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uando você pensa nas Eleições 2026, provavelmente o primeiro nome que vem à cabeça é o de quem disputa a Presidência, certo? Mas existe outro voto que pode ter um impacto enorme nos próximos anos: o de senador. Ou melhor, de senadores.
Cada estado e o Distrito Federal são representados por três senadores, com mandato de oito anos. Essas vagas são renovadas alternadamente: em uma eleição, é renovado um terço do Senado; quatro anos depois, dois terços. Neste ano, serão escolhidos dois em cada estado e no Distrito Federal. Ao todo, serão eleitos 54 senadores.
“Estamos falando de uma mudança bastante significativa, porque 54 das 81 cadeiras estarão em disputa”, afirma Rangel Ramiro Ramos, doutor e pós-doc em Ciência Política e professor da Escola de Educação e Humanidades da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
O especialista explica que a governabilidade de quem for eleito presidente vai depender muito de quem estará no Congresso, principalmente no Senado. “Todas as decisões passam pelo Congresso Nacional, que é formado pelo Senado [e pela Câmara dos Deputados]. Então, o que está em jogo é o controle de uma das casas legislativas mais poderosas do país”, reforça.
E por que a composição do Senado importa para você, jovem
Primeiro é importante entender o papel dos senadores. Enquanto o presidente é o chefe do Poder Executivo, o Senado faz parte do Poder Legislativo, ao lado da Câmara dos Deputados. Na prática, isso significa que os senadores participam da criação, discussão e aprovação das leis que valem para todo o país. Eles podem aprovar, modificar ou barrar propostas que chegam do governo ou que começam no próprio Congresso.
Portanto, o presidente não pode simplesmente decidir sozinho quais leis serão criadas. Existe todo um processo de discussão e votação no Congresso antes que uma proposta possa virar lei. Dessa forma, a composição do Senado, ou seja os senadores que forem eleitos, pode facilitar ou dificultar que determinadas medidas avancem.
“Essa renovação [do Senado] pode representar uma oportunidade importante para eleger representantes que deem espaço a pautas que são fundamentais para os jovens. Estou falando, por exemplo, das mudanças climáticas e da transição energética, que são questões relacionadas a uma ética mais voltada para o futuro”, analisa Rangel.
Ele continua: “Se a mudança resultar em um Senado mais conservador, por exemplo, pautas relacionadas aos direitos humanos e à questão climática podem enfrentar mais resistência”. Já, em um Senado mais progressista, questões como licença parental, implementação de cotas e ações afirmativas para ingresso nas universidades e combate à violência contra a mulher tendem a ganhar mais espaço.
Vale lembrar que o Senado participa também da definição do orçamento destinado ao ensino superior – outro tópico muito importante para nossa galera. Afinal, isso envolve recursos para as universidades, ProUni, bolsas de pós-graduação e pesquisa, que são fundamentais para viabilizar o desenvolvimento de tecnologia e de conhecimento no país.
O professor diz que nos últimos anos o Senado tem travado pautas fundamentais para o futuro do país. “2026 é um ano em que o jovem pode dar a última palavra sobre o Brasil”, defende.
Rangel destaca ainda que que existe uma idade mínima para se candidatar ao Senado, que é 35 anos. “Isso faz com que, naturalmente, muitos dos candidatos tenham uma trajetória política mais longa e uma idade mais avançada”, aponta, mas afirma que a idade não significa necessariamente falta de conexão com as demandas da juventude. “Podemos ter pessoas mais velhas com uma visão bastante voltada para o futuro e para as questões que dizem respeito às próximas gerações”, afirma.
Como escolher meus senadores e senadoras, CH?
Rangel defende que não deveríamos votar em pessoas, mas, sim, em projetos. E a partir disso, buscar quais candidatos se comprometam com esses projetos. Ou seja, pensar se você concorda com a proposta do candidato e com a forma como ele enxerga determinados problemas. O professor usa o exemplo da escala 6 por 1 para explicar melhor essa lógica.
Ele destaca que, como um senador tem uma carreira política longa, o candidato pode não viver as mesmas experiências cotidianas que grande parte da população e de quem trabalha seis dias por semana. Então, é preciso olhar para as propostas do canditado para o tema e como encara essa questão do trabalho.
“O candidato diz: ‘Eu vou propor a redução da jornada de trabalho’? Ou ele diz: ‘Eu não quero que as pessoas trabalhem menos; acho que elas precisam trabalhar mais’? Você concorda com isso? Você acha que precisa trabalhar mais do que já trabalha? Então vote no candidato que defende essa posição. Ou você entende que deveria existir a possibilidade de trabalhar menos? Então procure o candidato que defende essa outra proposta”, explica.
“Por isso, na hora de escolher um candidato, principalmente para o Senado, acho que o jovem precisa olhar para além da pessoa. Precisa olhar para o projeto, para as propostas, para o partido e para a visão de mundo que está por trás daquele candidato. É isso que permite fazer uma escolha política mais consciente”, completa.
Mas ó: o professor lembra que não basta pesquisar antes da eleição. É importante acompanhar o mandato depois que o candidato for eleito. “Isso pode ser feito pelas redes sociais, pelos sites oficiais, pela imprensa e por outras fontes. O eleitor precisa continuar acompanhando o que aquele parlamentar está fazendo, o que está propondo e como está votando”, reforça.
Atenção na hora de votar para Senado
Os candidatos ao Senado são identificados por números de três dígitos. Na urna, o eleitor deve digitar os três números e conferir o nome, a foto, o cargo e a sigla partidária apresentados na tela antes de confirmar o voto.
Como neste ano serão eleitos dois senadores por estado e pelo Distrito Federal, a urna terá duas etapas para esse cargo. Mas preste atenção: para que os dois votos sejam válidos, escolha duas pessoas diferentes. Repetir o número da mesma candidatura não faz com que ela receba dois votos: nessa situação, o segundo será considerado nulo. Confira esse detalhe ao preencher a colinha – aliás, imprima a sua da CAPRICHO aqui.
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