Tião Bocalom
Bocalom fez teatro e talhou o primeiro violão na marcenaria do pai
O decano dos candidatos ao Governo do Acre tem uma história diferenciada. Com 73 anos, o paranaense Tião Bocalom, da bucólica cidade de Bela Vista do Paraíso, região norte do Paraná, teve uma infância difícil, típica de uma família pobre. Trabalhou como boia-fria até os 15 anos e depois foi ajudar o pai na pequena marcenaria.
Era ali, entre pó de serra e o maquinário que o jovem passava os domingos, fazendo o que ele chama de “pequenas experiências Físicas”: a expressão serve para lembrar que ele criava cortadores de isopor, campainhas e motores elétricos. Sempre acompanhado de livros de Física.
A família pobre e o ritmo lento de um vilarejo no interior do Paraná nos idos dos anos 50 não proporcionavam muita agitação para o jovem que já começava a criar pelo no rosto. O futebol era a diversão de maior entusiasmo. Aliás, foi o momento em que começou a se diferenciar do pai, ex-jogador do Londrina na década dos 40.
A experiência do pai no futebol amador trouxe uma consequência traumática para o jovem Bocalom. “Meu pai dizia que jogador de futebol era tudo vagabundo. Ele não me deixava jogar bola. O máximo que eu fazia com bola era colocar uma pernamanca em pé e ficava brincando sozinho. Mas correr no campo o meu pai não deixava de jeito nenhum”, lembra Bocalom. “Eu até tinha uma tendenciazinha. Por isso, você vê eu fazendo uns gols de placa por aí, hoje. A bola parada eu consigo bater bem nela”.
Sem poder mostrar talento em campo, o jeito foi se diferenciar do pai na torcida. O pai corintiano não conseguiu tirar o encanto do menino com as peripécias de Pelé. “Meu pai dizia que eu era ‘pelezista’. Eu não era santista. Cada lance era mais extraordinário que o outro, costurado pela imaginação que o rádio provoca. Os jogos pelo rádio são sempre mais espetaculares. Sobretudo com Pelé em campo.
Na escola, a liderança entre os alunos era sempre presente. Em uma cidade sem muitas festas, os bailes estudantis eram os grandes eventos. Bocalom ajudou a promover muitos dos bailes, já na condição de presidente do grêmio estudantil. Foi nessa época em que começou a surgir o interesse pela música e pelo teatro. “A partir dos 16, 17 anos, comecei a fazer teatro e comecei a tocar violão”, afirmou. Daí começaram as primeiras serenatas. “Meu primeiro violão foi eu que fiz. Não tinha dinheiro. Fiz na marcenaria do meu pai”.
Mas o grande momento para o já adolescente Bocalom era o cinema. “Eu fazia de tudo para arranjar um dinheirinho para ir para o cinema. Que coisa mais gostosa!”, recorda-se. “Kozara – Montanha Heróica” foi o filme que mais marcou a vida de Bocalom. É um drama bélico dirigido pelo iugoslavo Veljko Bulajić que mostra como um grupo de camponeses iugoslavos resistiu à invasão nazista. O filme é de 1962.
Aos 18 anos, Bocalom foi vítima de perseguição política. “Eu via que a classe política usava o poder público para ganhar dinheiro e eu nunca concordei com isso. Juntei um grupo de jovens e nós fomos pra cima. Acabamos perdendo por mixaria (sic). Quando o prefeito assumiu, ele imediatamente me mandou embora”, lembrou, sem conseguir esconder um certo orgulho por ter perdido a eleição defendendo alguém que ele considerava honesto e correto.
Na vida política no Acre, um período marcante na trajetória de Bocalom foi quando passou 21 dias em expedição pela região do Rio Juruá. Lembrou de uma casa que visitou em que a mulher só tinha um peixe para toda a família. Peixe sem sal porque não havia em casa. “Quero ser governador para acabar com isso. Para acabar com essas situações”, diz.
Thor Dantas: violão e diploma são as armas do militar da Reserva do Exército Brasileiro
Franzino, com um sotaque que denuncia certa intimidade com o “carioquês”. O cabelo repartido “de lado”, como as mães sempre faziam há algum tempo. O jeito um tanto tímido com tendência à introspecção. Em contraste, relaxa a mente machucando o violão e a guitarra mantidos no escritório de trabalho, de onde saem constantes interpretações da Legião Urbana, Paralamas e, claro, Raul Seixas.
Quem vê nem imagina, mas Thor Dantas é um militar da reserva. A carta-patente exibida nas redes sociais comprova que ele é Oficial da Reserva do Exército Brasileiro. Conquistou esse título por um compromisso com o Acre. Após se formar em Medicina, em 1997, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, decidiu voltar ao Acre. Se auto-impôs uma dívida e queria saná-la. Formalizou o pedido. É tudo o que o Exército quer: um jovem, recém formado, atuando como médico e querendo exercer a profissão em regiões isoladas da Amazônia.
Mal sabia o Exército que a ideia de “Braço Forte Mão Amiga” estava muito aquém do que o jovem queria fazer. Com especialização em Hepatologia, Infectologia e Clínica Médica pela Universidade de Brasília, ele queria acabar com as mazelas do seu povo. A desnutrição, as hepatites, as doenças mais banais como rotina de um povo tão trabalhador. Aquela injustiça não estava certa. Ele queria mudar o cenário que encontrou na região do Vale do Rio Juruá no final dos anos 90.
O retorno ao Acre praticamente coincidiu com a chegada do amigo Jorge Viana ao Governo do Estado em 1999. “Foi uma feliz coincidência”, alegrou-se em declaração a um programa que gravou recentemente sobre Saúde. “Chegava ao Governo um grupo que queria promover mudanças e se planejava para executar essas mudanças na prática, na vida prática das pessoas e isso me estimulava”.
Na administração do amigo Binho Marques no governo, Thor Dantas fez parte da gestão compartilhada da Secretaria de Estado de Saúde. Formavam o grupo Osvaldo Leal, Sérgio Roberto e Rosa Nakamura. Thor respondia às questões técnicas ligadas à Saúde Coletiva. Não era responsável direto pela gestão.
Foi também diretor do Pronto Socorro de Rio Branco e da Fundação Hospital do Estado do Acre (Fundhacre).
Na pandemia de Covid-19, foi um dos profissionais mais requisitados. Praticamente, todas as decisões mais estratégicas passavam pelas medidas e auscultação de Thor Dantas. Ele próprio, por muito pouco, não foi vítima da doença. Precisou ser entubado e ficou na UTI. Foi por um triz.
No pleito de 2026, Thor Dantas passa pela segunda vez pelo teste das urnas. Em 2022, foi candidato a deputado federal pelo PSB. Mas pegou balsa. Ganhar ou perder eleições é uma rotina que está na gênese de Thor. Ele é sobrinho-neto do ex-governador Vanderley Dantas e do senador Mário Maia. Nesse pleito, demonstrou ter personalidade política. “Eu não posso responder pelas falhas dos meus amigos. Eu estou aqui para fazer a defesa do meu trabalho e das minhas propostas. Eu sou Thor Dantas e meu número é 40”, diferenciou-se.
Mailza Assis Cameli
O destino ligado ao sobrenome Camelí e a prova das urnas
O nome de batismo em uma pia de uma igreja de Novo Mundo, no interior de Mato Grosso do Sul, é Mailza Assis da Silva. A menina, filha dos agricultores Milton Miranda e Maria Gorete Costa de Moraes da Silva, ficou até aproximadamente 20 anos de idade, quando acompanhou a irmã que morava em Rondônia.
Em uma das viagens que fizeram juntas, chegaram a Senador Guiomard. A partir daí, a história de Mailza Assis da Silva muda. E muda radicalmente. Foi ali que conheceu o futuro esposo, que, inclusive, viria a ser o seu primeiro esposo, o prefeito da cidade, James Gomes. As primeiras relações políticas começam a se consolidar. Chega a assumir o cargo de secretária de Administração e depois de Assistência Social de Senador Guiomard.
Conhece Gladson Camelí. E essa informação é importante porque cria uma referência política fundamental na vida da jovem gestora. É a partir dessa relação com Gladson que a carreira política de Mailza Assis tem ascensão extraordinária. Em 2014, é eleita primeira suplente de Gladson ao Senado.
Quando Gladson é eleito governador do Acre na chapa junto com Wherles Rocha, Mailza Assis Gomes assume uma cadeira no Senado. Foi a quarta a representar o Acre no Senado.
Em 2022, disputa com Gladson Camelí na condição de vice-governadora. São eleitos no primeiro turno. E ela assume, junto com a vice-governadoria, a secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos.
Mais uma vez, o destino político de Gladson Camelí impacta o de Mailza. Quando deixa o cargo de governador para se candidatar ao Senado, Gladson coloca a responsabilidade de condução do Governo do Acre nos ombros de Mailza Assis. Isso aconteceu em 2 de abril de 2026. A reeleição da agora governadora Mailza Assis Camelí, após casamento com Madson Camelí, primo do ex-governador, é um importante marco para a vida política dela. É a primeira vez que ela lidera um processo eleitoral e passa pela avaliação direta do eleitor.
Alan Rick
Filho de agricultores, Alan Rick se aventura na poesia, no jornalismo e nas urnas
Alan Rick não é um político com história ligada ao Jornalismo. Isso diz apenas uma fração da história dele. É preciso contar o perfil de Alan a partir de uma característica menos conhecida: o homem é poeta. E poeta premiado nacionalmente. Participou duas vezes de encontros nacionais de poesia. Em todos foi premiado entre os primeiros lugares.
Tudo bem que julgar esteticamente um poema é sempre um problema polêmico a ser equacionado, discutido e resolvido. Mas o fato é que só o fato de o sujeito sair do Acre adolescente, filho de pessoas simples, ligadas à agricultura, e apresentar versos para o Brasil todo ouvir e ainda ser premiado, é preciso admitir que é um feito e tanto.
Pois isso encorajou o rapaz. Publicou três livros: O Efêmero e o Eterno (1999); Reflexo D’Alma (2004) e Reflexo D’Alma (edição revista e ampliada), em 2006.
Mas foi no Jornalismo que Alan Rick Miranda se transformou apenas em “Alan Rick”. O “Miranda” soa muito burocrático. Talvez, mais adequado a um servidor do Centro de Zoonoses ou a um assessor de escritório de contabilidade. Os microfones das rádios de Rio Branco e da bancada da TV Gazeta exigiam um nome mais artístico. Foram quase 20 anos conduzindo os programas jornalísticos de maior audiência da televisão acreana: Gazeta em Manchete e Gazeta Entrevista.
O programa de entrevistas, sobretudo, deu a Alan Rick o conhecimento e as relações necessárias para as costuras políticas estratégicas. Ali, o jovem foi acumulando informações e, mais que isso, formando uma percepção sobre a prática política, tanto no plano regional quanto nacional.
Em 2014, resolveu se afastar da bancada do Gazeta Entrevista e se aventurar na campanha. Foi eleito pelo PRB (atual Republicanos) com 17,9 mil votos. Tentou se espelhar em figuras conhecidas da política local que haviam sido eleitas junto com ele. Não encontrou a referência ideal. “Eles têm um ritmo muito lento. Não trabalham”, confessou certa vez. Resolveu, por conta própria, se articular com técnicos da Câmara Federal para estudar o regimento e saber como funciona o rito dos processos na Casa. Inteligente, dominou rapidamente a lógica das comissões e votações.
O reflexo veio na eleição seguinte. Foi reeleito com 22,2 mil votos. Levantou a causa do Revalida, comprou briga com o Conselho Federal de Medicina. Mas ganhou muitos simpatizantes por aqui. Não apenas os estudantes, mas os mais e familiares. Nesse ritmo, a Câmara Federal passou a ser pequena.
Aventurou-se para o Senado em 2022 na única vaga em disputa e foi novamente eleito. Aliás, desde que entrou para a vida pública, Alan Rick ainda não conhece o sabor da balsa. Neste domingo, uma nova etapa da vida política de Alan Rick estará em jogo. Ele tentará construir o que em poesia chama-se de “rima rica”. Só que, dessa vez, quem vai dizer qual a palavra e qual a rima ideal são as urnas.
Eudo Rafael
Ouvindo Dom Moacir e uma professora de Geografia, Eudo Rafael quer mudar muita coisa
Ele é o caçula dos candidatos ao Governo do Acre. Mas isso tem trazido uma responsabilidade a mais aos demais candidatos. Aos 31 anos, Eudo Rafael calejou os ouvidos pelas homilias do Bispo Dom Moacir Grechi em reuniões que ocorriam com frequência na sua casa, organizadas pela sua mãe, católica praticante.
Isso já é uma referência importante para a construção de um perfil. Grechi faz parte de uma concepção de Igreja que dialoga com a defesa dos Direitos Humanos e que fez uma opção pelo combate à injustiça. Nas reuniões realizadas na Escola Rural São Francisco das Chagas, no Ramal Barro Vermelho, a professora Elda, de Geografia, ofereceu ao jovem elementos da Geografia Humana. Ali, o menino somou os ensinamentos que acumulou nas reuniões com Dom Moacir às várias formas de se combater as desigualdades, as intolerâncias; percebeu que a “Economia” era uma ciência social e, portanto, fruto de decisões. Logo, é algo, essencialmente, político. “Em 2002, com 17 anos, eu comecei a me organizar na escola para limpar o terreno e jogar bola. Em pouco tempo a professora de Geografia, Elda, percebeu que a gente poderia fazer muito mais e ajudou a organizar debates sobre desigualdade social e organizamos um grêmio estudantil”.
Foi uma chave que virou na vida de Eudo Rafael. “Então foi uma mistura de tudo que me aproximou da luta pela emancipação e autonomia humanas, valorizando a luta coletiva e entendendo o mundo entre os que possuem tudo e os que não possuem nada, além da sua capacidade de trabalhar”, polariza Eudo Rafael, hoje, presidente do Sindicato dos Bancários do Acre.
O Sindicato dos Bancários carrega a fama de ser um dos mais “radicais”, no sentido de analisar o cenário político, social e econômico pela “raiz” dos problemas. A pecha de radical talvez aconteça porque os bancários são trabalhadores que sabem, como poucos, que o dinheiro concentrado é fruto de decisões. A diferença abissal entre bancário e “banqueiro” vai afiando o espírito dia após dia.
A formação política moldada por uma das mais expressivas lideranças da Teologia da Libertação do Acre, associada ao movimento estudantil, foram lapidando uma liderança que “fala o que precisa ser falado”.
As paqueras no Estacionamento do 14 Bis e do Mamão Café foram ficando para trás. No entendimento do jovem líder sindical, os problemas do Acre exigem alguma pressa. “Nas andanças da campanha, eu percebi algo muito importante que acho que os candidatos majoritários não tem dado importância: pessoas de direita, com preconceitos pela cor da camisa que eu uso, com falas beirando o absurdo contra benefícios sociais, quando se permitem ouvir nossas opiniões, quando falam sobre as dores que cada um passa, eles se aproximam da nossa campanha e dizem que a gente ‘nem parece de esquerda’. Isso tem deixado claro que a população está perdida, desalentada, mas ainda consegue se aproximar da esquerda e de um futuro socialista desde que parta da realidade de cada um”.
Eudo Rafael jura que não tem nenhuma mania, nenhuma mandinga. Mas deixa claro a relação entre ser metódico com ser virginiano. Três coisas ele não abre mão: fazer parte da “nação rubro negra”, conhecer o interior do Acre por meio dos amigos e comer sopa de bolacha. “Meus amigos acham nojento”, brinca Eudo Rafael, sorrindo e olhando para o interlocutor como quem diz “sabe de nada… inocente!”
Dr. Luizinho
“O que tu tá pensando agora, Pensamento?”
Há 51 anos, ele foi “aparado” por uma parteira no distante seringal Paraná dos Mouras, às margens do Rio Paraná da Viúva, por alguns chamado simplesmente de Rio Moura. É longe, tendo como referência Rio Branco. De uma maneira genérica, para o leitor da Capital, fica na região do Vale do Juruá. “Sou filho de seringueiro e cresci conhecendo desde cedo o peso do trabalho e as dificuldades da vida”, relata Francisco das Chagas Conceição da Silva. Assim, diz pouco. “Dr. Luizinho” comunica mais.
O leitor pode esquecer cinema, diversões. A rotina era pesada. “De manhã, era roçado; à tarde, escola; à noite, igreja. Nossa família não tinha televisão. Cinema também não fazia parte da minha vida. Viajar, muito menos”, lembra. “Quando criança, o máximo que fazia era ir de Cruzeiro do Sul a Rodrigues Alves a pé”.
Andar 47 quilômetros a pé é empresa pequena para pernas novas. Era até divertimento. As brincadeiras do menino eram construídas nesse trecho. Era ali, entre o bairro da Cohab, em Cruzeiro do Sul, e a casa de parentes em Rodrigues Alves que a imaginação de um mundo menos sofrido se construía passo a passo. “Não tive uma infância de muitas coisas”.
Na adolescência, não acompanhava o mesmo ritmo dos amigos. “Também nunca fui de futebol. Eu era tão ruim que quase ninguém me chamava para jogar”, afirma, em tom de brincadeira, antes de revelar o primeiro apelido que ganhou na vida. “Ficava sentado debaixo de uma mangueira olhando meus colegas. Acabei ganhando o apelido de “Pensamento”, porque diziam que eu vivia pensando: ‘O que tu tá pensando agora, Pensamento?’”.
“Pensamento”. Só no Acre mesmo para alguém “ganhar” o apelido de “Pensamento”. Mas parece que a palavra encontrou alguma lógica no jovem tão introspectivo. “Talvez aquele apelido dissesse alguma coisa sobre mim”, sugere Francisco das Chagas Conceição da Silva, o homem. Nesse momento, quem fala não é o candidato.
Imaginar como as coisas podiam ser diferentes era uma obrigação para quem viveu rodeado de exclusão. “Eu sempre fui muito observador. Gostava de pensar, entender as coisas e imaginar como elas poderiam ser diferentes”, lembra, já apontando uma postura incômoda com aquela realidade. “É dessa história que eu venho. Não venho de uma família de políticos. Venho da floresta, do trabalho, do estudo, da fé e da luta. Sou um homem que conhece as dificuldades de quem começou com muito pouco e que acredita que o Acre pode construir uma história diferente”, disse o já candidato Dr. Luizinho.
E esse nome com título de doutorado e tudo… vem de onde? O nome Francisco das Chagas Conceição da Silva é resultado da devoção da mãe por São Francisco e por Nossa Senhora da Conceição. É nome de promessa.
“Quando entrei na vida pública, surgiu uma confusão porque havia outra pessoa conhecida como Luiz Pereira de Lima, que também tinha atuação política. Para evitar a confusão, ele mesmo disse: ‘Você vai ser o Luizinho e eu fico como o Luiz, o prefeito’. E foi assim que o Luizinho acabou ficando. O ‘Dr.’ foi o povo que colocou. Veio da minha formação, da minha profissão e, principalmente, da maneira como as pessoas passaram a me identificar”, explica.
No final das contas, “Dr. Luizinho” é a síntese da promessa de santos, que fortaleceu as canelas e os sonhos nos barrancos e varadouros de Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves, cresceu como Pensamento e se fez homem com o título de “doutor” e tudo. Na passagem por Manaus, cometeu textos no jornal A Crítica, o que lhe confere na carteira de trabalho a tatuagem de “jornalista”. Para quem nasceu em Paraná dos Mouras, é mais uma cicatriz que ele mostra com orgulho.
Itaan Arruda




