Abstenção bate recorde e vai a 21%, com mais de 33 milhões de ausentes

SP lidera ações na Justiça por assédio eleitoral no trabalho; veja ranking

RIO DE JANEIRO, RJ, MONTERREY, MÉXICO E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O primeiro turno das eleições deste ano registrou 21,08% de abstenção, a maior já vista no primeiro turno, com 33,4 milhões de brasileiros ausentes, de acordo com dados da Justiça Eleitoral apurados em 99,9% das urnas.

Na última eleição presidencial, de 2022, o índice foi de 20,79%, com 32,7 milhões de brasileiros ausentes no primeiro turno.

Os votos inválidos, que representam a soma entre os brancos e os nulos, totalizaram 4,77% (com 2,93% de nulos e 1,84% de brancos) na disputa presidencial. Há quatro anos, o índice de inválidos foi de 4,25% no primeiro turno, com 1,43% de brancos e 2,82% de nulos.

A abstenção cresce desde 2006, com alta de 4,2 pontos percentuais desde então.

A última eleição presidencial teve pela primeira vez uma queda do não comparecimento às urnas no segundo turno, registrando 20,57%. Especialistas atribuem a reversão ao acirramento da disputa entre o presidente Lula (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os estados com a maior taxa de abstenção neste primeiro turno foram Mato Grosso do Sul (23,87%), Rio de Janeiro (23,32%), Minas Gerais (22,79%) e São Paulo (22,54%), locais em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) teve mais votos do que o presidente Lula.

Os menores percentuais foram registrados no Ceará (15,52%), Roraima (17,12%), Piauí (17,16%) e Sergipe (17,30%). À exceção do estado da região Norte, os demais deram vitórias a Lula.

Dados da Justiça Eleitoral na eleição de 2022 indicam que o perfil dos eleitores que se abstém é formado majoritariamente por homens, com menor grau de instrução e nas faixas etárias entre 21 e 29 anos e acima de 70 anos -nesta última faixa, o voto não é obrigatório.

Em 2022, analfabetos registraram 52% de abstenção no primeiro turno e 49,3% no segundo. Entre os eleitores com ensino superior completo, a taxa foi de 12,4%.

Os dados detalhados sobre o perfil de ausentes do primeiro turno de 2026 ainda não estão disponíveis.

O pleito deste ano teve o menor engajamento nas campanhas desde a redemocratização. É a primeira eleição em décadas sem debate entre os principais candidatos e o grau de interesse medido nas pesquisas é baixo.

Cientistas políticos afirmam que não existem pesquisas que ofereçam um diagnóstico sobre o fenômeno. Descrevem, porém, um somatório de hipóteses para a persistência da abstenção a cada eleição geral deste século.

Além de uma ressaca das duas últimas disputas, apontada por especialistas, as razões da abstenção vão da dificuldade para acessar os locais de votações, mais comum na região amazônica e pequenas cidades, até a desatualização do cadastro de eleitores.

O voto é obrigatório para todas as pessoas entre 18 e 70 anos, à exceção de analfabetos. O eleitor pode justificar sua ausência por meio do aplicativo e-Título, do TSE, sem necessidade de documento comprobatório. Caso não o faça no prazo, paga uma multa de R$ 3,51 por turno em que não compareceu. O título é cancelado após três ausências.

Em 2025, 5 milhões de pessoas tiveram o título cancelado após faltarem nos últimos três pleitos.

A facilidade em deixar de votar, para especialistas, também se reflete na queda paulatina dos votos inválidos para diferentes cargos. Em 2018, por exemplo, a soma dos votos branco e nulo foram de 8,79%. Em 2002, foi de 10,39%.

Por esta interpretação, os eleitores estariam privilegiando a abstenção em contraponto ao registro de votos inválidos nas urnas.

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