10 pontos para entender o resultado das urnas na Eleição de 2026

Projeto da CAPRICHO te informa sobre os principais pontos da corrida eleitoral. (jvbarreto/CAPRICHO)


S

e você foi dormir antes de terminar a apuração ou abriu as redes sociais nesta segunda-feira (5) tentando montar o quebra-cabeça eleitoral, a gente te ajuda. Mais de 158 milhões de brasileiros estavam aptos a participar do primeiro turno das Eleições 2026 neste domingo (4).

Além de presidente, os eleitores escolheram governadores, dois senadores por estado, deputados federais e deputados estaduais ou distritais. A votação definiu boa parte de quem vai ocupar esses cargos a partir de 2027, mas algumas disputas continuam abertas. O CH na Eleição separou os principais números e acontecimentos para você entender o que saiu das urnas e se preparar para o segundo turno.

1. A eleição para presidente ainda não acabou

A disputa pela Presidência terá segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com 99,99% das urnas apuradas na madrugada desta segunda-feira, Flávio recebeu 56.104.268 votos, ou 47,03% dos votos válidos. Lula teve 53.876.617 votos, equivalentes a 45,16%.

Como nenhum candidato alcançou mais da metade dos votos válidos no primeiro turno, os dois seguem para uma nova votação. E já pode marcar a próxima data eleitoral no calendário: o segundo turno acontece em 25 de outubro, ok? 

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Um lembrete importante: segundo turno é uma nova eleição. Os percentuais do primeiro turno não são transferidos automaticamente para a segunda votação, e os eleitores voltam às urnas para escolher entre as duas candidaturas.

2. A diferença entre os dois foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos

Foram 2.227.651 votos de diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula no primeiro turno. Para ter dimensão do número, os dois juntos concentraram mais de 92% dos votos válidos para presidente. Além disso, foram contabilizados cerca de 2,3 milhões de votos em branco e 3,67 milhões de votos nulos na eleição presidencial. No Brasil, votos brancos e nulos não entram no cálculo dos votos válidos e, portanto, não são atribuídos a nenhum candidato.

3. Agora, a disputa muda

Com apenas duas candidaturas à Presidência, começa uma nova fase da campanha. Segundo o calendário do TSE, a propaganda eleitoral gratuita de segundo turno no rádio e na televisão acontece entre 9 e 23 de outubro. E atenção: para quem não votou no primeiro turno ainda é possível votar no segundo, viu? Cada turno é considerado uma eleição independente pela Justiça Eleitoral.

4. Vinte estados já escolheram seus governadores

A Presidência não foi a única disputa importante do domingo. Em 20 estados, a eleição para governador terminou no primeiro turno, porque um candidato conseguiu mais de 50% dos votos válidos.

Entre os estados que já definiram seus governadores estão Minas Gerais, onde Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito; Paraná, com Sergio Moro (PL); Pernambuco, onde Raquel Lyra (PSD) foi reeleita; Ceará, que reelegeu Elmano de Freitas (PT); e Pará, com Dr. Daniel (Podemos). Nos outros seis estados e no Distrito Federal, a decisão ficou para 25 de outubro.

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Isso significa que, enquanto alguns brasileiros voltarão às urnas apenas para escolher o presidente, eleitores desses lugares terão também uma segunda escolha para fazer: o governo estadual.

5. O Senado vai mudar bastante em 2027

Talvez você tenha prestado mais atenção à Presidência, mas uma das grandes mudanças provocadas pelas urnas aconteceu no Congresso. Neste ano, estavam em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, porque a Casa renova alternadamente um terço e dois terços de seus integrantes a cada eleição.

Dos 54 senadores escolhidos, 40 serão novos ocupantes das cadeiras e 14 foram reeleitos. Dos 32 senadores que tentaram continuar no cargo, 14 conseguiram a reeleição. E isso importa porque senador não fica quatro anos no cargo: o mandato dura oito anos. Ou seja, as pessoas escolhidas neste domingo poderão participar da votação de leis, indicações para tribunais superiores e outras decisões do Congresso até 2035.

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6. O PL terá a maior bancada no Senado

A composição partidária da Casa também mudou. Com os resultados deste domingo, o PL terá a maior bancada do Senado no início da próxima legislatura. Segundo o Senado, será a maior bancada que um partido terá no começo de uma legislatura desde a Constituição de 1988.

Esse número é importante porque o tamanho das bancadas influencia a organização do Congresso, incluindo a participação dos partidos em comissões e negociações sobre projetos. Vale lembrar também que o presidente da República não governa sozinho: propostas de novas leis e mudanças constitucionais passam pelo Congresso, formado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

7. Doze mulheres foram eleitas para o Senado

Outro número para acompanhar é a presença feminina. Doze mulheres foram eleitas senadoras neste primeiro turno. Entre elas estão Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), pelo Distrito Federal; Marina JHC (PSDB), por Alagoas; Rayssa Furlan (Podemos), pelo Amapá; Luizianne Lins (Rede), pelo Ceará; Gracinha Caiado (União), por Goiás; Marília Campos (PT), por Minas Gerais; Marília Arraes (PDT), por Pernambuco; Samanda de Lula (PT), pelo Rio Grande do Norte; Mara Rocha (Republicanos), pelo Acre; Teresa Surita (MDB), por Roraima; e Carol de Toni (PL), por Santa Catarina.

O Distrito Federal terá ainda uma situação inédita: pela primeira vez, suas três cadeiras no Senado serão ocupadas simultaneamente por mulheres. Mesmo com as novas eleitas, acompanhar a presença feminina no Congresso continua relevante porque as mulheres representam a maioria do eleitorado brasileiro. Em 2026, eram 83,8 milhões de eleitoras, ou 52,84% das pessoas aptas a votar.

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8. Mais de 1,6 milhão de adolescentes como você votaram

Essa eleição também teve uma galera que ainda nem é obrigada a votar. Segundo dados do TSE, cerca de 1,6 milhão de adolescentes de 16 e 17 anos estavam aptos a participar das Eleições 2026. Nessa idade, o voto é facultativo: quem tem 16 ou 17 anos pode escolher participar, mas não recebe multa nem precisa justificar caso não vote.

Considerando todos os eleitores com até 18 anos, o país tinha cerca de 3,57 milhões de pessoas aptas a votar nessa faixa etária. O número de eleitores com até 18 anos, porém, caiu em relação à eleição presidencial anterior. Em 2022, eram aproximadamente 4,18 milhões, contra 3,57 milhões em 2026, uma redução de 14,52%.

9. A Geração Z também conquistou espaço

Dois nomes ajudam a dimensionar esse cenário: Nikolas Ferreira (PL-MG), de 30 anos, e Lucas Pavanato (PL-SP), de 28, foram os candidatos a deputado federal mais votados do Brasil em números absolutos. Os dois ultrapassaram a marca de 3 milhões de votos.

Nikolas, que já era deputado federal, foi reeleito por Minas Gerais com 3.119.318 votos. O resultado representa 24,7% do total de eleitores que compareceram às urnas no estado. Ele começou sua trajetória eleitoral em 2020, quando foi eleito vereador de Belo Horizonte. Dois anos depois, chegou à Câmara dos Deputados com 1.492.047 votos. Durante o primeiro mandato, ocupou funções como vice-líder da oposição, do PL e da minoria, presidiu a Comissão de Educação e tornou-se 3º vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça.

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Já Lucas Pavanato foi eleito deputado federal por São Paulo com 3.038.438 votos, o equivalente a 11,5% dos eleitores que compareceram às urnas no estado. Ele tentou pela primeira vez um cargo eletivo em 2022, quando recebeu cerca de 36 mil votos para deputado estadual e ficou como suplente. Em 2024, foi eleito vereador da cidade de São Paulo com aproximadamente 161 mil votos. Agora, aos 28 anos, deixa a Câmara Municipal para assumir uma cadeira no Congresso.

A votação dos dois também estabeleceu um novo patamar numérico nas eleições para a Câmara. Pela primeira vez, dois candidatos a deputado federal ultrapassaram 3 milhões de votos em uma mesma eleição.

E eles não foram os únicos políticos mais novos entre as maiores votações. Érika Hilton (PSOL-SP), de 33 anos, foi reeleita com 1.596.472 votos, ficando atrás de Nikolas e Pavanato em número absoluto de votos para deputado federal – ganhando o título de mulher mais votada em São Paulo. Na sequência da lista nacional aparecem André Fernandes (PL-CE), com 684.732; Sâmia Bomfim (PSOL-SP), com 583.107; Julia Zanatta (PL-SC), com 560.223; e Ana Elisa (PT-MG), com 524.129 votos.

Entre os nomes ainda mais jovens, Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, foi eleita deputada federal por Minas Gerais com 524.129 votos. Já Alvinho Lira (PP-AL) foi eleito aos 20 anos e poderá assumir o mandato após completar a idade mínima constitucional de 21 anos para o cargo.

Nos Legislativos estaduais, a juventude também apareceu entre votações de grande volume. Em São Paulo, por exemplo, Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, recebeu 1.956.238 votos para deputada estadual, a maior votação para a Assembleia Legislativa paulista nesta eleição.

Os resultados colocam ainda outro elemento no radar: vários desses candidatos mantêm forte atuação nas redes sociais, que são também um dos principais espaços de contato dos jovens com conteúdo político. Isso não significa que o tamanho de uma audiência digital explique sozinho o resultado das urnas, mas torna relevante acompanhar como campanhas, debates e discursos políticos circulam pelas plataformas e chegam ao eleitorado mais novo.

Ao mesmo tempo, o número de eleitores adolescentes caiu em comparação com a última eleição presidencial. Segundo o TSE, 3.571.159 eleitores com até 18 anos estavam aptos a votar em 2026, uma redução de 14,52% em relação aos 4.177.627 registrados em 2022.

1o. E o que acontece agora?

Para a Presidência e para os governos estaduais que não foram definidos, começa oficialmente a reta final. Lula e Flávio Bolsonaro voltam às urnas em 25 de outubro, quando os brasileiros escolherão quem ocupará a Presidência da República a partir de janeiro de 2027.

Até lá, a campanha continua, com propaganda eleitoral, entrevistas, debates e novas discussões sobre as propostas dos candidatos. E o CH na Eleição continua junto nessa também.

Nas próximas semanas, vamos explicar as propostas apresentadas pelos dois candidatos, acompanhar os principais acontecimentos da campanha e trazer serviço para quem vai voltar às urnas.

 

 

 

 

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