. “A gente procura e não vê resultado”, declarou.
Francisco Barroso disse que, após a eleição, a maioria dos candidatos não volta mais para conversar com os eleitores. Para o aposentado, a população sente falta desse retorno. “O povo quer resposta.”
Da redação ac24horas
Com informações do ac24horas




