BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) – O Governo de Minas Gerais anunciou que irá destinar R$ 32 milhões para os clubes mineiros América, Atlético e Cruzeiro.
O patrocínio, cuja intenção foi formalizada nesta terça-feira (29) durante reunião com representantes dos times em Belo Horizonte, vem após a medida provisória assinada pelo presidente Lula (PT) na última sexta-feira (25) que torna as bets ilegais no país.
Os clubes mineiros estão entre os times brasileiros que há duas semanas emitiram uma nota conjunta em defesa das casas de apostas.
“O futebol de Minas é muito maior que as bets, e a parte que o Estado pode fazer nesse momento é sair em, não vou dizer socorro, não, é apoio às nossas grandes torcidas que estariam sendo imediatamente prejudicadas”, disse o atual governador Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição, durante o anúncio na sede do BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais).
Segundo Simões, Atlético e Cruzeiro receberão R$ 15 milhões cada, e outros R$ 2 milhões serão destinados ao América. O aporte será feito por meio de verbas de publicidade da Codemge (Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais) e da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), que terão suas marcas estampadas nas camisas dos times, em área a ser definida.
“Vamos abrir as negociações com os dois clubes do interior, tanto o Athletic Club [de São João del Rei], quanto o Uberlândia. Para nós, é uma questão de responsabilidade”, disse o governador, que ainda pediu a colaboração de outras empresas mineiras no apoio ao futebol.
Simões foi criticado pela medida, assinada a poucos dais do primeiro turno das eleições, no debate entre candidatos ao governo realizado pela Globo. Gabriel Azevedo (MDB) classificou a ajuda aos clubes como “absurda”.
Nas redes sociais, Simões se defendeu afirmando que o patrocínio prevê contrapartidas como ingressos de jogos a preços populares, apoio a esportes olímpicos e paralímpicos e manutenção do futebol feminino.
No anúncio, o governador afirmou que o patrocínio não representa uma substituição à receita gerada pelas bets e equivale a cerca de um terço do que os clubes arrecadavam com as casas de apostas. Definições específicas do patrocínio serão negociadas individualmente com cada clube.
No fim de agosto, ele havia assinado um decreto que proíbe a publicidade das casas de apostas online em equipamentos do governo e estádios concedidos à iniciativa privada, caso do Mineirão, um dos principais palcos do futebol em Minas.
À época, o governador chamou as bets de “praga” e disse que era necessário trabalhar para inviabilizar a continuidade da modalidade de apostas.
Estiveram presentes na reunião desta terça Renato Salvador, um dos acionistas do Atlético, o sócio majoritário da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Cruzeiro, Pedro Lourenço, e Marcos Salum, presidente do conselho de administração do América. Representantes da Codemge e da Cemig também participaram da assinatura do protocolo de intenções.




